Padre é assassinado a facadas e suspeito alega ter tido ‘caso’; polícia desmente

Padre Adriano Barros
Jovem afirmou que houve desentendimento por causa de um pagamento em dinheiro (Reprodução/Facebook/Adriano Barros)

Atualizado às 15h55 do dia 18/10/2020 para incluir entrevista concedida pelo delegado Carlos Souza em data posterior à publicação desta matéria. O policial disse não acreditar na versão do suspeito e esclareceu que a principal linha de investigação aponta para possibilidade de latrocínio [roubo seguido de morte].

Um jovem de 22 anos foi preso, nessa quarta-feira (14), após confessar que matou o padre Adriano da Silva Barros, da cidade mineira de Simonésia, na região da Zona da Mata. Os policiais encontraram o corpo do pároco carbonizado em Manhumirim, município próximo ao que a vítima residia. O autor do crime admitiu que cometeu o assassinato na terça-feira (13) e afirmou que vivia um romance com a vítima.

No entanto, a Polícia Civil não acredita na versão do suspeito e trabalha com a hipótese de latrocínio [roubo seguido de morte]. A história teria sido inventada para chantagear Adriano (saiba mais aqui).

O crime foi solucionado depois que um morador de Manhumirim encontrou o corpo de Adriano queimando no terreno de sua propriedade. Equipes das policias militar e civil foram até o local com familiares do padre, que reconheceram o corpo.

Uma hora antes, uma equipe da PM havia abordado o autor do crime na região. O jovem apresentou nervosismo durante a abordagem e tinha cortes nas mãos. Ainda sem a informação de que o corpo estava naquela região, os militares liberaram o jovem. O homem também foi visto entrando no veículo de Adriano, em outra ocasião. Os policiais foram então até a residência do suspeito, que confessou o crime.

O jovem afirmou que matou o pároco a facadas na terça-feira e voltou ao local na quarta-feira para queimar o corpo. Segundo ele, houve um desentendimento por causa de um pagamento em dinheiro. O carro de Adriano teria, ainda, sido levado para o Rio de Janeiro por um parente do jovem.

Homenagens

Adriano, de 36 anos, foi visitar a mãe doente, na cidade próxima de Martins Soares. Após um almoço com os pais e com a irmã, o padre sumiu enquanto voltava para Simonésia. Os familiares acionaram os militares para informar o desaparecimento, já que o homem não atendia ao celular, nem retornava as mensagens.

A comunidade católica se mobilizou em uma campanha para que o padre fosse encontrado. Após a informação de que Adriano havia sido assassinado, os fiéis prestaram homenagens ao religioso em sua página do Facebook. “Que a Luz perpétua o ilumine descanse em Paz. Amém”, escreveu um usuário da rede social.

O que diz a polícia?

A Polícia Civil prendeu o segundo suspeito de envolvimento na morte do padre Adriano da Silva Barros, na cidade mineira de Simonésia, na região da Zona da Mata. A prisão aconteceu no Rio de Janeiro, na noite da última sexta-feira (16). O carro do religioso também foi localizado. A corporação desmentiu a versão do primeiro suspeito preso. Ele afirmou que mantinha um relacionamento com a vítima.

O delegado Carlos Souza explicou que a versão do jovem de 22 anos não faz sentido, já que os pertences da vítima não foram localizados. “Estamos tratando o caso como latrocínio, porque os pertences da vítima desapareceram: celular, carteira e o veículo”, detalhou. No depoimento prestado, o suspeito disse que matou o padre quando tentou o extorquir.

Guilherme Gurgel
Guilherme Gurgelguilherme.gurgel@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco nas editorias de Cidades e Variedades no BHAZ.

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