JVX sugere volta às aulas escalonada e promete abrir ‘caixa-preta’

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JVX foi o sétimo sabatinado na rodada de entrevistas do BHAZ (Moisés Teodoro/BHAZ)

O deputado estadual e candidato do Cidadania à PBH (Prefeitura de Belo Horizonte), João Vítor Xavier – o JVX -, promete retornar com as aulas presenciais de forma escalonada (alunos seriam divididos em dois grupos); abrir a famigerada caixa-preta da BHTrans; conceder microcrédito e isenções para os comerciantes; e construir (ou reconstruir) UPAs e realizar mutirão noturno para desafogar a saúde. Essas e outras informações foram reveladas em entrevista exclusiva ao BHAZ.

João Vítor Xavier é o sétimo candidato a passar pela sabatina que o BHAZ vai realizar com todos os 15 candidatos. Acompanhe a cobertura das eleições municipais em todas as nossas redes e clique no nome do candidato para conferir as entrevistas realizadas:

JVX ainda rechaçou a crítica de uso político da rádio Itatiaia; prometeu continuar treinando e armando a Guarda Civil Municipal; garantiu que lutará por revitalizar o Anel Rodoviário, construir o Rodoanel, o metrô e monotrilho; negou que sua postura crítica ao Plano Diretor tenha ligação a principal doação, recebida pelo diretor-presidente da MRV, Rafael Menin; e atacou o prefeito Alexandre Kalil (PSD) e a imprensa. “Faltaram questionamentos e houve generosidade excessiva”.

‘Caixa-preta’ da BHTrans

Questionado, JVX não só garantiu que vai abrir a “caixa-preta” da BHTrans, caso eleito, como criticou duramente a gestão de Kalil. “Claro que existe [ao ser questionado se existe uma caixa-preta]. Por que o prefeito não deixou abrir a CPI? Ele tem maioria na Câmara. Por que a base dele não assinou a CPI? Por que vereadores foram solicitados a não incluir assinatura? Por que isso?”, respondeu.

O deputado complementou, ainda, ao dizer que toda a diretoria da empresa de trânsito é de responsabilidade do prefeito. “Presidente da BHTrans é nomeado pelo prefeito, toda diretoria da BHTrans é nomeada pelo prefeito. Quem está lá, nos últimos quatro anos, foi colocado por ele. Não dá para continuar com esse teatro de fingir que a BHTrans é uma coisa descolada da prefeitura. Não abriu porque não quis”.

‘Empresas devem uma explicação’

Ainda sobre as empresas de ônibus em Belo Horionte, JVX sustenta que falta transparência. “As empresas de ônibus devem uma explicação para a cidade. Elas são deficitárias? Então mostra a planilha, abre pra gente… Que gastam x milhões de combustível, x milhões de manutenção, x milhões de troca de frota e arrecadam y, e a conta não fecha, a população vai compreender qualquer decisão que for tomada”, afirmou.

“O que as pessoas não aguentam mais em BH é ouvir o discurso que o sistema é quebrado, que tem de pagar a segunda passagem mais cara das capitais do Brasil e não veem esse conta. Estamos vivendo um momento de transparência na sociedade. Vamos dar transparência para o cidadão, tratar as coisas à claras, de maneira aberta”.

Ataques à imprensa

O deputado estadual não poupou críticas à imprensa belo-horizontina, da qual, inclusive, faz parte. Ao ser questionado por um leitor do BHAZ, o candidato criticou a seleção do questionamento pelo portal e emendou uma série de críticas à cobertura dos veículos da capital mineira – e citou um ministro do nazista Adolf Hitler, Joseph Goebbels, para sustentar as queixas.

pergunta de leitor para JVX
Pergunta do leitor que desencadeou críticas à imprensa (Reprodução/Facebook)

“As perguntas são selecionadas com generosidade e boa vontade no viés que interessa ao prefeito. Aquela frase antiga de Goebbels, mentira repetida mil vezes se torna uma verdade, acho que há uma colaboração com esse discurso ou de repetir o discurso que interessa à prefeitura”, afirmou, antes de dizer que jamais minimizou a pandemia. “É uma estupidez se ignorar um vírus com essa gravidade no mundo”.

“Alguém consegue explicar por que shopping Oiapoque deveria ficar aberto e a Galeria Ouvidor não? Alguém acha que o shopping Oiapoque tinha mais condição de higiene do que o BH Shopping, Pátio Savassi, Minas Shopping, shopping Del Rey? Alguém consegue explicar porque o ônibus podia ficar lotado e a Loja do Seu Zé, na esquina, onde entrava uma pessoa por hora, tinha que ficar fechada? Acho que faltaram esses questionamentos, houve uma generosidade excessiva [da mídia”, continuou.

