Zema fala em risco de colapso do sistema de saúde e anuncia ‘onda roxa’

romeu zema governador minas gerais
Zema anunciou onda roxa, cuja adesão de municípios não será opcional (Pedro Gontijo/Imprensa MG)

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou há pouco, na tarde desta quarta-feira (3), a criação e a imposição da onda roxa – o chamado lockdown – em duas regiões do estado. Entre as rigorosas medidas -que deverão ser adotadas a partir de amanhã -, estão toque de recolher e restrição de circulação dos moradores. O gestor estadual ainda disse temer o colapso do sistema de saúde em algumas cidades de Minas e afirmou que devemos atravessar o que considera a fase final da pandemia “custe o que custar”.

“Praticamente já atravessamos um oceano e estamos a 50 metros da praia. Esses 50 metros estão com ondas fortes e vamos enfrentar custe o que custar. A vacina é a praia, até fazer efeito fazemos o que pudermos”, afirmou Zema, durante entrevista coletiva realizada na Cidade Administrativa. O governador aposta que, até o fim de abril, Minas consiga vacinar todas as pessoas acima de 60 anos.

“Temos notícias alentadoras. Ontem estive em Brasília acompanhado de vários governadores. Visitamos a União Química, que vai fabricar a partir de abril 8 milhões de doses por mês. Ministério da Saúde estará em março e abril disponibilizando um número muito maior de doses para todo o Brasil”, disse. O governador mineiro falou que serão distribuídas 80 milhões de doses entre março e abril – ante 20 milhões que foram entregues no primeiro bimestre.

Onda roxa

A primeira característica da onda roxa, anunciada oficialmente agora à tarde pelo Governo de Minas, é a imposição. Ao contrário do programa Minas Consciente, que podia ser adotado ou não pelos prefeitos, a fase mais rigorosa não é uma opção. “Não é um problema municipal mais, é regional. Então a prefeitura da região que estiver na onda roxa terá duras restrições no funcionamento da atividade econômica”, afirmou Zema.

As regiões que estão na onda roxa são Noroeste e Triângulo Norte. Outras três estão na onda vermelha – que era a mais rigorosa do Minas Consciente até então – e correm o risco de passar para a roxa: Triângulo Sul, Norte, Leste do Sul. A vermelha já previa o funcionamento apenas do comércio considerado essencial. Já a roxa restringe até o mesmo a circulação das pessoas.

Inicialmente, a onda roxa terá a duração de 15 dias. “Espero que seja suficiente, mas estaremos revendo o que for necessário. Se daqui a dois, três dias for necessário que outra região migre para a onda, vamos ter que fazer. É necessidade, não é opção, não há outro caminho a não ser este”, completou o governador.

Confira alguns pontos:

  • Circulação de pessoas apenas em casos de atividades essenciais
  • Proibição de circulação de pessoas e veículos
  • Toque de recolher entre 20h e 5h
  • Proibição de circulação sem máscara em qualquer lugar, mesmo em espaço privado
  • Proibição de circulação de pessoas com sintomas de gripe, exceto para realizar exames
  • Reuniões presenciais proibidas, mesmo pessoas da mesma família, que não moram na mesma casa
  • Proibição de eventos que possam gerar aglomeração

“Setor de alimentos se mantém aberto, menos bares e restaurantes. Bancos mantidos, transporte público apenas para deslocamento de atividades essenciais. Energia, gás, petróleo são essenciais… Lavanderias, serviços de TI, dados, imprensa, comunicação e serviço público se mantêm”, explicou o secretário estadual de Saúde, Carlos Eduardo Amaral.

Situação alarmante

Nas últimas 24 horas, o estado registrou 6.565 diagnósticos positivos do novo coronavírus e 227 mortes. Agora, o estado contabiliza 893.645 casos confirmados e 18.872 óbitos. O número de pacientes recuperados chegou a 814.932 e os em acompanhamento 59.841. Todos os 853 municípios já registraram a doença. Os dados são do Boletim Epidemiológico da SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais) de hoje.

Em Belo Horizonte, cidade que não adere ao programa Minas Consciente, as restrições também podem ficar mais rígidas devido ao avanço dos indicadores da doença. Nesta tarde, às 16h, o Comitê de Enfrentamento à Epidemia da Covid-19 de BH se reúne com o prefeito Alexandre Kalil (PSD) para definir se haverá novo recuo na flexibilização das atividades.

Vacina

Uma nova remessa de vacina contra a Covid-9 chegou no Aeroporto de Confins no começo da manhã. Zema informou pelas redes sociais que o estado recebeu 285.200 doses. “A 6ª remessa já foi encaminhada para a Central de Rede de Frio e será destinada às regionais de Saúde”, publicou o governador.

Em Minas Gerais, 635.176 pessoas já receberam a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Já a segunda – e última – foi aplicada em 274.501 mineiros, conforme dados disponibilizados no Vacinômetro, plataforma do Governo de Minas. Veja a relação dos grupos vacinados até esta manhã:

  • Trabalhadores de Saúde

1ª dose – 474.093 / 2ª dose – 232.055

  • Idosos

1ª dose – 28.117 / 2ª dose – 19.460

  • 90 anos ou mais

1ª dose – 79.824 / 2ª dose – 13.547

  • Entre 80 e 89 anos

1ª dose – 43.268 / 2ª dose – 2.448

  • População indígena aldeada

1ª dose – 6.549 / 2 ª dose – 4.860

  • Pessoas com deficiência em residências inclusivas

1ª dose – 3.325 / 2ª dose – 2.131

Edição: Thiago Ricci
Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco na editoria de Esportes no BHAZ.

Comentários