Aos pés de Gilberto: Galo se rende a atacante, que lidera ‘virada à baiana’

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Gilberto comandou a virada do Bahia (Jhony Pinho/Agif/Folhapress)

Por Sara Zeferino, especial para o BHAZ

O atleticano vai dormir nesta segunda (19) com a cabeça doendo. Depois de se acostumar com a liderança, tendo inclusive aberto pontos de vantagem, o Galo dá adeus à primeira colocação do Brasileirão após perder, de virada, para o Bahia por 3 a 1. E olhe que começou com pinta de que seria mais um jogo tranquilo – o Atlético chegou a abrir 1 a 0. Mas, comandado por um atacante Gilberto iluminado, o time nordestino virou e se afasta do Z4.

Com o resultado, o Galo não conseguiu recuperar a liderança de Inter e Flamengo – líder e vice -, que abriram três pontos de vantagem, apesar de ambos terem um jogo a mais. Agora, os liderados por Sampaoli terão a semana de descanso até o próximo jogo, que será contra o Sport, no sábado (24), às 21h no Mineirão. Já o Bahia se afastou um pouco do Z4, pulou para o 12º lugar e tem um longo período de descanso no Brasileirão: encara o Santos apenas no dia 31.

Extremos: voltas e ausências

Enquanto o Galo buscava retomar a liderança, o Bahia amargava o primeiro lugar fora do Z4. Os extremos na tabela também possuíam duas situações antagônicas antes do apito inicial. Enquanto o time nordestino não contava com o técnico Mano Menezes e o auxiliar, Sidnei Lobo, ambos suspensos, o lado alvinegro contava com o retorno de importantes peças para o esquema tático: Alonso, Franco e Savarino retornaram depois de jogos pelas respectivas seleções nacionais.

‘Violência’: dentro e fora

Tanto dentro quanto fora de campo, “violência” atleticana. Fora das quatro linhas, o treinador argentino disparava verbalmente. Anderson Daronco, árbitro da partida, precisou usar do ‘portunhol’ para chamar a atenção de Sampaoli para que ele se acalmasse na beira do campo. Dentro de campo, Keno disparava petardo. O atacante chutou uma bomba após receber do lado esquerdo, aos 15, e cortar. Quase 1 a 0.

‘Savaliso’ é o nome dele!

Mas o “quase” se concretizou pouco depois. Aos 20 do 1T, Jair aproveitou cruzamento de Alonso e cabeceou. A bola sobrou pra Réver fazer um belo pivô para Savarino, que mandou a bola para o fundo do gol. Alegria atleticana no sofá das casas alvinegras – e, até então, aposta de uma retomada da liderança

Ei, juiz…

E o Galo do Sampaoli, você já conhece, né?! Fez um e se jogou pra fazer o segundo. Aos 32, Keno apareceu na área, foi pra cima do zagueiro Lucas Fonseca e caiu. Os atleticanos pediram pênalti, mas Daronco mandou seguir – e o VAR concordou. Aos 39, Jair lançou Keno, que avançou pela esquerda e devolveu a bola para o próprio Jair, que já apareceu dentro da área para chutar. A bola passou pertinho da trave direita do goleiro Douglas, no entanto o bandeirinha assinalou impedimento no lance.

Doce ilusão

O primeiro tempo foi um verdadeiro show do Galo. O time de Salvador só conseguiu chegar ao ataque aos 44 da etapa inicial – e sem ameaçar o gol alvinegro. O Bahia entrou em campo com 4 volantes e optou por jogar recuado, o que acabou chamando o Atlético pra jogar pra cima. Foram 12 finalizações da equipe mineira contra apenas duas do time de Salvador, sendo que a primeira parou na marcação do Galo e nem foi para o gol. Só que tinha o segundo tempo…

Não é assim, Savarino!

E o Galo teve mais oportunidade na etapa final também. Savarino apareceu livre na grande área pelo lado direito de ataque, aos 18 do 2T, mas chutou pra fora, sem ameaçar o goleiro Douglas. Um minuto depois e o Galo apareceu de novo no ataque. A bola sobrou para Keno, no lado esquerdo de ataque, que chutou pra fora e sem perigo.

E não é que o Bahia acordou?

Gilberto entrou no início do 2T determinado a mudar a história do jogo – e conseguiu. Aos 23, soltou uma bomba na cobrança de falta. Everson ainda defendeu, mas deu rebote, aproveitado por Gregore, que ajeitou para Daniel apenas empurrar. Tudo igual em Pituaçu: 1 a 1.

Gilbertoooool

Quatro minutos depois, quem aparece? Gilberto recebeu passe pela direita, invadiu a área e deixou Marco Antônio na cara do gol. Mas, desta vez, Everson apareceu para salvar o Galo. Só que, aos 34, Gilberto aproveitou bobeada de Guga, tirou o arqueiro atleticano e Rabello para tocar com tranquilidade. Vira, vira, vira…

E tem mais!

Não acabou, não! Aos 43 da etapa final, mais um gol baiano. Em contra-ataque do time de Salvador, Gilberto recebeu a bola no meio da zaga do Galo, invadiu a área e chutou no contrapé do Everson, que nada pôde fazer. Um Gilberto em noite super inspirada para o Bahia e um jogo para o atleticano esquecer: 3 a 1.

FICHA TÉCNICA:
BAHIA 3 X 1 ATLÉTICO

Local: Estádio Pituaçu, em Salvador (BA)
Data: 19 de outubro de 2020, segunda-feira
Hora: 20h (de Brasília)
Árbitro: Anderson Daronco (Fifa-RS)
Assistentes: Rafael da Silva Alves (Fifa-RS) e Michael Stanislau (RS)
VAR: Daniel Nobre Bins (RS)
Cartões amarelos: Edson, Elias, Alesson e Gilberto (Bahia); Junior Alonso (Atlético)
Gol: Daniel, aos 23 do 2T e Gilberto, aos 34 e aos 43 do 2T (Bahia); Savarino, aos 20 do 1T (Atlético);

BAHIA: Douglas; Ernando (Nino Paraíba), Lucas Fonseca, Juninho e Juninho Capixaba; Gregore, Elias e Edson (Gilberto), Ramon (Daniel) e Fessin (Alesson); Clayson (Marco Antônio)
Técnico: Cláudio Prates

ATLÉTICO: Everson; Guga, Réver (Igor Rabello), Júnior Alonso e Guilherme Arana; Jair, Alan Franco e Nathan (Sávio); Savarino, Keno e Eduardo Sasha (Marrony)
Técnico: Jorge Sampaoli

Edição: Thiago Ricci

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