Marcelo propõe Fórmula E no Centro de BH, ônibus elétrico, VLT e metrô

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Marcelo Souza e Silva é o sexto sabatinado na rodada de entrevistas do BHAZ (Moisés Teodoro/BHAZ)

O presidente licenciado da CDL-BH (Câmara de Dirigente Lojistas) e candidato à PBH (Prefeitura de Belo Horizonte) pelo Patriota, Marcelo de Souza e Silva, disse que pretende realizar etapas da Stock Car no entorno da Cidade Administrativa e da Fórmula E em pleno Centro de BH, para movimentar a economia local e colocar a cidade no mapa de eventos internacionais. Além disso, o empresário aposta no diálogo e alinhamento com o governador Romeu Zema, o presidente Jair Bolsonaro e municípios da região metropolitana para viabilizar um pacote de mobilidade: metrô, o VLT (Veículo leve sobre trilhos) e o monotrilho.

Essas e outras informações foram reveladas pelo candidato durante entrevista exclusiva concedida ao BHAZ. Marcelo Souza e Silva é o sexto a participar da sabatina realizada pelo portal com todos os 15 postulantes a assumir a PBH a partir de 2021. Acompanhe a cobertura das eleições municipais em todas as nossas redes e clique no nome do candidato para conferir as entrevistas já realizadas:

Ainda na área de transporte, o presidente licenciado da CDL-BH sugere a implantação de ônibus elétricos na cidade e a criação de uma startup que ajude a reduzir a tarifa dos ônibus da capital – além da implantação de coletivos elétricos. Marcelo também tem como proposta reformular 30 centros comerciais de Belo Horizonte e a retomada urgente das aulas, assim como parcerias com hospitais privados para zerar a fila de espera por cirurgias e consultas. 

‘Nos deram as costas’

Marcelo Souza e Silva ganhou notoriedade em BH durante o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus na capital. O empresário que representa uma das principais entidades econômicas da cidade, a CDL-BH, travou embates com o prefeito Alexandre Kalil (PSD), por discordar das medidas do mandatário. “A prefeitura tem um problema sério: todo mundo que se posiciona contrário ao que ela pensa vira inimigo”, disse. 

“Com certeza eu posicionei e, no meu sentimento, o prefeito Alexandre Kalil virou as costas pro comércio e para a população de Belo Horizonte. Nós não podemos tratar uma pandemia olhando somente a questão da saúde. É prioritária [a saúde], vou repetir isso aqui quantas vezes for necessário, mas é preciso cuidar da vida das pessoas também”, afirmou Marcelo. 

Ainda de acordo com o concorrente, alguns setores que foram fechados poderiam ter continuado em funcionamento com um protocolo diferenciado. Segundo o candidato, a fiscalização da PBH se concentrou em poucas áreas da cidade. “A gente sabe que na região Centro-Sul teve uma forte corrente de fiscalização da prefeitura, mas nos bairros e periferias a gente viu muito movimento e não tinha este apelo e fiscalização da prefeitura”, destaca.

‘Cidade feia e suja’ 

Para reerguer a economia da capital, Marcelo Souza e Silva disse que pretende investir em um plano com ações para atrair empresas para a capital e reforçar o comércio local. “Estamos propondo um plano de incentivo. Precisamos reforçar e qualificar as empresas que já estão em Belo Horizonte, mas também precisamos atrair novas empresas e novos investimentos. Primeiro para garantir os empregos existentes, segundo para gerar novos empregos”, afirmou. 

“Belo Horizonte está parada no tempo, está suja e feia. O belo-horizontino está com a autoestima baixa. Nós precisamos movimentar a economia. Cuidar do presente da cidade é muito importante, mas temos que pensar o futuro. Temos que atrair empresas, temos que entender qual que é o perfil de empresas mais atrativas para BH”, acrescentou.

