Taxa de coronavírus nos esgotos é quase o dobro do pico da pandemia

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Estimativa é feita com base em amostras dos ribeirões Arrudas e do Onça (Thiago Bressani/UFMG + Amanda DIas/BHAZ)

A taxa de coronavírus detectada nos esgotos de Belo Horizonte neste mês é quase duas vezes maior do que o registrado em julho de 2020, período considerado o pico da pandemia na capital. A carga viral – quantidade de cópias do vírus – registrada na rede de esgoto atualmente é de quase 30 trilhões de cópias por dia. Para se ter uma ideia, no período mais crítico da pandemia até então, esse número não passava de cerca de 18 trilhões de cópias por dia.

De acordo com o boletim do projeto Monitoramento Covid Esgotos, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), os índices registrados neste mês só ficam atrás do que a pesquisa apurou entre os dias 21 e 25 de dezembro, quando foi registrada a maior carga desde o início da pandemia. Com base nesses números, a estimativa é de que cerca de 250 mil pessoas estavam contaminadas na segunda semana epidemiológica deste ano.

O projeto também monitora a presença do coronavírus em amostras de esgoto coletadas em Contagem, na região metropolitana de BH. Por lá, a população infectada estimada na última semana de monitoramento foi de cerca de 45 mil pessoas – 15 mil a mais do que na semana anterior.

Novas evidências

Neste ano, a quantidade estimada de contaminados a partir da carga viral detectada passou por reformulação metodológica, após a incorporação de novos dados e pesquisas ao longo do projeto. Esses novos dados, por exemplo, trazem evidências de que o período de secreção do vírus nas fezes de pessoas infectadas pode durar até sete semanas e varia em cada indivíduo.

Esse aprimoramento resulta em valores de população infectada estimada cerca de quatro a seis vezes inferiores àqueles calculados com a metodologia anterior. Segundo os coordenadores do projeto, embora a nova metodologia de cálculo tenha resultado em menor população infectada estimada, isso não significa que houve redução das cargas virais determinadas a partir do monitoramento do esgoto e, portanto, da circulação do vírus em Belo Horizonte.

A variação dessa estimativa também passa a ser considerada nos boletins, que informam a população infectada por faixas, representando valores mínimo, médio e máximo.

Alerta para novos surtos

Os pesquisadores participantes no estudo reforçam que não há evidências da transmissão do vírus através das fezes (transmissão feco-oral). Segundo eles, o objetivo da pesquisa é mapear os esgotos para indicar áreas com maior incidência da doença e usar os dados obtidos a partir do esgoto como uma ferramenta de aviso precoce para novos surtos, por exemplo.

Com os dados obtidos, é possível saber como está a ocorrência do novo coronavírus por região, o que pode direcionar a adoção ou não de medidas de relaxamento consciente do distanciamento social. O projeto também pode possibilitar avisos precoces dos riscos de aumento de incidência da Covid-19 de forma regionalizada, embasando a tomada de decisão pelos gestores públicos.

A iniciativa, que atua nas bacias hidrográficas dos ribeirões Arrudas e do Onça, une a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o INCT ETEs Sustentáveis e a UFMG, e tem apoio da Copasa, empresa de saneamento de Minas Gerais, da Secretaria de Saúde do estado e do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam)

Com Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico

Edição: Thiago Ricci
Giovanna Fávero
Giovanna Fáverogiovanna.favero@bhaz.com.br

Repórter no BHAZ desde outubro de 2019. Jornalista graduada pela PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) e com atuação focada nas editorias de Cidades, Guia e Cultura.

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