Homem é condenado a pagar 15 salários mínimos por maltratar e mutilar cães

Cadela Menina
Menina foi uma das cadelinhas resgatadas após denúncia (Reprodução/ONG Solidariedade Natural/Facebook)

A Justiça condenou um homem acusado de maus-tratos contra cinco cães – quatro adultos e um filhote. Os animais foram resgatados após denúncia anônima. A denúncia foi apresentada em Barão de Cocais, na Grande BH, em 2016 e todos os cãezinhos receberam um novo lar após a operação.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, a Polícia Militar recebeu um chamado anônimo e foi até a casa apontada. O local era insalubre e os animais apresentavam diversos ferimentos: um deles teve a pata amputada e o outro feridas na genitália.

No dia do resgate, a organização não governamental Solidariedade Natural, de Barão de Cocais, divulgou imagens de animais em sua página do Facebook. O depoimento da policial militar que atendeu o chamado também foi registrado.

O que a defesa alegou

A defesa do acusado, Antônio de Paula Efirmiando, alegou que não há provas suficientes para incriminá-lo. Por fim, pediu que os animais fossem devolvidos ao homem.

O juiz Luís Henrique Guimarães de Oliveira, da Comarca de Barão de Cocais, destacou que além do depoimentos de testemunhas e de fotografias feitas no dia do resgate, foi produzido um laudo que comprovou as agressões cometidas contra os animais. Diante disso, o magistrado afirmou que as provas são suficientes para julgar o acusado.

O juiz também julgou improcedente o pedido de restituição dos animais, atualmente sob os cuidados da Solidariedade Natural. Ao final, o homem foi condenado a pagar 15 salários mínimos. Ele também terá algumas limitações nos fins de semana, a serem definidas definidas pelo juiz da Vara de Execuções Penais.

Resgate

Segundo um dos responsáveis pela ONG Solidariedade Natural, Paulo Henrique Ferreira, alguns dos cães eram animais das raças Border Collie e Rotweiller. Entre os resgatados, quatro foram adotados. Ele não participou diretamente do resgate, mas conta que recebeu imagens chocantes do local, na época da denúncia.

A cadelinha que não encontrou um adotante ficou com a ONG e foi chamada de Menina. “Ela precisava de um tratamento especial, tinha dificuldade de lidar com pessoas, então ficou com a gente até o fim da vida”, relatou.

Em abril do ano passado, Menina faleceu enquanto ainda estava sob os cuidados da ONG. Por meio do Facebook, Paulo compartilhou um texto em homenagem ao animal. “Há três anos você chegou a nós com uma história tão sofrida e tantas marcas de como o ser humano pode ser cruel. Te acolhemos com todo amor e afeto e facilmente você ganhou nossos corações”, escreveu.

“Adoções de cães adultos são realmente complicadas, ainda mais quando esses são deficientes, como você. Se bem que já não nos importávamos mais, afinal, a paz que a sua presença nos trazia era inigualável! Você se tornou nossa mascote, alegrando todos os voluntários que recebiam o seu carinho e tiveram a oportunidade de retribuí-lo”, acrescentou.

MENINA!! NOSSA MASCOTE NÃO RESISTIU.😪 Há três anos você chegou a nós com uma história tão sofrida e tantas marcas de…

Publicado por Paulo Henrique Ferreira em Quarta-feira, 24 de abril de 2019

Com TJMG

Edição: Roberth Costa
Guilherme Gurgel
Guilherme Gurgelguilherme.gurgel@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco nas editorias de Cidades e Variedades no BHAZ.

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