Sarah dispara fala transfóbica e questiona beijo entre Gil e Lucas no BBB

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Sarah disparou falas preconceituosas durante conversa no BBB (Reprodução/@realityvid/Twitter)

Sarah Andrade, participante do BBB 21, protagonizou falas LBGTfóbicas na tarde desta sexta-feira (26), enquanto conversava com outros brothers. No assunto, a sister, apelidada de “espiã”, questionou o beijo entre Gil e Lucas e disse que em outra vida era uma travesti – no masculino – por gostar de “p*taria”. Os internautas levantaram uma relevante discussão acerca do que foi dito por Sarah.

No trecho da conversa, Sarah diz que não sabe se o beijo entre Lucas e Gil foi verdadeiro, e que ele foi dado no momento errado. “Eu não estou falando de ser homossexual, eu estou falando do beijo na hora errada. É a mesma coisa de eu ter dado em cima de alguém aqui para poder f*der com outra pessoa. Porque pode ser que essa pessoa aqui tenha uma boa torcida lá fora, vou me envolver com ela”, disse.

A sister tentou deixar claro que sua crítica não tinha a ver com o fato do amigo Gilberto ser gay, mas acabou soltando uma fala igualmente grave. “Não é o beijo, não é ser homossexual, tanto que eu estou grudada com o Gil o tempo todo. Se tem uma coisa que eu não tenho, é preconceito com isso daí, amo, adoro, acho que eu era um travesti na vida passada porque eu gosto dessas coisas, adora essa p*taria e esse negócio”. Veja o vídeo:

Identidade resumida ao sexo

Com o assunto sendo um dos mais comentados desta tarde no Twitter, Alina Durso, criadora de conteúdo digital com mais de 100 mil seguidores se pronunciou. Alina disse que gosta de Sarah, mas que as falas ditas pela sister foram LGBTfóbicas e resumiram as pessoas travestis a sexo e prostituição.

“Falas assim atrelam mais ainda a imagem das travestis à prostituição, tendo nossas identidades resumidas a sexo, a p*taria (como a própria disse). E eu reitero aqui a importância de pessoas trans nesses espaços, em um reality como esse, pois enquanto houver ausências trans em espaços haverá transfobia”.

Ela continuou: “Haverá estigmas que rodeiam nossas identidades e isso tudo sem sequer podermos nos defender e brecar esse tipo de fala. Não é a primeira vez que vejo Sarah problematizando o beijo entre Gil e Lucas. Sarah pode ser uma espiã e estar atenta ao jogo, mas às vezes ela ainda se deixa levar pelo senso cishetero dela, vendo maldade em um dos melhores e mais afetuosos momentos que tivemos nesse 1 mês de BBB”.

“Em contrapartida, não percebendo que na real a única pessoa que está usando alguém ali, é o Arthur que mete o pau na Carla pro Projota quando ela vira as costas. E que riu junto com Nego Di quando ele disse que se masturbaria perto de Carla, esse casal ninguém dúvida de nada?”, questionou Alina Durso.

‘Estereótipo transfóbico’

Ao BHAZ, a secretária de Articulação Política da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Bruna Benevides, explicou que a fala de Sarah representa a permanência do imaginário sobre travestis. “Essa é uma ideia extremamente equivocada, de que existe uma única forma de ser travesti, e isso é um estereótipo transfóbico, porque nos limita a objetos sexuais”, diz a secretária.

“Vale ressaltar que o Brasil é o país que mais consome pornografia trans, e também o que mais assassina. Então esse esse mix de desejo e objeção acabam caminhando muito próximos… O que muitas vezes pode parecer uma brincadeira inofensiva acaba reforçando esse lugar da travesti como o único lugar possível, que é esse lugar para realizar desejos e fantasias sexuais objetificadas, e nunca para um relacionamento saudável, interpessoal e livre de preconceito”. 

Bruna Benevides, no entanto, discorda de Alina Durso sobre a presença de uma travesti no BBB ao lembrar da experiência de Ariadna Arantes. “Ela foi a única e mesmo assim, até hoje, está enfrentando processos de discriminação, de transfobia. Ela nunca teve a sua arte ou os seus talentos de fato celebrados, ou reconhecidos, ou, ainda, tidos como verdadeiros. Ela sempre foi tratada nesse lugar exótico”.

“Eu não consigo ver, neste momento, e da forma como o BBB 21 está sendo conduzido, que seria saudável ter uma pessoa trans nesse lugar de entretenimento perverso que acaba, realmente, mostrando o pior das pessoas. Todas nós temos esse lado, mas infelizmente o que fica mais à mostra ali – que é, inclusive, o objetivo do próprio reality – é mostrar esse lado perverso, inclusive incentivando a discórdia”, completa Bruna Benevides.

Edição: Thiago Ricci
Andreza Miranda
Andreza Mirandaandreza.miranda@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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