Partido de Zema não elegerá prefeito, nem mesmo na terra do governador

romeu zema tiktok
Governador aderiu a tipo de publicação que é moda no aplicativo (Reprodução/TikTok)

O partido Novo, do governador Romeu Zema, não deu importância à sucessão municipal deste ano, razão pela qual não deverá eleger prefeito algum. Nem mesmo na cidade do governador, Araxá (Alto Paranaíba), a legenda obterá sucesso. A 21 dias da votação, seus candidatos não têm quaisquer chances de vencer, ou chegar ao segundo turno, onde poderia haver, como é o caso de Belo Horizonte e Contagem (Grande BH).

Sem muito gosto para fazer política, o partido lançou, em Minas, apenas três empresários como candidatos a prefeito. Em Belo Horizonte, Rodrigo Paiva; em Contagem, Marcio Bernardino, e em Araxá, Emílio Neumann. Em todo o país, são apenas 46 candidatos.

Partido Novo lançou apenas 46 candidatos a prefeito, site Novo

Fraco desempenho

Rodrigo Paiva teria 2% de intenções de voto em cenário no qual o prefeito Alexandre Kalil (PSD) registra 58%. Os dados são de pesquisa do Ibope, feita entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro e registrada no TRE (MG-08595/2020).

Em Contagem, pesquisa DataTempo/CP2, realizada entre os dias 9 e 10 de outubro, aponta Marcio Bernardino com 0,9% de intenções de voto contra 45,5% da líder da sondagem, Marília Campos (PT). Está registrada no TRE sob o número MG-09308/2020. Em Araxá, o desempenho de Neumann também não está competitivo, segundo informações de aliados.

Falta estratégia

Além do possível desinteresse, faltou também estratégia adequada para a disputa eleitoral. O partido e seus candidatos não estão sabendo aproveitar o apoio de sua principal liderança, o governador Romeu Zema, especialmente no momento que ele alcança a melhor avaliação de sua gestão.

Zema faz coreografia tiktok

Com isso, o governador foi para as redes sociais, onde estreou na plataforma TikTok. Fazendo estranha coreografia para um chefe de estado, divulgou estilo e dados de sua gestão. Valorizou o fato de não morar em palácio (residência oficial do governador) e de pagar o próprio aluguel. E ainda, que cortou cargos comissionados com economia para o estado, além do déficit milionário que herdou.

Apesar da polêmica exposição, Zema faz seu comercial, mas seus candidatos a prefeito não exploram essas medidas que caíram no agrado dos seguidores dele. Ou seja, os candidatos não estão alinhados com os eventuais sucesso e realizações de Zema.

Erro na dose e na legislação

Rodrigo Paiva até que tentou, mas errou na dose e nos limites da legislação ao permitir que, em seu primeiro programa, Zema extrapolasse. Nessa peça, Zema falou todo o tempo diante de um candidato mudo. Como houve veto judicial, o candidato mudou, mas perdeu o tom do alinhamento.

Em duas palavras, faltou gestão do partido, que se apresenta como renovação, para preparar seus candidatos. Resumo da obra, o Novo sairá da campanha em situação delicada.

Especialistas, por outro lado, avaliam que eleições costumam ter caráter plebiscitário, ou seja, se o desempenho de governos não está bom, seus candidatos sofreriam os efeitos.

Novo expulsa candidato em São Paulo

Em São Paulo, a situação é ainda mais complicada. Lá, o partido expulsou o próprio candidato, empresário Filipe Sabará. Nessa quarta (21), a comissão de ética do Novo enviou e-mail aos filiados do partido informando que o expulsou da sigla por unanimidade.

Sabará poderá recorrer da decisão, mas o Novo já o considera fora de seus quadros. Em nota, o candidato afirmou que João Amoêdo, fundador do partido, comporta-se como se fosse “dono” dele e o perseguiria por ter elogiado o presidente Bolsonaro. Ainda assim, conseguiu manter a candidatura por decisão da justiça eleitoral.

O candidato estava suspenso pelo partido desde 23 de setembro, que também tentou suspender sua campanha durante as investigações. Ele é acusado de inconsistências em seu currículo e falta de transparência em seu patrimônio. No entanto, para filiar e ser candidato, o partido informa que faz, antes, processo seletivo, mas a medida, tudo indica, não funcionou.

Hora de fechar contas nas prefeituras

Prestar contas sobre gastos na educação e a reforma da previdência serão os grandes desafios de encerramento dos mandatos dos atuais prefeitos. A dificuldade foi agravada pela pandemia do novo coronavírus. Como cumprir, por exemplo, a determinação constitucional de investir 25% do orçamento na educação com as escolas fechadas?

Muitos dos gastos ficaram resumidos ao pagamento dos salários dos professores e outros servidores, mas as atividades permanecem paralisadas. Os Tribunais de Contas poderão até compreender a situação de anormalidade, mas não podem alterar uma determinação constitucional.

Na outra ponta, está o adiamento, por parte das prefeituras, da reforma da previdência local. O primeiro prazo venceu no dia 31 julho, mas foi prorrogado para 30 de setembro. Poucos cumpriram, e havia previsão de punição para municípios e estados retardatários, como o não repasse de recursos federais extraordinários.

AMM faz curso de fim de mandato

Por isso, a Associação Mineira dos Municípios (AMM) e a Confederação Nacional de Municípios estão se movimentando para prorrogar o prazo para 31 de dezembro deste ano. Sobre a prestação de contas, a AMM prepara, junto ao Sebrae e Tribunal de Contas, o curso de encerramento de mandato entre os dias 27 e 30 de outubro. A ideia é orientar os prefeitos sobre o que podem ou não fazer.

Crea-MG envia carta a candidatos

A menos de um mês das eleições municipais, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MG) apresentou carta de propostas aos candidatos a prefeito. “Esse documento é fruto de muitos anos de trabalho do Conselho. São propostas construídas com profissionais de todo Estado em encontros regionais, congressos e grupos de trabalho. Com ele, estamos oferecendo aos candidatos uma agenda robusta para alavancar o desenvolvimento de Minas”, apontou o presidente do Conselho, engenheiro civil Lucio Borges, convidando os candidatos a aderirem às propostas.

Orion Teixeira
Orion Teixeiraorionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem.

É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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