Cliente toca partes íntimas de vendedora enquanto ela trabalha

Assedio loja Cuiabá
Polícia Civil do Mato Grosso abriu investigação para identificar assediador (Reprodução/@midianinja/Instagram)

Uma funcionária de comércio foi assediada enquanto trabalhava, por um cliente da loja. O homem se aproveitou de momentos em que a mulher repunha a mercadoria no estabelecimento para tocar as partes íntimas dela. O caso aconteceu em uma loja no centro de Cuiabá, capital do Mato Grosso, nessa segunda-feira (19). O assédio ganhou notoriedade e gerou revolta nas redes sociais após a divulgação de imagens de circuito interno.

As imagens mostram o momento em que o homem parece avaliar produtos em um corredor do estabelecimento. Próximo dele, a funcionária, de 23 anos, faz a reposição de mercadorias nas prateleiras. Em dois momentos durante o vídeo, o homem se aproveita para apalpar as nádegas da vítima. Até que a mulher o enfrenta com o olhar e ele se afasta.

De acordo com a Polícia Civil do Mato Grosso, a ocorrência foi registrada como importunação sexual. A corporação explica que, na lei, esse é o ato de “praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”.

“A vítima foi ouvida na DEDM (Delegacia Especializada de Defesa da Mulher), e o inquérito foi instaurado na unidade para investigação do caso. As diligências estão em andamento para identificação do suspeito e demais providências cabíveis”, acrescentou a corporação.

Crimes contra a mulher

Para a advogada criminalista Paola Alcantara Lima Dumont, em casos como esse, é importante ter o cuidado para que a vítima não acabe sofrendo uma nova violência no julgamento público. “As instituições precisam ter cuidado para não praticar uma nova ofensa contra a vítima, não colocar ela numa posição de ‘ah, se fosse eu teria feito isso ou aquilo’. Cada um que passa pela situação vai reagir de uma forma”, comenta.

Sobre o vídeo, Paola defende que as imagens deixam claro que houve a ocorrência de importunação sexual. A advogada destaca também a importância que deve ser dada à palavra da vítima, em crimes sexuais. “Mas como tem vídeo, é muito mais claro. Não tem um pingo de discussão sobre a ocorrência crime”, garante.

Como reagir?

Nas redes sociais, muitos se revoltaram com a cena e afirmaram que teriam agredido o assediador. Paola explica que o uso de violência pode ser justificado por legítima defesa em casos de assédio, mas há ressalvas. O uso de força ou violência desproporcional, por exemplo. “Inicialmente é possível falar em legítima defesa, desde que a pessoa reaja de modo a cessar a usar os meios necessários para cessar a agressão”, acrescenta.

O ideal, segundo a especialista, é acionar as autoridades. Se for possível, reunir testemunhas e fazer com que o agressor fique no local. Em seguida, chamar a Polícia Militar. Caso não seja viável acionar os policiais no momento do assédio, a vítima pode procurar a Polícia Civil, que deve começar uma investigação sobre o crime.

Edição: Roberth Costa
Guilherme Gurgel
Guilherme Gurgelguilherme.gurgel@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco nas editorias de Cidades e Variedades no BHAZ.

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