Governo dos EUA executará mulher que matou grávida e roubou bebê

lisa montgomerry
Mulher desenvolveu problemas mentais após ser vítima de tráfico sexual e estupros coletivos(Reprodução/Death Penalty Information Center)

No dia 8 de dezembro, Lisa Montgomery receberá uma injeção letal por ordem do governo estadunidense. Segundo o Departamento de Justiça do país, a mulher foi condenada à pena de morte após estrangular uma grávida e roubar o bebê. O crime aconteceu em 2004, mas a decisão foi publicada na última sexta-feira (16).

A última vez que uma mulher foi condenada à pena de morte nos EUA foi em 1953, segundo o DPCI (Centro de Informação sobre Pena de Morte). Além de Lisa, o procurador-geral William P. Barr também condenou Brandon Bernard, 39, à pena de morte por crime hediondo. Em 1999, o homem e mais quatro amigos mataram um casal de jovens religiosos, no Texas.

O crime de Lisa Montgomery

Em dezembro de 2004, a mulher condenada à pena de morte planejou um assassinato seguido de sequestro. Lisa foi até a casa da vítima, Bobbie Jo Stinnett, com a alegação de que iria comprar um filhote que a mulher vendia. Dentro da casa de Bobbie, a criminosa atacou e estrangulou a vítima, até que ela perdesse a consciência.

Em seguida, Lisa usou uma faca de cozinha para cortar a barriga de Bobbie, que estava grávida de oito meses. Com o corte, a vítima retomou a consciência e lutou com a assassina, mas acabou sendo estrangulada até a morte. Sem que a grávida pudesse apresentar resistência, Lisa retirou o bebê de sua barriga e passou a tentar fingir que era a mãe do recém-nascido.

Após a descoberta do crime e a investigação, Lisa confessou o assassinato de Bobbie e o sequestro da criança. Em 2007, um júri recomendou a pena de morte, que agora foi aceita pela Justiça estadunidense.

O que a defesa de Lisa alegou

Os advogados de Lisa alegaram que a mulher havia passado por uma vida de abusos, incluindo tráfico sexual e estupros coletivos. Segundo o DPCI, a defesa justificou que todos os traumas haviam sido causados por Transtorno de Estresse Pós-Traumático e Lisa passava por episódios psicóticos. Ela teria tido remorso por sua atitude logo após o fato.

Uma de suas advogadas de defesa, Kelley Henry, disse que o júri nunca foi informado sobre o histórico de severos traumas e doença mental de Lisa, porque na época do julgamento ela foi “representada por um advogado incompetente que tinha a dúbia distinção de ter mais clientes na fila de pena de morte do que qualquer outro advogado”.

“As severas doenças mentais e os impactos devastadores dos traumas de infância de Lisa, fazem com que a execução dela seja uma profunda injustiça”, defendeu Kelley.

Edição: Aline Diniz
Guilherme Gurgel
Guilherme Gurgelguilherme.gurgel@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco nas editorias de Cidades e Variedades no BHAZ.

Comentários