Extravasaaa! Cruzeiro bate vice América e vislumbra adeus ao Z4

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Manoel comemora gol contra o América (Bruno Haddad/Cruzeiro)

Na data de aniversário de 300 anos de Minas Gerais, o futebol do estado foi muito bem servido com um clássico local. América e Cruzeiro fizeram um jogo movimentado com pitadas de emoção nesta noite de quarta-feira (2), no Independência, em Belo Horizonte. E quem saiu feliz da vida foi o cruzeirense, que conseguiu superar a excelente fase do Coelho, venceu por 2 a 1 e, agora, vislumbra um adeus definitivo ao Z4 da Série B.

Os comandados do Felipão não poderiam ter um confronto melhor para virar a página de vez: sair da vergonhosa briga para fugir do Z4 e entrar na disputa, mesmo que timidamente, pelo G4. O Cruzeiro pega, no sábado (5), o Brasil de Pelotas, que ocupa o grupo intermediário da tabela, com apenas dois pontos à frente da Raposa. O confronto será no Mineirão.

Já o América, mesmo com o revés, pode continuar curtindo a fase iluminada. Depois de fazer história ao bater o Inter e se classificar, pela primeira vez, à semifinal da Copa do Brasil, o Coelho ocupa confortável posição na luta pelo acesso à Série A. Mesmo com a derrota, está em segundo lugar isolado e pega o CSA, também no sábado, para voltar a encontrar as vitórias.

Pênalti?

Dada a importância do jogo para ambos os times, o jogo começou quente. Já nos primeiros minutos, aos 2, o América reclamou de um suposto pênalti não marcado. Dentro da área, a bola resvalou na mão do cruzeirense Adriano, mas o árbitro mandou o jogo seguir. O Cruzeiro respondeu aos 9: Sobis recebeu na entrada da área, dominou e chutou, mas a bola subiu. 

Desta vez, o juiz marcou!

Ainda no início de jogo, mais uma polêmica. O árbitro marcou a penalidade máxima, mas a favor do Cruzeiro: aos 12, o atacante Pottker foi derrubado pelo zagueiro Messias na área e o juiz viu pênalti no lance. Sobis bateu rasteiro, deslocou o goleiro Matheus Cavichioli, e abriu o placar para o Cruzeiro.

Lisca deu um show… negativo

O técnico Lisca não gostou nada da sequência: suposto pênalti para o América não marcado e, em seguida, penalidade máxima para o Cruzeiro. De tanto reclamar, acabou sendo expulso. E deu um showzinho bem feio: demorou a sair da beira do campo, discutiu com os árbitros auxiliares, se recusou a ir para o vestiário e passou a assistir ao duelo da arquibancada.

Coelho não desiste

Depois do gol, o time celeste diminuiu a intensidade e passou a tentar se defender para preservar a vitória momentânea. Enquanto isso, o América procurava um espaço, mas dava de cara com a defesa azul. No finalzinho do 1T, o Coelho chegou. Aos 45, Felipe Azevedo chutou colocado no canto esquerdo, mas tinha um Fábio no meio do caminho (para as redes).

Retorno nos 220

O Cruzeiro entrou em campo na etapa final colocando fogo na partida: foram quatro chutes a gol em menos de 3 minutos. Ó, vamos por partes! Antes do primeiro minuto, Arthur Caíke chutou com perigo, mas o goleiro pegou quase em cima da linha. Os jogadores até pediram um possível gol, mas o árbitro nada viu no lance. Logo no lance seguinte, o arqueiro do Coelho salvou o time de novo, e foi buscar tanto o chutaço de falta quanto o rebote. E o quarto…

Como cantava Tim Maia…

“O maior homem do mundo”! É Manoel o nome do 2º gol do Cruzeiro! Na quarta finalização, aos 3 do 2T, gol. Em escanteio cobrado por Machado, o zagueiro cabeceou direto para as redes, sem chances para o goleiro do Coelhão. Foi a 4ª vez que Manoel marcou na Série B. Ao lado de Airton, ele é o artilheiro do clube na competição. 

Quente pelando!

Mesmo em desvantagem no placar, o alviverde não desanimou. Aos 15 do 2T, em cobrança de falta de Daniel Borges, foi a vez de mais um zagueiro marcar no jogo. Anderson Jesus superou Adriano no alto e mandou para as redes, diminuindo para o Coelho. Fábio sequer foi na bola. 

O time da casa continuava pressionando, e quase empatou aos 22. Alê desviou depois de escanteio, e Fábio agarrou firme para evitar o gol. Mas o Cruzeiro não ficava atrás, e, aos 27, foi a vez do clube estrelado assustar. Uma boa troca de passes com Airton teria rendido o 3º gol, mas Thiago chutou para fora, mesmo estando livre de marcação na área.

O jogo esquentou, e o América voltou a fazer ótima descida aos 34. Os jogadores se livraram dos marcadores e trocaram rápidos passes, até que a bola chegou em Ademir. Ele chutou rasteiro da entrada da área, e a bola passou perto da trave de Fábio. Mas o Coelho não desistia: aos 38, a cabeçada de Ademir foi a uma distância milimétrica do gol. 

+8, juizão?

O árbitro deu impressionantes 8 minutos de acréscimo, o que deixava o jogo ainda mais emocionante. O Cruzeiro tentava segurar a vitória, enquanto o América continuava à procura de um golzinho. 

Com a 6ª vitória fora de casa – do total de 10 triunfos no campeonato -, o Cruzeiro quebrou a invencibilidade de cinco jogos do América, que permanece na vice-liderança. Agora em 15º lugar, o time celeste está a 10 pontos do 4º colocado Juventude. E aí, torcida celeste, será que ainda dá pra sonhar?

FICHA TÉCNICA
AMÉRICA 1 X 2 CRUZEIRO

Local: Arena Independência, Belo Horizonte (MG)
Data: 2 de dezembro de 2020, quarta-feira
Horário: 21h30 (de Brasília)
Árbitro: Dewson Fernando Freitas da Silva (PA)
Assistentes: Marcio Gleidson Correia Dias (PA)
Cartões amarelos: Rafael Sobis, Matheus Pereira, Airton, Jadsom Silva, Manoel, Fábio (Cruzeiro); Juninho, Rodolfo, Léo Passos (América)

GOLS
CRUZEIRO: 
Rafael Sobis, aos 13 minutos do primeiro tempo; Manoel, aos 2 minutos do segundo tempo
AMÉRICA: Anderson Jesus, aos 15 minutos do segundo tempo

AMÉRICA: Matheus Cavichioli; Diego Ferreira (Daniel Borges), Messias, Anderson e João Paulo; Flávio (Marcelo Toscano), Alê e Juninho (Felipe Augusto); Ademir, Felipe Azevedo (Calyson) e Rodolfo (Léo Passos).
Técnico: Lisca

CRUZEIRO: Fábio; Raúl Cáceres, Ramon, Manoel e Matheus Pereira; Machado (Jadson), Jadsom Silva e Adriano; Airton, Rafael Sobis (Thiago) e William Pottker (Arthur Caíke).
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Edição: Thiago Ricci
Beatriz Kalil Othero
Beatriz Kalil Otherobeatrizkof@gmail.com

Mineira de BH, graduanda em jornalismo pela UFMG e fascinada por futebol, dentro e fora das quatro linhas. Cobre os jogos dos times mineiros como repórter freelancer para o BHAZ.

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