[Farsa ou Fato] Checamos se o Wadson disse verdade, exagerou ou mentiu

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Wadson Ribeiro é o 4º candidato checado pelo BHAZ (Arte/BHAZ)

Números, dados, milhões, milhares, melhor ou pior da história… Disputa eleitoral é sempre a mesma história: candidatas e candidatos disparam um monte de informação na hora de tentar conquistar o voto e o eleitor fica até confuso. É tudo verdade? Exagerou um pouco – ou muito? Viajou na quantidade apresentada? Pois o BHAZ resolveu tirar isso a limpo!

O portal, o primeiro em Belo Horizonte a criar uma editoria para checagem de fatos – o Farsa ou Fato -, fez um pente-fino nas 15 entrevistas realizadas com todos os postulantes à PBH (Prefeitura de Belo Horizonte). Como as sabatinas duraram mais de 45 minutos e abordaram assuntos diversos, limitamos a conferência para cinco áreas: ECONOMIA, EDUCAÇÃO, SAÚDE, SEGURANÇA e TRANSPORTE.

Todos os posicionamentos de órgãos oficiais procurados para realizar a checagem serão reproduzidos na íntegra ao fim deste texto.

Ah, e não conferimos a viabilidade das propostas apresentadas: apenas dados e informações objetivos já, digamos, consolidados. A ordem de publicação será a mesma das entrevistas, definida em sorteio:

economia farsa ou fato

Na área da ECONOMIA, o ex-deputado federal e candidato à prefeitura pelo PCdoB, Wadson Ribeiro, não proferiu fala alguma passível de checagens.

educação farsa ou fato

Na área da EDUCAÇÃO, o ex-deputado federal e candidato à prefeitura pelo PCdoB, Wadson Ribeiro, proferiu duas falas passíveis de checagens.

Analfabetos na cidade

“Belo Horizonte tem algo inadmissível que nós vamos encarar. Nós temos 55 mil adultos que estão na condição de não alfabetizados, ou seja, são analfabetos. É inadmissível uma cidade como Belo Horizonte conviver com 50 mil pessoas que não sabem ler nem escrever. Isso é um problema civilizatório que precisamos resolver”.

Wadson Ribeiro apresentou o número de 55 mil pessoas analfabetas na capital mineira (mesmo que na mesma frase tenha citado 50 mil) para criticar a gestão atual da prefeitura, encabeçada por Kalil. O número, no entanto, é maio do que o apresentado pelo concorrente do PCdoB.

Procurada pelo BHAZ, a Secretaria Municipal de Educação afirmou que 4,4% da população da capital mineira é analfabeta, quando considerados aqueles com idade acima de 15 anos. “O número apresentado no último censo é de 74.409 pessoas que não sabem ler e escrever, colocando BH na lista nacional de erradicação do analfabetismo”, informa a pasta, por nota.

No entanto, na afirmação, Wadson se refere a adultos – portanto, sem as pessoas entre 15 e 18 anos incompletos consideradas pela administração municipal.

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Como a PBH não informou o número de adultos analfabetos na capital mineira, não foi possível checar a afirmação de Wadson Ribeiro.

Fila nas escolas

“As nossas crianças estão com menos qualidade de ensino. O que ele tem que responder é porque há uma fila, antes da pandemia, de 3,6 mil crianças de 0 a 3 anos fora da educação infantil e isso não foi encarado e este número aumentou. Por quê? Porque as escolas infantis muitas fecharam com a pandemia e muitos pais perderam renda e tiraram seus filhos da escola. Então, esta demanda vai duplicar”.

Outro ponto criticado pelo postulante durante a entrevista foi com relação à fila de espera de crianças de 0 a 3 anos na rede pública de ensino de Belo Horizonte. A afirmação foi feita enquanto o postulante cobrava o prefeito Kalil por não ter disponibilizado aula remota aos alunos.

No entanto, procurada, a administração municipal afirmou que “existem 181 crianças de 2 anos em toda a cidade esperando vaga e há 1.671 crianças de 0 a 1 ano e 11 meses”. Portanto, de acordo com dados oficiais da PBH, existem atualmente 1.852 crianças de até 3 anos incompletos fora da escola – ou seja, número quase 50% menor do que o apresentado por Wadson.

Parte da informação foi confirmada pela defensora Daniele Bellettato, que faz parte da comissão montada pelo MPMG (Ministério Público de Minas Gerais), Defensoria Pública e Conselho Tutelar para acompanhar a fila. De acordo com a profissional, quando a atual gestão assumiu, na verdade, a fila era ainda maior.

“Eram mais de 30 mil crianças, mas com o cadastro unificado, caiu para 19 mil, pois existiam muitos cadastros duplicados e outros problemas. Com isso, nós começamos a acompanhar diariamente o trabalho da prefeitura e, hoje, realmente, não existe fila para crianças de 3 a 5 anos”, afirma a defensora.

No entanto, segundo Daniele Bellettato, existe uma fila de espera que se aproxima de 2,2 mil crianças de 0 a 3 anos aguardando vagas, número maior que o informado pela PBH, mas abaixo do que informou o candidato em entrevista.

Importante apenas fazer uma observação: a oferta do serviço educacional para essa faixa etária não é obrigatória, já que, por exemplo, alguns pais optam por não levar os bebês, em fase de amamentação, às escolas.

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O candidato exagerou: apresentou um número superior ao oficial da PBH e também da comissão criada com representantes do MPMG, Defensoria Púlica e Conselho Tutelar.

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Na área da SAÚDE, o ex-deputado federal e candidato à prefeitura pelo PCdoB, Wadson Ribeiro, não proferiu fala alguma passível de checagens.

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Na área da SEGURANÇA, o ex-deputado federal e candidato à prefeitura pelo PCdoB, Wadson Ribeiro, não proferiu fala alguma passível de checagens.

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Na área do TRANSPORTE, o ex-deputado federal e candidato à prefeitura pelo PCdoB, Wadson Ribeiro, não proferiu fala alguma passível de checagens.

Notas na íntegra

Confira as respostas dos órgãos oficiais na íntegra:

Respostas da secretaria de Educação

Analfabetismo

“De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, apenas 4,4 % da população de Belo Horizonte, com idade acima de 15 anos representa a porcentagem de analfabetos. O número apresentado no último censo é de 74.409 pessoas que não sabem ler e escrever, colocando BH na lista nacional de erradicação do analfabetismo”.

Fila de espera

“Sobre a cobertura do atendimento de 0 a 3 anos na cidade de Belo Horizonte, conforme auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, dados do censo, IBGE e IPead, a cobertura hoje está em 74,03%. Hoje não há crianças de 3 a 5 aguardando vagas. Todas foram atendidas.

Existem 181 crianças de 2 anos em toda a cidade esperando vaga e há 1.671 crianças de 0 a 1 ano e 11 meses. Portanto, ultrapassamos a meta de 50% que estava prevista para 2024 no plano municipal de educação. Como o atendimento nesta etapa não é obrigatório e nem todos os pais optam por levar bebês em fase de amamentação para a escola, considera-se praticamente universalizado o atendimento, com 1.671 matrículas que estão em curso, dependendo da finalização de obras e credenciamentos já em andamento”.

Edição: Thiago Ricci
Vitor Fórneas
Vitor Fórneasvitor.forneas@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política. Teve reportagens agraciadas pelo prêmio CDL.

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