Primeiro caso de reinfecção por Covid-19 é confirmado em Minas Gerais

Pesquisa em laboratório
Governo de Minas também informou que novas variantes do vírus foram detectadas no estado (Acácio Pinheiro/Agência Brasília)

Minas Gerais confirmou, nesta terça-feira (2), o primeiro caso de reinfecção pela Covid-19 no estado. O paciente é um homem de 29 anos, que testou positivo em maio de 2020 e voltou a desenvolver a doença em janeiro de 2021, com sintomas leves. O Governo de Minas também informou que novas variantes do vírus foram detectadas no estado.

A confirmação da reinfecção foi feita por sequenciamento genético conduzido pela Funed (Fundação Ezequiel Dias), que conseguiu identificar diferenças genéticas entre os vírus que infectaram o homem nas duas vezes. De acordo com a SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais), o paciente não precisou ser hospitalizado ao ser infectado pela segunda vez.

Ainda segundo a pasta, o caso foi notificado de acordo com os critérios do Ministério da Saúde estabelecidos para investigação laboratorial de reinfecção. A investigação foi conduzida pelo Centro de Informação Estratégica em Vigilância em Saúde (Cievs-MG), área técnica da SES-MG. As amostras clinicas foram encaminhadas para pesquisa genômica pelos Laboratório Central (Lacen), da Funed, e pelo Laboratório de Referência Nacional (LRN), da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro.

Novas variantes

Além da reinfecção, o Governo de Minas também foi oficialmente comunicado sobre a confirmação laboratorial de novas variantes do SARS-CoV-2 no estado. De acordo com a SES-MG, tratam-se das variantes de Manaus e do Reino Unido, consideradas Variantes de Atenção (VOC) no Brasil, além da cepa P.2, em circulação no país desde outubro de 2020, e outras linhagens.

A cepa P.2 foi confirmada em amostras da Funed em três municípios mineiros, e pela Fiocruz em 15 casos, distribuídos em 12 cidades: Ouro Branco (1), Além Paraíba (2), Caratinga (1), Coronel Fabriciano (1), Cruzília (1), Imbé de Minas (1), Ribeirão das Neves (1), Rio Manso (1), Santa Luzia (1), São José da Lapa (1), Taiobeiras (1) e Varginha (3). 

A identificação da Funed foi feita em pacientes de Uberaba, Ibitiúra de Minas e Esmeraldas, e em um paciente de Manaus que estava de férias em Minas. De acordo com a SES-MG, a linhagem P.2 contém a mutação E484K na Spike – uma das proteínas que compõem o vírus – e já foi encontrada em todas as regiões do país, mas não são consideradas VOC.

Variante do Reino Unido

A variante chamada de VOC 202012/01, linhagem B.1.1.7, que a princípio foi descoberta no Reino Unido, foi detectada em Minas Gerais por pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em parceria com a Rede Corona-Ômica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTIC), o Instituto Hermes Pardini e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Ela foi encontrada em amostras coletadas de pacientes em Belo Horizonte (10), Barbacena (1), Araxá (1) e Betim (1), de acordo com o relatório técnico enviado à SES-MG. A coordenadora do Cievs-MG e da Sala de Situação, Eva Medeiros, explica que o Governo de Minas está acionando os municípios de onde foram encontradas essas mutações para reforçar ainda mais a investigação de pacientes infectados e seus contatos próximos.

“Com as investigações, será possível dizer se essas variantes estão ou não em circulação em Minas”, diz a coordenadora. Esse mesmo grupo de pesquisa identificou a variante P.2 em 16 amostras de pacientes da capital mineira, referentes ao período de novembro de 2020 a janeiro de 2021.

Variante de Manaus

Nesta segunda-feira (1º), a Funed enviou um relatório técnico à SES-MG informando ter encontrado a variante P.1, de Manaus, em duas amostras analisadas pelo Lacen. De acordo com a pasta, as duas pessoas são de Manaus e estavam em viagem por Belo Horizonte.

Na semana passada, a secretaria estadual foi notificada pelo Ministério da Saúde sobre a detecção da variante P.1 em um paciente do Canadá que estava em viagem ao Brasil, com histórico de visita a Minas Gerais. De acordo com Eva Medeiros, a pessoa esteve com a família em BH e Nova Lima, na região metropolitana. Três dias depois de voltar para a o país, começou a apresentar os sintomas da Covid-19.

“No Canadá, foi realizado o sequenciamento genético e a nova variante P.1 foi detectada. A análise foi apresentada para o Ministério da Saúde, que nos repassou”, explica a coordenadora. A equipe de Vigilância em Saúde investigou o caso e descobriu que os contatos próximos ao paciente não apresentaram sintomas da infecção. “É provável que ele não tenha se infectado em Minas, já que passou por outros estados, como São Paulo, antes de voltar para o Canadá”, completa.

Outras linhagens

A Fiocruz detectou três genomas da linhagem B.1.1.143, nos municípios de Caratinga, Muriaé e São Lourenço; e B.1.1.28, em Coronel Fabriciano, Ouro Branco e Varginha. E um genoma da linhagem B.1.1.33 em Governador Valadares.

Já a Funed encontrou em três amostras a presença das linhagens B.1.1.33 em Caratinga, B.1.1.28 e B.1.2, em Sabará. A linhagem B.1.1.222 foi identificada em um laboratório privado de São Paulo, em uma paciente de Itajubá com histórico de viagem pelo México (Cancun, com escala no Panamá), no mês de janeiro de 2021.

As duas principais linhagens circulando no Brasil desde fevereiro de 2020 são B.1.1.33 e B.1.1.28. Nenhuma das duas apresenta alterações significativas na proteína Spike.

Investigação

De acordo com a coordenadora do Cievs-MG e da Sala de Situação, a Vigilância em Saúde da SES-MG está atenta à detecção de novas variantes no estado e municípios estão sendo acionados para intensificar a investigação epidemiológica sobre a infecção desses pacientes, inclusive daquelas pessoas com as quais eles tiveram contato próximo.

“O objetivo é entender melhor o desfecho clínico e epidemiológico dos casos, assim como histórico de deslocamento para outros locais”, explica. Atualmente, as três variantes de atenção sob vigilância no Brasil são:  Variante VOC 202012/01, linhagem B.1.1.7 (Reino Unido); Variante 501Y.V2, linhagem B.1.351 (África do Sul); e, Variante P.1, linhagem B.1.1.28 (Brasil).

Segundo a coordenadora estadual de Laboratórios e Pesquisa em Vigilância da SES-MG, Jaqueline Oliveira, a vigilância laboratorial é fundamental para a identificação das novas variantes do coronavírus. “A partir da suspeita clínica e/ou da análise do perfil epidemiológico da Covid-19 em determinada região do estado ou grupo populacional, a suspeição da circulação de uma nova variante é confirmada por sequenciamento genético”, explica.

“Para isso, as amostras dos casos suspeitos são selecionadas e direcionadas para análise laboratorial no Lacen, da Funed. Adicionalmente, a ampliação dessa análise genética em outros laboratórios capacitados como a Fiocruz-RJ e a UFMG, por meio da rede Corona-Ômica, poderá fortalecer a vigilância laboratorial em Minas Gerais, contribuindo para a identificação dessas e de outras variantes que, por ventura, venham surgir”, finaliza Jaqueline.

Com Agência Minas

Edição: Giovanna Fávero
Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco na editoria de Esportes no BHAZ.

Comentários