O que é o voto útil

Urna eleitoral
Período eleitoral levanta debate sobre o voto útil (Fábio Pozzebom/Agência Brasil)

Chegou mais um período eleitoral e você já deve ter ouvido falar sobre o voto útil. A princípio, esse fenômeno acontece em pleitos para prefeituras, governos, Senado ou presidência, como em 2018. Ou seja, em cargos onde existem muitos candidatos, poucas cadeiras e a disputa é acirrada.

Geralmente, o eleitor adota a estratégia do voto útil para não ter a sensação de que saiu derrotado de uma eleição. Ou seja, ele quer que o seu voto seja decisivo. Pode parecer simples, mas existe uma explicação para esse fenômeno.

Por trás desse comportamento, pode haver o descontentamento com os candidatos, o entendimento do eleitor sobre o voto e a influência das pesquisas eleitorais.

Como funciona o voto útil?

O voto útil é uma ação estratégica adotada pelos eleitores quando os seus candidatos favoritos não estão bem nas disputas. Por exemplo, o candidato que você pretende votar está em quinto lugar nas pesquisas. O político que está em primeiro é aquele que você detesta. Então, para não elegê-lo, você muda de opção para não “perder o voto” com quem não está bem colocado.

Mas, afinal, quando ocorre o voto útil? Geralmente, essa decisão acontece durante os momentos decisivos campanha, ou seja, próximos das votações. Que é quando se tem a definição se o candidato de sua escolha emplacou ou não nas pesquisas eleitorais.

Para o consultor político Creomar de Souza, essa estratégia faz parte do processo eleitoral construído no Brasil por meio da ideia de perder ou ganhar uma eleição. E isso pode influenciar na tomada de decisão.

“Essa estratégia vem da visão de competitividade do processo eleitoral. O eleitor não quer se sentir derrotado. Ele não quer chegar no fim do dia das votações e ter contabilizado seu voto no candidato que perdeu. Isso vem do inconformismo com a derrota”, explica.

Pensamento coletivo

O cientista político Malco Camargo tem uma visão diferente. De acordo como estudioso, a mudança no voto mostra um maior entendimento do processo eleitoral por parte do eleitor. “É uma postura que mostra o entendimento do cenário e o pensamento no coletivo. O voto útil é uma sofisticação do eleitor, ele faz um cálculo racional e opta por uma escolha diferente. E faz isso pensando no resultado menos pior, ou no melhor. ”

Estratégia pode ser prejudicial

Segundo José Luiz Quadros, professor de direito constitucional e teoria do Estado da UFMG, essa ideia de votar no cenário menos pior prejudica o poder representativo da democracia.

“Em um primeiro momento, é natural que nomes mais conhecidos apareçam na frente da disputa. E, em momentos decisivos, isso acaba reforçando o argumento do voto útil, impedindo que novos nomes apareçam para funções no executivo. Atrapalha demais”, afirma.

Creomar de Souza concorda com o professor, mas afirma que não vê isso como algo passível de ser analisado como positivo ou negativo. “De fato, gera uma dificuldade no processo de renovação, pois tira a oportunidade de candidatos que tinham boas propostas, mas não conseguem performar bem. Não acho que é bom ou ruim, é apenas uma característica da democracia no Brasil”, diz.

Como evitar o problema

De acordo com Quadros, para mudar a influência do voto útil nas eleições, é preciso que o eleitor mude a sua postura. “No primeiro turno é bastante possível votar com convicção no seu candidato de preferência. Por fim, se ele não for para o segundo turno, aí você vota naquele mais próximo das suas ideias”, afirma.

“O eleitor precisa entende que ele não perde o seu voto, é preciso apostar naquele em que você acredita, pois quando você faz isso, o processo democrático se torna mais representativo e abre chances para outras pessoas”, finaliza o professor.

Edição: Thiago Ricci
Rafael D'Oliveira
Rafael D'Oliveirarafael.doliveira@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde janeiro de 2017. Formado em Jornalismo e com mais de cinco anos de experiência em coberturas políticas, econômicas e da editoria de Cidades. Pós-graduando em Poder Legislativo e Políticas Públicas na Escola Legislativa.

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