Isenções e IPTU

O plano do candidato prevê ainda isenções de impostos “dentro do princípio da legalidade”, segundo o próprio define. “Temos que olhar com muito cuidado como podemos dar e compensar esta isenção com a forma de arrecadação”, disse. Questionado se a capital poderia ceder isenções de IPTU aos setores prejudicados, Marcelo disse que é preciso discutir o tema com responsabilidade. 

“A cidade precisa arrecadar. O que nós estamos falando é ajudar quem foi prejudicado nesta pandemia, que foram as empresas, os comerciantes, os prestadores de serviço. E, dentro de uma regra estabelecida, para que ajude ele a passar este sufoco, que já está acontecendo”, afirmou. 

De acordo com Marcelo Souza e Silva, outras estratégias serão pensadas para não reduzir a arrecadação da cidade, conversando com cada setor econômico. “Não é chegar lá e fazer uma isenção de IPTU por um período muito grande. Você tem bares e restaurantes que tem taxas de licenciamento de mesas, cadeiras e toldos. A gente pode olhar isso com muita tranquilidade, conversando com o setor e olhando a possibilidade da prefeitura fazer esse apoio a setores tão importantes na sociedade”, explicou. 

Por fim, Marcelo propõe uma ação junto ao Sebrae-MG (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) para revitalizar 30 centros comerciais em Belo Horizonte.

Stock Car e Fórmula E

O candidato sugere atrair eventos automobilísticos para Belo Horizonte, com a intenção de aumentar o movimento da cidade. “No entorno da Cidade Administrativa tem aquela área espaçosa e muito pouco aproveitada. A Fórmula E, que é uma fórmula ecológica, acontece mesmo nas ruas da cidade. Belo Horizonte tem uma forma que consegue fazer a Fórmula E, pegando ali Afonso Pena, rua Sapucaí. você consegue fazer um circuito”, afirmou. 

Marcelo aposta que os eventos possam ajuda na recuperação da economia da capital mineira. “Você traz pessoas qualificadas, ocupa os hotéis, bares e restaurantes, agrega a nossa gastronomia, já que temos o título de cidade criativa da gastronomia”, argumentou. “Essa movimentação vai fazer também com que haja o interesse de pessoas de estarem em Belo Horizonte e investindo em BH. Então esse é um grande pensamento, é um plano de desenvolvimento econômico”, complementou. 

Desobediência 

Em julho, durante uma coletiva na CDL-BH, ao lado ao presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, Marcelo Souza e Silva criticou os parâmetros adotados pela PBH e os dois empresário ensaiaram uma desobediência, chegando a afirmar que tomariam medidas próprias para reativar a economia da PBH. 

Questionado sobre a ação e como agiria em papéis invertidos, sendo ele o prefeito desafiado por um empresário da capital, Marcelo disse que vai apostar no diálogo para evitar problemas. “Não vai acontecer porque nós não vamos deixar de conversar, não vamos deixar de acolher as pessoas. Vamos conversar, explicar, ser transparente  na tomada de decisões e temos que ser firme, porque gestor de uma cidade igual BH tem que ter firmeza”, afirmou. 

“Não pode é flexibilizar como aconteceu, a abertura do shopping popular que todo mundo estranhou, sendo que os shoppings tradicionais poderiam estar abertos naquela época. Temos que dar transparência, muito diálogo e buscar essas soluções em conjunto para melhorar nosso ambiente de negócios, de emprego, de sustento da família e de convivência também. Fazer um lugar agradável para viver”, acrescentou.

Aulas já

Sobre a volta às aulas, um dos temas mais debatidos do momento, Marcelo Souza e Silva disse que, se dependesse dele, as atividades escolares seriam retomadas ainda neste ano. “Eu sou a favor da volta às aulas imediatamente, lógico que com todos os protocolos e cuidados, acompanhando o que está acontecendo nas escolas”, afirmou. 