Em outro ponto da entrevista, mais uma vez interpelado por outro leitor, JVX chegou a falar até mesmo em “blindagem” da mídia. “Estou fazendo o papel que não foi feito por boa parte da imprensa de Belo Horizonte durante quatro anos, que é cobrar por aquilo que não deu certo na gestão dele. A blindagem foi tão grande, a proteção foi tão grande que, quando alguém discorda, incomoda as pessoas”, argumentou.

Aulas escalonadas

O candidato do Cidadania garantiu que as voltas presenciais voltarão em 2021, caso seja eleito. “Voltaremos com a educação [aulas presenciais] em Belo Horizonte, seguindo protocolos de higiene, com aquilo que deu certo pelo mundo… Talvez divida: umas crianças vão segunda, quarta e sexta e outras vão terça, quinta e sábado. Se tiver algum problema em uma escola, você faz uma ação emergencial. Talvez chegando no inverno, repense o modelo… Mas de algum jeito tem que voltar”, afirmou.

JVX também sugeriu que pode desapropriar ou comprar escolas particulares falidas. “Temos muitas escolas particulares que estão fechando, não aguentaram ficar abertas. Talvez um caminho seja a prefeitura desapropriar algumas dessas escolas, comprar algumas dessas escolas e transformar em escolas públicas. Talvez a solução seja parceria com escolas confessionais, como é previsto na Constituição”, planejou.

Crime contra educação

JVX ainda criticou a gestão de Kalil, ao dizer que foi feito um crime neste ano. “É um crime contra a educação deixar por um semestre crianças sem nenhum acesso à educação. Até porque a educação não é apenas o aprendizado, a educação formal. A educação, em uma sociedade como a nossa, em um país pobre como o Brasil, em uma cidade como Belo Horizonte, que tem tanta desigualdade, a educação também é uma proteção social”, argumentou.

Por fim, na área de educação, garantiu que não vai tratar os professores com cassetete, ao criticar a atuação da Polícia Militar e da PBH em um protesto de 2018. “Primeira coisa que posso garantir é que os professores não serão recebidos à cassetetes na prefeitura como aconteceu nessa gestão, uma das cenas mais lamentáveis e mais minimizadas da história recente de Belo Horizonte. Vamos receber os professores para atender ou não atender a demanda, mas de maneira respeitosa”.

Plano Diretor e doação

JVX é um crítico ferrenho ao Plano Diretor vigente em BH, aprovado no ano passado. Durante as discussões, que duraram quase quatro anos, o segmento que mais se opôs ao então projeto foi o das construtoras. O diretor-presidente da MRV, Rafael Menin, é o principal doador do candidato do Cidadania, com R$ 500 mil.

Questionado se o apoio de Menin pode ter contribuído para a postura crítica ao Plano Diretor, JVX disse que a ligação é “debochar da inteligência das pessoas”. “A MRV é a maior construtora do Brasil. Os cara tão dando estádio pro Atlético, precisa disso? Eles precisam de alguém pra ser uma empresa do tamanho que eles são? É debochar da inteligência das pessoas achar que um grupo do tamanho da MRV vai mudar a cotação do dólar ou a realidade do tamanho da abrangência da empresa”, respondeu.

O candidato reforçou as críticas ao plano que direciona o crescimento da cidade. “Eu entendo que o Plano Diretor precisa ser revisto, eu tenho colocado isso claramente, eu acho que ele é um erro pra cidade de Belo Horizonte, eu acho que ele atravanca o progresso de BH, temos áreas extremamente degradadas. A gente precisa de um novo Plano Diretor que permita a retomada dessas áreas”. 

Mais UPA e mutirão noturno

JVX se comprometeu a praticamente inaugurar duas UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) em BH. “Temos a UPA Nordeste, que desde 2013 está lá o lote limpo, há alguns anos tem dinheiro em caixa para fazer e a PBH não dá conta. E a UPA Noroeste, do lado de lá da Noroeste, divisa de Contagem, precisa ser feita também”, afirmou.

E ainda afirmou criar um mutirão da saúde noturno para acabar com as filas de espera. “Quero fazer o Virada da Saúde, um programa nos moldes do Corujão da Saúde, que foi feito em São Paulo, contratando consultas e cirurgias nos hospitais privados para horários noturnos para atender pessoas que estão na fila – e acabar com essa fila”.

Microcrédito

Para o candidato, falta um diálogo respeitoso com os cidadãos por parte da prefeitura, e que existe uma espécie de subordinação excessiva. “Que Síndrome de Estocolmo é essa que estamos vivendo? Que o caminho é o cidadão sempre abaixar a cabeça e aguentar. O belo-horizontino merece mais do que isso. O comerciante da nossa cidade, que é quem enche o caixa da prefeitura de dinheiro, ele merece mais do que isso”.

JVX afirmou que uma das medidas de curto prazo que pretende tomar é “estabelecer uma linha de microcrédito para os comerciantes, para poderem retomar (as atividades)”. E a segunda é de buscar isenção do IPTU pelo período que eles tiveram fechados. Eles não puderam produzir, então se eles não puderam produzir não é justo que a prefeitura cobre deles por opção que foi unilateral”.  

