Todos os postos de BH ficarão sem gasolina até domingo, diz Minaspetro

greve tanqueiros em betim
Tanqueiros realizaram carreata ontem de Betim até a Cidade Administrativa (SindTanque/Divulgação)

A greve dos transportadores de combustíveis em Minas já afeta boa parte dos postos de Belo Horizonte e região metropolitana – e provoca longas filas na corrida por gasolina. Apesar de já preocupante, a situação pode se agravar ainda mais: todos os postos da capital – e da maior parte do estado – ficarão completamente sem combustível até domingo (28), caso o movimento continue, segundo o Minaspetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais).

E a previsão, no início da noite desta sexta-feira (26), é de que o movimento se arraste por vários dias, já que os tanqueiros garantem que não voltam a trabalhar até que o ICMS sobre o diesel seja reduzido e o Governo de Minas descarta essa possibilidade. Desde a manhã de hoje, os trabalhadores de transportadoras de combustíveis decidiram cruzar os braços.

O Sindicado também informou que hoje (25), o Governo de Minas ignorou os pedidos da classe para o congelamento do preço usado como referência doo ICMS no estado. Além disso, a partir do dia 1º de março o imposto estadual sobre os combustíveis vai ficar mais caro.

Escassez nas bombas

O movimento não completou nem um dia e vários estabelecimentos já ficaram sem combustível – especialmente após uma corrida por gasolina durante todo o dia. As cidades da região Central de Minas foram as mais afetadas até o momento, conforme o Minaspetro. O sindicato registrou postos sem o produto em Divinópolis, Sete Lagoas, Contagem, além de Juiz de Fora, na Zona da Mata.

O Minaspetro também informou que, apesar de se solidarizar com a greve dos trabalhadores das transportadoras de combustíveis, não concordam com o momento em que o movimento é feito. Segundo a organização, não é hora para uma greve, principalmente pelo contexto geral da pandemia de Covid-19 e as dificuldades que a população e todo o setor produtivo enfrentam.

Reinvindicações

Depois de promover uma carreata de caminhões nessa quinta-feira (25), que saiu de Betim, na região metropolitana de BH, e terminou na Cidade Administrativa, o SindTanque-MG definiu a paralisação da categoria. De acordo com o presidente do sindicato, Irani Gomes, mais de 300 caminhoneiros participaram da mobilização ontem, e toda a categoria aderiu à greve no estado.

Os tanqueiros reivindicam que o governo do Estado diminua de 15% para 12% a alíquota do ICMS que recai sobre o diesel. Em comunicado enviado aos associados na segunda-feira (22), o SindTanque-MG afirmou que, em reunião, “representantes da Secretaria de Estado de Fazenda se mostraram irredutíveis e descartaram a possibilidade de reduzir a alíquota do imposto no estado”.

“São mais de 2 mil caminhoneiros participando, 100% da categoria aderiu à paralisação. Estamos aguardando um posicionamento do Governo de Minas. Enquanto não se manifestar, a greve dura por tempo indeterminado”, afirma Irani Gomes.

Ainda de acordo com o presidente do sindicato, apesar de a mobilização estar concentrada em Minas Gerais, representantes de tanqueiros de outros estados começaram a entrar em contato com o SindTanque-MG para organizar paralisações em outras regiões do país. Na manhã de hoje, alguns caminhoneiros também protestaram em frente à Regap (Refinaria Gabriel Passos), em Betim.

Governo descarta redução

O Governo de Minas, por meio de nota (leia na íntegra abaixo), afirma que as mudanças nos preços dos combustíveis “não são em função do ICMS, mas sim da política de preços praticada pela Petrobras”, e descarta a possibilidade de redução da alíquota no momento, “em virtude da situação financeira do estado”.

“Sobre a manifestação realizada ontem na Cidade Administrativa, o Governo esclarece que esteve disponível para ouvir as demandas dos tanqueiros, mas não houve pedido de reunião por parte dos manifestantes”, completa o comunicado da administração estadual.

Nota do Governo de Minas

“O Governo de Minas esclarece que as recentes mudanças no preço dos combustíveis não são em função do ICMS, mas sim da política de preços praticada pela Petrobras. O Estado reafirma seu compromisso de não promover o aumento de nenhuma alíquota de ICMS até que seja possível começar a trabalhar pela redução efetiva da carga tributária. No momento, em virtude da situação financeira do estado, a Lei de Responsabilidade Fiscal exige uma compensação para aumentar receita em qualquer movimento de renúncia fiscal, o que não torna possível a redução da alíquota.

Informamos ainda que o Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF) é atualizado mensalmente levando-se em consideração os preços praticados pelos postos revendedores em todas as regiões do Estado. O resultado da pesquisa realizada pela Secretaria de Fazenda é baseado nas Notas Fiscais emitidas por 4.272 postos revendedores distribuídos em 828 municípios mineiros.

Sobre a manifestação realizada ontem na Cidade Administrativa, o Governo esclarece que esteve disponível para ouvir as demandas dos tanqueiros, mas não houve pedido de reunião por parte dos manifestantes”

Edição: Thiago Ricci
Jordânia Andrade
Jordânia Andradejordania.andrade@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde outubro de 2020. Jornalista formada no UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) com passagens pelos veículos Sou BH, Alvorada FM e rádio Itatiaia. Atua em projetos com foco em política, diversidade e jornalismo comunitário.

Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco na editoria de Esportes no BHAZ.

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