“Em agosto, sugerimos que podia voltar uma escola primeiro e que se aplicasse o protocolo e acompanhasse o resultado, o que estava acontecendo, e quais eram os pontos negativos e positivos. Eu sou a favor. No começo da minha gestão vou fazer um plano emergencial para que essas crianças recuperem o tempo perdido para que não percam em seu crescimento esse ensinamento que deveria ter sido feito este ano e a pandemia não deixou”, projetou. 

Vans no transporte público

O candidato rebateu a fala do atual prefeito, Alexandre Kalil, ao BHAZ, que afirmou que o os ônibus lotados da capital não têm solução. “Eu já falei aqui e gostaria de repetir: tem solução sim”, disse Marcelo Souza e Silva sobre o tema. 

O presidente licenciado da CDL-BH disse que ofereceu à PBH a ideia de usar vans escolares para reforçar o transporte durante a pandemia. “Nós fizemos a tratativa com o presidente do sindicato das vans escolares que estavam e estão sem ter remuneração. O trabalho deles está parado e foi muito bem aceito. Oferecemos as vans para o transporte público naquele momento. O prefeito Alexandre Kalil ouviu isso da minha boca, ordenou o presidente da BHTrans, Célio Bouzada, para fazer as tratativas no dia 3 de junho e nunca houve essa tratativa”, disse. 

De acordo com o empresário, o transporte público tem solução, como um todo, no entanto é preciso dedicação. “Eu acho que tem e podemos usar a tecnologia ao nosso favor. Tem muitas soluções sim, só que dá trabalho e precisa cuidar do assunto e eu acho que não está acontecendo em Belo Horizonte”, pontuou.

Ônibus elétrico 

Uma das principais propostas do candidato do Patriota é a troca da frota da capital para ônibus elétricos. A proposta já foi testada em BH e não houve continuidade. No entanto, segundo ele, o plano seria rediscutido buscando maneiras de implantar aos poucos na cidade. 

“Estamos falando da troca gradativa da frota por ônibus elétrico. Hoje o custo da bateria é mais baixo que na época do primeiro teste. Precisamos chamar a iniciativa privada, conversar, fazer projeção e colocar em prática e entender se aquele projeto piloto é viável. O ônibus elétrico tem dificuldade em trajetos que têm a topografia mais elevada. Então temos que buscar as soluções junto às empresas e a sociedade civil organizada”, disse.

‘Não existe caixa-preta’ 

Questionado sobre a existência de uma caixa-preta na BHTrans, Marcelo Souza e Silva negou e disse que tudo não passa de uma dificuldade nas tratativas. “Não acho que é difícil a solução. Eu acho que precisa é muito trabalho. Acho que a BHTrans tem uma resistência, tem pessoas que têm pensamentos que não são modernos, têm resistência conversar, tem pessoas acomodadas. Mas tem muitas pessoas na BHTrans que eu sei e conheço. Pessoas que querem modernizar todo o sistema de mobilidade em Belo Horizonte. Isso é muito importante”, argumentou. 

Startup para reduzir passagem 

Segundo Marcelo Souza e Silva, as empresas de transporte sofrem com os custos de operação, manutenção e combustível. “Às vezes, temos muitos ônibus grandes cumprindo itinerários que, em certos momentos do dia, ele transporta cinco ou dez pessoas em um ônibus que tem capacidade para muito mais. Isso onera. Aquele carro, para sair da garagem e rodar esse trajeto, já tem um custo pré-definido. Então nós precisamos utilizar a tecnologia”. 

Para reduzir o preço da tarifa na capital, o candidato propõe o fomento em tecnologia e a criação de uma startup que deixe o serviço de transporte mais viável. “BH é um celeiro de startups, já há muito tempo precisávamos fazer isso. Tenho certeza de que a prefeitura precisa ser protagonista nisso, a PBH não pode ficar acomodada e achar que a solução é só de enfrentamento e de mudar contrato. Tem que ajudar a buscar essa solução também”, afirmou. 

