Motorista de app assedia passageira com mensagens impróprias

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A jovem garantiu que vai denunciar o caso à polícia (Reprodução/Natália Merssalina/Facebook + Amanda Dias/BHAZ)

Uma jornalista de 23 anos denuncia, por meio das redes sociais, ter sofrido assédio de um motorista do aplicativo de transporte 99, após uma corrida. A jovem paulistana Natália Merssalini recebeu mensagens impróprias do condutor, que fez referência às partes íntimas da vítima e disse que ela “o deixou excitado”.

Ao BHAZ, a jovem conta que chamou um carro pelo aplicativo no dia 7 de novembro, mas a forma de pagamento selecionada era dinheiro, e ela se esqueceu de trocar. Ao final da corrida, ela percebeu que não tinha dinheiro e tentou pagar pela maquininha de cartão, que não funcionou. O motorista, então, propôs que ela o chamasse no WhatsApp para que ele passasse sua conta bancária e ela transferisse o valor da corrida.

“Foi uma viagem totalmente normal, ele não fez nada. Mandei um ‘oi’ para ele no WhatsApp, ainda dentro do carro, e saí. Passou mais de uma semana, ele não me respondeu nada, e eu também esqueci. Em um domingo, ele me chamou perguntando meu nome, e eu disse que estava esperando a conta, mas ele só falou que esqueceu. Comecei a achar estranho, não respondi, e tentei entrar em contato com o aplicativo para fazer o pagamento diretamente com eles”, conta Natália.

Assédio

No dia seguinte, segunda-feira (23), ele mandou mais mensagens, e o assédio começou: “Oi Natália, você está gata nessa foto. Um beijo”. “Eu não vi quando ele mandou isso, porque recebo muita mensagem de trabalho no celular e acabo não vendo tudo. Só fui abrir a conversa quando ele mandou as outras mensagens”, explica.

“Nossa Natália você está muito gata”, “manda esse vídeo pra mim”, “Oi Natália, queria ver sua bunda, deve ser bem gostosa”, “Vc me deixou excitado até agora, acredita?”, “Vc tem um par de seios lindos”, escreveu o motorista nesse sábado (28). Foi então que Natália abriu as mensagens e percebeu que estava sendo assediada pelo homem.

“Quando eu vi, já tentei entrar em contato com a central de atendimento da 99, mas não tive retorno. Expus o caso no Twitter, e me responderam domingo à noite pedindo informações sobre a corrida e o motorista. Enviei tudo para eles, e disseram que iam analisar, mas até agora não recebi resposta. Também postei uma reclamação no ReclameAqui, mas até agora ninguém entrou em contato comigo”, conta a jovem.

Natália também fez uma publicação no Facebook nessa segunda-feira (30), tentando chamar a atenção da empresa. A jornalista também garantiu que vai denunciar o caso à polícia amanhã (2) e já está em contato com um advogado. “Acabei descobrindo que o motorista mora no meu bairro, perto de mim. Não sei se ele já ficou sabendo dos posts, se ele pode fazer algo, mas por enquanto ele não falou mais nada comigo”, finaliza.

Banido

Procurada pelo BHAZ, a 99, por meio da assessoria de imprensa, afirmou que o motorista foi banido do aplicativo após a denúncia de Natália. Apesar disso, a vítima não havia sido comunicada do banimento até esta terça-feira (1º). “A empresa esclarece ter uma política de tolerância zero em relação a qualquer forma de violência e reitera veementemente seu repúdio ao fato”, diz em um trecho da nota.

Nota da 99 Pop na íntegra

“A 99 lamenta profundamente o ocorrido e, neste momento, presta atendimento à vítima. A empresa esclarece ter uma política de tolerância zero em relação a qualquer forma de violência e reitera veementemente seu repúdio ao fato. Assim que a denúncia foi registrada, banimos o motorista da plataforma. A 99 está disponível para colaborar com as investigações da polícia.

Em seus Termos de Uso, a 99 ressalta que motoristas devem tratar os passageiros com boa-fé, profissionalismo e respeito. Em comportamentos como esse, que vão contra as políticas da empresa, medidas como bloqueio e colaboração com as autoridades são adotadas.

A empresa dedica seus esforços na prevenção, proteção e acolhimento de todos os usuários da plataforma, principalmente para as mulheres. Entre as medidas está a opção de compartilhar a rota para contatos de confiança, monitoramento de corrida via GPS, gravação de áudio e ligação para a polícia. A plataforma também possui cursos de conscientização sobre o combate ao assédio, disponível para 100% dos condutores”.

Edição: Roberth Costa
Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco na editoria de Esportes no BHAZ.

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