Voluntárias pedem justiça por gatos mortos no Parque Municipal de BH

Gatos do Parque Municipal
De acordo com as voluntárias, cerca de 50 gatos já foram encontrados mortos desde agosto (Reprodução/sosgatinhosdoparque/Instagram)

Voluntárias que cuidam de gatos que vivem no Parque Municipal de Belo Horizonte pedem justiça após encontrarem três deles mortos no local, nesse fim de semana. A Polícia Civil instaurou um procedimento para investigar as mortes, que, de acordo com as voluntárias, são frequentes.

A pequena Frida, uma das gatinhas que vivia no local e recebia cuidados de colaboradoras da organização “SOS Gatinhos do Parque”, foi encontrada com um galho de árvore enfiado na boca nesse domingo (29). De acordo com a voluntária Dulce Cardoso, desde agosto, cerca de 50 gatos já foram encontrados mortos no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, reaberto ao público há três meses.

“O caso da Frida foi o pior de todos. Ela estava com a coluna para fora, perdeu duas patas e o rabo. A perícia da Polícia Civil acredita que ela tentou pular em uma árvore para fugir, mas o galho se quebrou, por isso ela estava com ele na boca. Quando vemos uma cena dessas, quebra nosso coração. É muito deprimente, nós sentimos demais”, conta a voluntária.

Mistério

As colaboradoras da organização pedem respostas sobre a causa da morte dos gatos no parque. De acordo com Dulce Cardoso, a suspeita era de que donos de cachorros soltem os animais no local durante a noite. Com o aumento das mortes, elas também passaram a suspeitar de que alguma ação humana esteja envolvida.

A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, da PBH (Prefeitura de Belo Horizonte), confirma a teoria ao afirmar que “as recentes mortes de gatos domésticos abandonados no Parque Municipal trazem indícios de ação humana e, por isso, a Polícia Civil foi acionada”. A fundação garante, em nota (leia na íntegra abaixo), que a fiscalização do Parque Municipal será intensificada para a proteção dos gatos.

“Não sabemos se é um cachorro, outro animal, um humano. Nunca vimos raposas ou escorpiões por lá, por exemplo. Mas sabemos que vários donos de cachorros soltam os animais por lá, falando que os animais são bonzinhos, mas cães são predadores e podem matar gatos com facilidade. Agora o caso está com a polícia, mas já levaram 50 gatos para a perícia e até hoje não tivemos resposta”, conta a voluntária.

A Polícia Civil afirma que a equipe de investigadores do Departamento de Investigação de Crimes Contra o Meio Ambiente também foi ao local para investigar as mortes. “Os animais mortos foram encaminhados para a realização de exames e, em princípio, verificou-se que a maioria das mortes são de animais, aparentemente saudáveis, que apresentaram lesões semelhantes a mordeduras de outros, como por exemplo, cães”, diz o comunicado da corporação (leia na íntegra abaixo).

Justiça

O voluntariado da SOS Gatinhos do Parque pede justiça por todos os animais que foram mortos no Parque Municipal e cobra que algo seja feito para impedir mais mortes. “Sabemos que não é culpa da administração do parque, lá é enorme, não tem como colocar seguranças por todo canto e controlar a entrada de todo animal”, pontua Dulce Cardoso.

“A Polícia Civil também tem feito um bom trabalho, toda vez que nós chamamos eles vão até lá e recolhem os corpos, dão uma assistência grande. Mas, até hoje, ninguém sabe nos dizer o que aconteceu, e não podemos ficar esperando por muito tempo”, completa.

De acordo com a organização, cerca de 400 gatos vivem hoje no Parque Municipal, principalmente devido ao abandono de animais no local. O grupo de protetores tem uma página para divulgação de gatos para adoção, além de uma vaquinha online que busca aumentar os recursos para que os animais continuem sendo cuidados e alimentados.

“Dói muito ver cenas horríveis assim, porque nós tratamos os gatos, damos comida, castramos, levamos para a veterinária. E aí vêm coisas tenebrosas como essas, que machucam demais a gente. Tem gato que nem dá atenção para a comida, só quer colo, eles precisam de carinho. Estamos nos perguntando o porquê disso tudo, e pedindo justiça por esses animais”, finaliza a voluntária.

Nota da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica

“A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica informa que as recentes mortes de gatos domésticos abandonados no Parque Municipal trazem indícios de ação humana e, por isso, a Polícia Civil foi acionada, já tendo instaurado inclusive inquérito para apuração dos fatos.
A Fundação aguarda o resultado dos laudos e reafirma que já está intensificando a fiscalização dentro do parque para proteção desses animais. Entre as ações já em curso, está sendo feita a modernização de toda a iluminação do Parque, com a instalação de lâmpadas de led que vão facilitar a vigilância pelas equipes da Guarda Municipal e do Parque. Está sendo feito um reforço do cercamento, com a instalação de novas telas no local.
Também está em andamento um projeto de ampliação do videomonitoramento já existente no local, que vai contribuir não só no manejo dos animais abandonados no parque, mas também para a fiscalização em outros temas sensíveis de segurança, vigilância e manutenção do espaço público. O Parque também se beneficia com o sistema de câmeras já instalado no hipercentro, que contribui com a segurança e monitoramento da movimentação no entorno do Parque.
A totalidade de gatos hoje presente no Parque é resultado de abandono no local, o que se configura como crime na legislação atual. Por isso, a Fundação, juntamente com a Guarda Municipal e outros órgãos da PBH (Secretarias de Saúde e Meio Ambiente), atua intensamente em ações para coibir o abandono de animais no local e também no controle da população local, com ações de castração e programas de adoção, além de estreita parceria com cuidadores voluntários de animais que atuam no parque. Apesar de todos os esforços já adotados, incluindo ações preventivas e corretivas e o estabelecimento de parcerias para cuidados com esses animais, a Fundação foi surpreendida com tais ocorrências, requerendo o planejamento de medidas para coibir essas agressões, que vêm ocorrendo de forma mais intensificada no período de pandemia”.

Nota da PCMG

“A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que instaurou procedimento para apurar as mortes dos animais no Parque Municipal Américo Renne Giannetti. A perícia e a equipe de investigadores do Departamento de Investigação de Crimes Contra o Meio Ambiente estiveram no local para fazer os levantamentos. Os animais mortos foram encaminhados para a realização de exames e, em princípio, verificou-se que a maioria das mortes são de animais, aparentemente saudáveis, que apresentaram lesões semelhantes a mordeduras de outros, como por exemplo, cães. Ainda há alguns exames em andamento e outras informações serão repassadas em momento oportuno”.

Edição: Roberth Costa
Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco na editoria de Esportes no BHAZ.

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