Acir Antão e Robinho

O radialista Acir Antão, que integrava a campanha de JVX, sugeriu o atacante Robinho no Cruzeiro e afirmou na última segunda (19) que tinha “plena certeza que as mulheres vão bater palmas para o Robinho, pra ele jogar no Cruzeiro e marcar gol”. O atleta foi condenado por estupro na Itália e precisou suspender o contrato com o Santos após forte protesto.

“O Acir foi um voluntário na minha campanha até o dia em que esta fala foi colocada. A fala não condiz com o que acredito e defendo. A partir do momento que eu tive conhecimento desta fala entendi que, mesmo com a colaboração voluntária, não era mais possível, pois não vem a somar com o que a gente acredita.”, complementou o postulante ressaltando que ele não é “responsável pela fala de ninguém”. 

Mais arma para Guarda

Quando o assunto é segurança pública, JVX se mostrou à favor de armar os guardas municipais na capital. Para o concorrente, é importante manter a proteção da cidade, e afirma que, caso seja eleito, vai capacitar esses profissionais. “Acho que a guarda armada, bem treinada, bem orientada, é importante pra Belo Horizonte sim. Eu quero fortalecer a Guarda Municipal, que agora é Guarda Civil. Eu quero essa Guarda, em primeiro lugar, bem treinada, queremos fazer o Centro de Formação da Guarda. E sim, a Guarda precisa de arma pra trabalhar, claro que bem treinada e cumprindo o que manda a lei”, comentou. 

Itatiaia e política

JVX foi lançado à vida pública pela rádio Itatiaia, a principal de Minas Gerais: é apresentador do programa Bastidores, exibido diariamente desde 2004. A rádio mineira é conhecida por lançar e possuir grande número de radialistas e jornalistas na política, com tem nomes com Carlos Viana, Mário Henrique Caixa, Laudivio Carvalho, entre outros. 

Ao ser questionado sobre a forte crítica de uso político de rádios TVs, que são concessionárias públicas, e distorce completamente a criação da primeira mídia no Brasil, JVX chegou a citar o criador do BHAZ, Pedro Guadalupe, morto em acidente na BR-381, em 2018. “Crítica tem para tudo: lembro do querido Pedro Guadalupe criticado porque fazia campanha eleitoral e era sócio de um site como o BHAZ. Eu não vejo problema nenhum nisso, mas tinha gente que criticava. Tem gente que critica tudo”, afirmou.

“Tem médico que trabalha em posto de saúde, serviço público, e é político; tem gente que é funcionário público, professor, e é político. A democracia é a representação de todos, se tirou alguém por qualquer motivo, deixou de ser um processo amplo e democrático. As pessoas têm que ser livres”, complementou, ignorando a visibilidade proporcionada por canais de comunicação.

Monotrilho, Rodoanel e metrô

JVX brigar para trazer vários modais a BH, como o sonhado metrô, o Rodoanel e monotrilho – além de tentar assumir a gestão do problemático Anel Rodoviário. “O que não dá é para continuar convivendo com gente morrendo todos os meses no Anel Rodoviário. Quem passa no Anel tem medo. Nós, belo-horizontinos, temos medo de passar pelo Anel Rodoviário”, afirmou.

“Vou somar esforços com o governador do Estado para que saia o Rodoanel porque já tem o dinheiro de indenização da Vale, o que desafogaria muito o Anel”, complementou, antes de finalizar sobre o tema de mobilidade: “Quero também colocar projetos na praça pra fazer “roadshows” pelo mundo tentando fazer PPP (Parceria Público-Privada) de monotrilho em BH, que eu considero um modal interessante para cidade”.

‘Tratorado pelo caciquismo’

O deputado deixou, em abril do ano passado, o PSDB, partido pelo qual foi eleito deputado estadual, com 75.256 votos, no 1° turno das eleições de 2018. Ao falar sobre sua saída, João Vítor comenta que não se sentiu respeitado na sigla, e que já tinha recebido apoio de outros parlamentares para sua possível candidatura à PBH na eleição passada.

“Eu acho que fui tratado com desrespeito naquele momento, minha candidatura era uma candidatura natural. Eu fui tratorado pelo caciquismo do partido. Mas acho que o PSDB se perdeu, ideologicamente se perdeu, se perdeu nas pautas morais, nas pautas de combate à corrupção, e eu não tinha identidade com o PSDB”.  

Edição: Thiago Ricci
Jordânia Andrade
Jordânia Andradejordania.andrade@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde outubro de 2020. Jornalista formada no UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) com passagens pelos veículos Sou BH, Alvorada FM e rádio Itatiaia. Atua em projetos com foco em política, diversidade e jornalismo comunitário.

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