O seguro de carro de uma mulher pode ser até 39% mais barato do que o seguro de um homem

carro motorista
Reprodução/Envato Elements

Se este ano deixou aprendizados, um deles com certeza é a necessidade de ficar protegido perante possíveis contingências ou acidentes imprevistos. Para isso as pessoas podem escolher diversos mecanismos para ficar resguardados. 

Uma opção é contar com um capital de poupança, não só para investir no futuro mas também para suportar custos não planejados, como doenças, danos no hogar ou trâmites judiciais. Lamentavelmente o povo brasileiro não tem este costume generalizado. Um levantamento realizado pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e o SPC Brasil (Serviço de Protecao ao Credito) no começo do ano, mostrou que mais da metade dos brasileiros (%52,1%) nao tem o hábito de poupar. Outras alternativas tem ainda menor quantidade de seguidores como fundos de investimento (6,5%), tesouro direto (4,7%), ações da bolsa de valores (4,7%) e CDB (4,7%).

A outra alternativa para lograr segurança no futuro é a contrataçao de seguros para proteger diferentes aspectos da vida. Mesmo que atualmente existem coberturas de todo tipo (de vida, de responsabilidade, de moradia, de viagem, etc.) talvez o mais conhecido seja o seguro de carro. Isto porque os veículos ficam constantemente expostos a riscos tanto estando em funcionamento nas ruas e estradas quanto parados (roubos, furtos, danos por fenómenos climáticos, etc.). Ainda assim 70% dos veículos circulam sem algum tipo de cobertura pelas ruas do Brasil, de acordo ao publicado pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNseg). Isto significa que 31 milhões de carros do território estão desprotegidos e que, se eles sofrerem algum tipo de acidente as possíveis vítimas (mesmo o próprio dono do carro) ficaria sem ressarcimento, ou o procedimento seria mais difícil.  

Seguros contratados por mulheres

São muitos os fatores que influenciam na determinação da apólice e da franquia de seguro de um veículo. Dentre eles, ainda que pareça indiferente, o gênero do titular da apólice faz uma forte diferença no valor. Isto se viu refletido num levantamento feito pela Fenabrave no qual se apresentou o valor médio do seguro dos 10 carros de passeio mais emplacados no Brasil em setembro. 

A pesquisa considerou o perfil de um condutor homem e uma condutora mulher, casados e ambos com 35 anos de idade, simulando que contrataram uma cobertura para terceiros de até R$ 100 MIL. Dependendo do modelo de carro escolhido e a região do país, a diferença nas apólices de homens e mulheres pode chegar a ser de até 39%. 

Aquí alguns exemplos para entender a variacao segundo modelo e cidade:

  • Chevrolet Onix 1.0: Em Sao Paulo R$ 1.485,98 (para o perfil feminino) e R$ 1.682,25 ( para o perfil masculino). Em Rio de Janeiro: R$ 1.903,45 (feminino) e R$ 2.262,31 (masculino)
  • Volkswagen Gol 1.0: Em Sao Paulo R$ 1.431,02 (feminino) e R$ 1.874,38 (masculino). No Rio de Janeiro, R$ 2.408,62 (feminino) e R$ 2.505,35 (masculino).
  • Ford Ka S: em São Paulo, R$ 1.473,68 (feminino) e R$ 1.753,93 (masculino). No Rio de Janeiro, R$ 1.410,18 (feminino) e R$ 2.230,80 (masculino).
  • Fiat Mobi Drive: em São Paulo, R$ 1.409,80 (feminino) e R$ 1.405,35 (masculino). No Rio de Janeiro: R$ 1.989,64 (feminino) e R$ 2.142,07 (masculino).
  • Hyundai HB20 Sense 1.0: em São Paulo, R$ 1.522,09 (feminino) e R$ 1.788,21 (masculino). No Rio de Janeiro: R$ 2.051,15 (feminino) e R$ 2.151,55 (masculino).
  • Jeep Renegade 1.8: em São Paulo, R$ 1.976,40 (feminino) e R$ 2.660,83 (masculino). No Rio de Janeiro: R$ 2.917,50 (feminino) e R$ 4.061,44 (masculino).

E agora a pergunta: por que as mulheres pagam menos pela cobertura dos seus carros? existe algum motivo racional para isso?

Existe sim, como tudo no mundo dos seguros, nenhum fator é deixado sem analizar. É importante levar em conta que o negócio das seguradoras gira em torno às estatísticas de ocorrência do risco coberto pela seguradora. Então, quanto maior seja a possibilidade de que o sinistro aconteça maior será o valor cobrado ao titular do carro. 

O fato de que os seguros para mulheres sejam mais baratos pareceria desmistificar o famoso ditado “Mulher ao volante, perigo constante”. De acordo com as estatísticas do Governo Nacional, assim como dos diferentes governos estaduais, as motoristas dirigem melhor e se envolvem menos em acidentes.

A Pesquisa Nacional de Saúde divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, mostrou que as mulheres bebem menos no geral e que, ao mesmo tempo tendem a ser mais responsáveis e não costumam dirigir alcoolizadas em comparação com os homens. Em números divulgados o passado 18 de novembro, as mulheres que bebem e dirigem são 65% menos do que os homens. 

A gravidade dos acidentes em que os motoristas se veem envolvidos também varia segundo o género. Como parâmetro pode ser analizado um levantamento feito pelo Detran de São Paulo: no estado, durante os primeiros nove meses do 2020, 93% dos motoristas que morreram em acidentes de trânsito eram homens. Ou seja que, nos acidentes em que a vítima fatal é uma condutora mulher é quase 16 vezes menor se comparado com o sexo oposto. Nos meses do ano, em São Paulo, foram registrados 2.238 acidentes em que o condutor faleceu, levando em contra sinistros em vias municipais (52%) e rodovias (43%) do estado. Deles 1.266 foram condutores de motocicletas e 544 de carros. 

Os valores mudam quando a vítima fatal é o passageiro. Aí as mulheres representaram o 50,33% e os homens o 49,67%. Lamentavelmente os jovens, entre 18 e 24 anos são as principais vítimas da estatística, somando 452 óbitos. 

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