Motoboy desabafa após ‘amigos’ furarem ajuda em obra e recebe carinho

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William contava com a ajuda de amigos para parte da obra da casa (Arquivo pessoal/William Ramos Navarro)

O motoboy William Ramos Navarro, de 30 anos, viralizou nas redes sociais após oito amigos furarem o combinado de ajudá-lo em parte da construção de sua casa no Rio de Janeiro. Em imagens postadas por ele, William aparece triste e faz um desabafo dizendo que esperou mais de três horas e ninguém apareceu neste domingo (25). Ao BHAZ, o motoboy conta que um idoso e outras duas pessoas foram ajudar após a rápida repercussão da postagem, que já tem mais de 60 mil compartilhamentos em seis horas.

“Convidei alguns amigos pra me ajudar a encher seis sapatas aqui na minha futura casa. Alguns confirmaram presença, outros tinham compromissos hoje. Passei na padaria, comprei um café da manhã maneiro. Tô esperando desde às 7h eles aqui. Que tristeza mano. Que sirva de exemplo para os que estão começando agora. Podem ficar tranquilos que quando minha casa estiver pronta irei fazer um churrasco especialmente para vocês. Bom dia!”, diz a postagem feita pelo Facebook.

William aguardou os amigos por mais de três horas (Arquivo pessoal/William Ramos Navarro)

Combinado na sexta

Ao BHAZ, William disse que havia feito o combinado com os amigos na sexta-feira (23). “Pedi ajuda para oito amigos, porque assim seria mais rápido. Encher as sapatas é um serviço pesado, essa parte do alicerce é mais difícil e mais cara. Todos confirmaram que me ajudariam. Até dormi mais cedo ontem, para acordar com calma. Fiz um café, passei na padaria para comprar pão e outras coisas e fui pra obra”, explica.

O combinado era que todos estivessem por lá às 7h. Contudo, quando deu 10h ninguém havia chegado. “Fiquei bem triste, bastante chateado mesmo. Fiz a postagem e fui começar sozinho. Um senhor de uns 70 anos passou e disse que me ajudaria. Depois, dois motoboys chegaram, disseram que viram a postagem e também me ajudaram”.

William e os outros três ajudantes terminaram de encher as sapatas por volta das 14h, e ele ficou impressionado com a repercussão do post. “Eu estava com meu celular ligado no bluetooth da caixinha de som. Toda hora alguém me ligava e parava a música. Já estava até ficando irritado, porque gosto de trabalhar com uma musiquinha. Só depois que fui ver essa loucura toda, estou sem acreditar. Meu celular não para de chegar mensagem e já ganhei mais de 5 mil seguidores no Facebook”.

motoboy leva furo de amigos
Postagem com o desabafo viralizou (Reprodução/@williambifenavarro29/Facebook)

Constrói após o trabalho

O terreno da casa, localizada em Belford Roxo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, foi comprado em 2017 e custou R$ 10 mil. “Custei a juntar o dinheiro. Dei uma entrada e o resto foi parcelado. Eu mesmo estou construindo com a ajuda do avô da minha namorada, que é pedreiro. Ele vai me falando o que fazer pelo WhatsApp. Trabalho de motoboy até às 16h, e depois fico até umas 22h mexendo na casa”, explica.

O trabalhador conta que o maior problema são as estruturas de ferro, com as quais William já gastou mais de R$ 4 mil e não podem ficar expostas por muito tempo ao sol e chuva. “Preciso acelerar a construção da minha casa para que os ferros não estraguem. Por isso precisava finalizar logo o alicerce, para que a obra andasse mais rápido”, continua.

Amigos pediram desculpas

Ele conta que os amigos já vieram pedir desculpas. “Já estão desculpados, não guardo mágoas. Logo depois da repercussão vieram me procurar. Eu ainda nem consegui olhar direito, porque são muitas mensagens. Já ajudei muita gente, e agora era a hora de me ajudarem. Chamei meu irmão de sangue para vir, pintei a casa dele toda, ele disse que só viria se eu buscasse”.

O objetivo de William é que, até o fim do ano que vem, a casa esteja pelo menos a ponto de laje, “para pelo menos subir as paredes”, completa.

Edição: Thiago Ricci
Vitor Fernandes
Vitor Fernandesvitor.fernandes@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde fevereiro de 2017. Jornalista graduado pela PUC Minas, com experiência em redações de veículos de comunicação. Trabalhou na gestão de redes do interior da Rede Minas e na parte esportiva do Portal UOL. Com reportagens vencedoras nos prêmios CDL (2018 e 2019) e Sindibel (2019).

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