Número de vereadoras quase triplica em BH: ‘Grande renovação’

Vereadoras de BH
Representatividade feminina passou de menos de 10% para quase 27% em quatro anos (Arquivo pessoal)

Representatividade feminina. Duas palavras que a partir de agora ficam mais evidente no poder legislativo de Belo Horizonte. Em 2021, a Câmara Municipal de Belo Horizonte terá 11 cadeiras ocupadas por vereadoras, quase o triplo dos últimos quatro anos. E, de quebra, conquistou nas eleições o posto da maior votação da história do Legislativo de BH, com 37,6 mil votos de Duda Salabert.

As mulheres passaram de menos de 10% nas eleições de 2016 para quase 27% dos representantes do poder legislativo da capital mineira em 2020. Esse novo cenário, que ainda tem muito caminho pela frente para ficar equilibrado, mostra que elas ganham cada vez mais força e espaço na política.

O cientista político Felipe Nunes destaca que esse novo perfil no poder legislativo é muito importante. “BH, embora tenha sido governada pela esquerda por muito tempo, nunca teve uma mulher. Essa mudança é um bom sinal. Mostra que há uma perspectiva positiva pra melhorar a representatividade feminina, tanto na câmara quanto no Executivo”, aponta o professor de Ciência Política da UFMG.

Novo perfil

A primeira mulher trans e a vereadora mais votada da história de Belo Horizonte – independentemente de gênero ou identidade de gênero. Duda Salabert bateu recordes, rompeu discriminação e mostrou a que veio na primeira entrevista eleita, concedida ao BHAZ. “A vitória de uma travesti é a vitória dos Direitos Humanos. BH deu resposta para a América Latina, para o governo federal dizendo que os Direitos Humanos são inegociáveis”.

“[Minha eleição é uma] Resposta para vereadores que usaram dinheiro público para discutir projeto da Escola Sem Partido e que não traria melhora [para a educação da cidade]. Pagaram nas urnas, vão ser aniquilados como o fascismo. Bem feito, bem feito, bem feito. Vereadores que têm a veia fascistóide”, complementou Duda.

Pelo PSOL, a vereadora Bella Gonçalves garantiu uma cadeira na Câmara Municipal de BH e usou suas redes sociais para agradecer aos eleitores. “Tenho plena consciência de que essa vitória não é minha, ela é de todas e todos que batalharam ombro a ombro. Muito obrigada! Chegamos até aqui com um compromisso: lutar pelos direitos do povo, por teto, terra, trabalho e dignidade para todas. É isso que farei. É isso que faremos!”, expressou a vereadora.

Outra mulher que vai estrear como vereadora de BH é a especialista em políticas públicas, Marcela Trópia, do partido Novo. Com 26 anos, ela foi a sexta vereadora mais votada na capital com 10.741 votos. “Fico muito feliz com essa grande renovação que a gente teve na câmara e que tenha sido de mulheres. É uma coisa muito simbólica pra eleitores porque a gente sabe que a política ainda tem uma participação feminina muito baixa”, expressou Trópia em conversa com o BHAZ.

Em seu primeiro mandato, Marcela revela que o desafio será grande, por ser uma mulher jovem e estreante na câmara. “Vai ser um debate realmente interessante, com pontos de vistas diferentes. Vejo muito espaço para cooperação. Agora é diálogo, momento de construção de pontes”, contou.

Vereadoras eleitas em BH

  • Duda Salabert (PDT) – 37.613 votos
  • Marli Aparecida de Aro (Progressista) – 14.496 votos
  • Marcela Trópia (Novo) – 10.741
  • Izabella Lourença Amorim Romualdo (PSOL) – 7.771 votos
  • Bella Gonçalves (PSOL) – 6.954 votos
  • Nely Aquino (Podemos) – 6.788 votos
  • Fernanda Elisa Pereira Altoé (Novo) – 6.049 votos
  • Macaé Evaristo (PT) – 5.985
  • Flávia Borja (Avante) – 5.887 votos
  • Sônia Lansky (PT) – 4.793 votos
  • Marilda Portela (Cidadania) – 4.425 votos

Edição: Aline Diniz
Camila Saraiva
Camila Saraivacamila.saraiva@bhaz.com.br

Jornalista formada pela PUC-Minas em 2015. Pós-graduada em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo Centro Universitário UniBH em 2019.

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