Bento Rodrigues: Cinco anos após tragédia, só 2 casas foram concluídas

obras do novo bento rodrigues e area atingida por lama
Fundação Renova pretende acelerar obras em 2021 (Amanda Dias/BHAZ)

Atualizado às 11h do dia 27/10/2020 para corrigir informação. O plano de conclusão de 95% da infraestrutura não foi frustrado pela pandemia. Na verdade, a Covid-19 prejudicou a conclusão de 85% da obra como um todo.

Prestes a completar cinco anos do rompimento da barragem de Fundão em Mariana, na região Central de Minas, no próximo dia 5 de novembro, as famílias dos vilarejos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, que foram atingidas pelo rio de lama, ainda não sabem quando terão seus lares de volta. Desde o início do projeto de recuperação ambiental e reconstrução dos vilarejos, a Fundação Renova concluiu apenas duas casas no novo distrito.

Além disso, outras 37 residências ainda estão em construção e 49 imóveis foram adquiridos para abrigar famílias em programas de moradia. A Fundação Renova, responsável pela reconstrução dos locais, alega que foi prejudicada pela pandemia, mas reconhece que o processo demorou além do necessário.

Demora em Bento Rodrigues

A fundação iniciou as construções no novo Bento Rodrigues em julho de 2019, já com atraso, uma vez que o prazo inicial do novo distrito era março daquele ano. Em balanço divulgado à imprensa nesta sexta-feira (23), o presidente da fundação, André de Freitas, disse que o planejamento previsto é alcançar 95% da infraestrutura do Novo Bento Rodrigues ainda 2020, o que inclui a construção de escolas, centro de saúde, asfaltamento e outras estruturas.

No entanto, segundo a fundação, o plano de concluir 85% do assentamento como um todo foi frustrado pela pandemia. Desta forma, a Renova pretende acelerar as obras em 2021.

“A gente esperava estar com 5 mil pessoas trabalhando nos dois reassentamentos principais, Bento e Paracatu. Com as restrições de saúde da Covid-19, interrompemos a obra por várias semanas. E fomos voltando aos poucos até chegar o montante de pouco mais de um terço da força de trabalho que a gente esperava ter. Então, é claro que tem um impacto no nosso cronograma das obras”, disse André.

Questionado se cinco anos não era muito tempo para reconstruir a cidade, o presidente consentiu e reconheceu a demora. “É muito tempo. Agora, é algo inédito, estamos construindo uma cidade inteira, com um processo altamente participativo. Só a escolha do terreno, com a participação da comunidade, demorou mais uma ano”, afirmou.

Balanço

Em novembro de 2015, a Barragem de Fundão, em Mariana, se rompeu, espalhando 40 milhões de metros cúbicos de lama que percorreram munícios de Minas Gerais e do Espírito Santo. Além do estrago ambiental, 19 pessoas morreram.

Desde então, segundo o balanço da Fundação Renova, R$ 10,1 bilhões foram gastos em compensações e reparações, até setembro, sendo R$ 4,7 bilhões em 2020. Por exemplo, somente em indenizações e auxílios financeiros, R$ 2,6 bilhões foram investidos, sendo R$ 1,2 bilhões em cidades mineiras e R$ 1,32 bilhões no Espírito Santo.

Juntamente com as reparações, a Renova afirma que tem investido também em infraestrutura, saúde e educação nos dois estados com a construção de escolas, tratamento de esgoto, estradas etc.

Água do Rio Doce

O presidente da fundação divulgou que, de acordo com levantamento feitos pela Renova, constatou-se que a água do Rio Doce, atingida pelo rejeito, já está em situação possível de consumo. “Os patamares da água voltaram ao que estavam antes do rompimento. Nesse sentido, a água pode e vem sendo consumida, desde que tratada por um sistema convencional como qualquer outro rio no Brasil”, disse.

Edição: Roberth Costa
Rafael D'Oliveira
Rafael D'Oliveirarafael.doliveira@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde janeiro de 2017. Formado em Jornalismo e com mais de cinco anos de experiência em coberturas políticas, econômicas e da editoria de Cidades. Pós-graduando em Poder Legislativo e Políticas Públicas na Escola Legislativa.

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