Vereadora Bella Gonçalves é detida após confusão em protesto na capital

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Vereadora Bella Gonçalves foi detida após confusão em protesto (Abraão Bruck/CMBH + Reprodução/Facebook/Bella Gonçalves)

O que era para ser uma manifestação pacífica contra o despejo de moradores de uma ocupação localizada na divisa entre Belo Horizonte e Vespasiano, na região metropolitana, terminou com a vereadora Bella Gonçalves (PSOL) e outras três pessoas detidas nesta sexta-feira (16).

Bella chegou ao protesto de moradores da ocupação Vila Beija Flores, no Nova Pampulha, quando o ato já havia começado. Os manifestantes demonstravam indignação com a desocupação do espaço que reúne, há 30 anos, mais de 450 famílias. O local fica perto de uma torre de transmissão da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), que quer desocupar a região por conta da estrutura.

Mesmo detida, Bella conversou rapidamente com o BHAZ na noite de hoje. Ela explica que presenciou uma mulher jogar o carro em que estava contra a manifestação e que os moradores tentaram impedir que as pessoas fossem atropeladas. Segundo a parlamentar, a PM usou spray de pimenta – que inclusive a atingiu -, e deu voz de prisão contra os manifestantes.

“Nesse momento, estou detida no Ceflan II, desde às 15h. Tô eu detida com mais três moradores da comunidade Beija Flor, que está sendo despejada em uma ação da Cemig e que fazia uma manifestação, uma luta contra esse despejo, na tarde de hoje”, diz Bella.

Detida

Nesse meio tempo, a vereadora ajudava a socorrer uma idosa que passou mal diante da confusão. Foi então que os policiais comunicaram que a mulher e outras duas pessoas seriam conduzidas à delegacia. Bella chegou à unidade policial para acompanhar a situação, mas foi informada de que estava detida.

“A manifestação começou 14h, eu cheguei um pouco depois e presenciei uma mulher jogando o carro em cima da manifestação, o que gerou uma confusão. Nessa confusão, a polícia atuou para reprimir os moradores e manifestantes da comunidade que está sendo despejada, e de maneira truculenta queria deter uma senhora idosa que estava passando mal”, conta.

“Eu vim acompanhando essa senhora para registrar a queixa aqui na delegacia de polícia e aqui chegando, como testemunha, eu fui detida pela Polícia Militar e sigo detida desde então”, explica a vereadora.

Além de denunciar o despejo dos moradores da comunidade em meio à pandemia, Bella também considera a ação da PM truculenta. “A gente tá denunciando esse despejo violento feito durante a pandemia pelo governo Zema e também a truculência da Polícia Militar contra os manifestantes e contra a democracia”.

Para Bella, a ação da PM viola as prerrogativas do cargo que ocupa enquanto vereadora. Ela explica que preside a comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor na Câmara de Belo Horizonte, que tem direto a fiscalizar e mediar conflitos.

Versão da PM

O BHAZ também conversou com o major Cláudio Henrique Ribeiro dos Santos, subcomandante do 1º Batalhão da PM. Ele acompanhou a manifestação e diz que os policiais tentaram, sem sucesso, identificar lideranças no protesto – o que pode ter prejudicado o andamento do ato.

“A PM não conseguiu identificar lideranças. Em determinado momento, os manifestantes começaram a andar em direção aos veículos, ameaçaram condutores e provocaram danos”, explica o major.

Ele cita a motorista apontada por Bella como a responsável por jogar o carro contra os manifestantes e diz que a mulher entrou em estado de choque. “Ocorre que uma das condutoras que estava mais à frente, junto da mãe, teve os vidros atingidos pelos manifestantes. Ela conta que entrou em estado de choque depois que a mãe dela levou dois socos na nuca, já que estava com vidro meio abaixado. Ela arrancou o veículo em baixa velocidade. O veículo está todo amassado, danificado”, conta.

Segundo o major, a PM identificou os responsáveis e deu voz de prisão a eles. “Quando tentamos tirar os manifestantes do meio do público, a idosa tentou se opor à ação legítima da PM com ameaça. A vereadora disse que era vereadora e se negou a se identificar, se opondo à ação policial”, conta.

O subcomandante ainda explica que não foi necessário o uso de força para conter Bella. “Ela não foi algemada, não foi necessário uso da força. Ela foi presa por resistência, por se opor a ação policial. Todo o fato foi presenciado por testemunhas”, explica.

Cláudio ainda explica que não são comuns “fatos dessa natureza no batalhão”. Segundo ele, “os manifestantes perderam o foco da reivindicação e prejudicaram pessoas que exerciam o direito de ir e vir”. “As partes estão sendo ouvidas e toda ocorrência foi acompanhada por advogados das partes”, finaliza.

Cemig

O BHAZ fez contato com a Cemig e aguarda o posicionamento. A reportagem será atualizada assim que a reposta for recebida.

Roberth Costa
Roberth Costaroberth.costa@bhaz.com.br

Editor do BHAZ desde junho de 2018 e repórter desde 2014. Participou do processo de criação do portal no ano de 2012. É formado em Publicidade e Propaganda pela Faculdade Promove de Belo Horizonte e tem como foco a editoria de Cidades.

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