Investimento no transporte 

Para viabilizar a construção de um VLT, monotrilho e a tão prometida segunda linha do metrô de BH, Marcelo propõe aumentar o diálogo com as outras esferas governamentais e com as cidades vizinhas, para integrar todos os modais de transporte. Além disso, o concorrente espera buscar investimentos até do exterior.  

“Tem que fazer um grande esforço com governo estadual e a agência de desenvolvimento metropolitano, porque isso envolve as outras cidades para que esses modais estejam integrados. Mas o investimento é pesado, com organismos internacionais e até a iniciativa privada. Isso tem que ter uma tratativa que não pode parar e precisa estar próximo de onde tem que buscar o recurso, que é o governo federal. E nós não vemos o prefeito Alexandre Kalil fazendo essa mobilização”, disse. 

Quanto aos corredores de ônibus, Marcelo Souza e Silva disse que pretende investir no modal sem prejudicar os comerciantes, como ocorreu na avenida Pedro II. O candidato, inclusive, propõe modificar o modelo adotado na via, que é alvo de reclamações. “Vamos fazer no corredor central das avenidas Amazonas e da Pedro II. O comércio de Belo Horizonte e serviços é muito prejudicado quando se tem faixas exclusivas de ônibus na lateral das pistas, pois você tem uma dificuldade das pessoas acessarem essas lojas”, esclareceu. 

Modernização na saúde

Na área da saúde, o presidente licenciado da CDL-BH diz que pretende modernizar a saúde com a adoção de prontuários eletrônicos e parcerias com o setor privado para zerar a fila de espera por exames e consultas. “Isso seria feito com hospitais filantrópicos e privados, em horário de atendimento diferenciado, principalmente noturno”, contou. 

Marcelo Souza e Silva também propõe abrir a maternidade Leonina Leonor, o que Kalil disse que não vai fazer. “A maternidade municipal, com certeza, nós vamos fazer. É necessário. Temos maternidades filantrópicas em BH excelentes, mas precisamos dar mais suporte à população”, disse. 

‘Não me arrependo’

Apesar da grande visibilidade conquistada durante a pandemia, a projeção de Marcelo Souza e Silva não é refletida nas intenções de voto. Nas pesquisas, o candidato aparece com menos de 1% e, em um dos levantamentos, sequer foi citado pelos eleitores. Questionado se está arrependido de se colocar como postulante à PBH, o concorrente nega. 

“Estou muito feliz. Essa foi a proposta: trazermos essa opção para o eleitores terem uma liderança de um setor tão importante em Belo Horizonte, que é o setor de comércios e serviços, com participação efetiva e propostas para melhorar BH. Precisamos tirar BH desse marasmo que nos encontramos, precisamos movimentar economicamente essa cidade, todos nós precisamos disso. Se a cidade não tiver um movimento econômico forte, nós não caminhamos”, disse.

Marcelo diz que é difícil se tornar uma pessoa conhecida, mas que a disputa ainda não está perdida. “Ainda estamos em tempo de acordarem, observarem os candidatos e escolherem”, afirmou.

O presidente licenciado da CDL-BH já foi candidato em 2006, pelo PFL, quando tentou ser eleito deputado estadual e obteve 2,9 mil votos – bem abaixo do último eleito, que teve mais de 20 mil. De acordo com o próprio, o pleito serviu de aprendizado e, agora, pretende alcançar o cargo no Executivo. “A proposta agora política, não é empresarial. Temos essa visão da gestão eficiente e moderna, é isso que me incentivou a trazer a proposta de ser candidato e trazer essa opção para os belo-horizontinos, para que possamos juntos salvar a economia”, destacou.

Edição: Thiago Ricci
Rafael D'Oliveira
Rafael D'Oliveirarafael.doliveira@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde janeiro de 2017. Formado em Jornalismo e com mais de cinco anos de experiência em coberturas políticas, econômicas e da editoria de Cidades. Pós-graduando em Poder Legislativo e Políticas Públicas na Escola Legislativa.

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