Prefeito mineiro se irrita com moradores que pediam abertura do comércio

prefeito de patos de minas discutindo com manifestantes
Manifestantes pediam a reabertura do comércio na cidade (Reprodução/Instagram/@vireijornalista)

O prefeito de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, se irritou com manifestantes que reivindicavam a reabertura do comércio no município. Nesta quinta-feira (4), Eles pediram a retomada das atividades e Luís Eduardo Falcão (Podemos) perdeu a paciência, chegou a jogar a própria máscara no chão e gritou que “o problema é 15 dias com 300 casos”.

O momento da discussão foi gravado ao vivo pela TV Parnaíba, filiada da Record. “Isso não funciona [fechamento do comércio]”, reclamou uma das manifestantes. “A culpa agora é minha? É minha? O problema é 15 dias com 300 casos. Não é igual a 2020 inteiro com 10 casos, não”, rebateu o prefeito.

Patos de Minas é uma das cidades do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba que entraram na lista da “onda roxa” – o chamado lockdown –, iniciada nesta quinta em duas regiões do estado. Entre as rigorosas medidas que deverão ser adotadas estão toque de recolher e restrição de circulação dos moradores. A medida foi anunciada pelo governador Romeu Zema (Novo) na tarde de terça-feira (3).

O que diz a prefeitura?

Em nota (leia na íntegra abaixo), a Prefeitura de Patos de Minas afirmou que “respeita o direito à liberdade de expressão e acolhe as manifestações quando feitas de maneira respeitosa e ordeira”. A tendência era que o município retomasse as atividades comerciais aos poucos, mas os planos tiveram que mudar com o anúncio da onda roxa.

“o Governo estadual trouxe uma medida impositiva, não cabendo ao poder local o direito de escolha neste momento”, diz trecho da nota. A prefeitura reforçou ainda que “o combate ao coronavírus exige esforços de todos, e agora cabe a cada um respeitar as medidas para, o mais breve possível, vencermos este momento”.

Durante anúncio do fechamento, Zema reforçou que todas as cidades das regionais que se enquadrarem na onda roxa serão obrigadas a adotar as medidas, independentemente se, porventura, uma ou outra apresentar números mais amenos. “Nos casos de Uberlândia e Patos de Minas, cidades-pólo das regiões, os prefeitos tomaram medidas restritivas, mas não é o suficiente se as cidades do entorno continuam produzindo e enviando pacientes para lá”, disse.

Nota da prefeitura na íntegra

A Prefeitura de Patos de Minas respeita o direito à liberdade de expressão e acolhe as manifestações quando feitas de maneira respeitosa e ordeira. O momento é delicado para todos, e nunca foi e continua não sendo o desejo da atual gestão interferir no trabalho e rotina da população e do comércio. Contudo reduzir a circulação das pessoas, até o avanço mais efetivo da vacinação, ainda é a medida mais eficaz para frear o aumento de casos de Covid-19.

Os números começam a mostrar que as medidas mais restritivas do Decreto Municipal 5.001, de 16 de fevereiro, surtiram efeito positivo sobre o cenário epidemiológico. A tendência era começar a retomar as atividades gradativamente, para não desperdiçar o sacrifício feito por todos durante os últimos 15 dias.

No entanto o Governo estadual trouxe uma medida impositiva, não cabendo ao poder local o direito de escolha neste momento. A atual gestão vem, desde o início, investindo na ampliação e estruturação da rede municipal de saúde, tanto que triplicou o número de UTIs no Hospital de Campanha e contratou dezenas de profissionais.

Tem, ainda, fortalecido a fiscalização e aplicado as vacinas nos públicos prioritários num esquema cuidadosamente preparado a partir do esforço conjunto das equipes de saúde. O combate ao coronavírus exige esforços de todos, e agora cabe a cada um respeitar as medidas para, o mais breve possível, vencermos este momento.

Edição: Giovanna Fávero
Jordânia Andrade
Jordânia Andradejordania.andrade@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde outubro de 2020. Jornalista formada no UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) com passagens pelos veículos Sou BH, Alvorada FM e rádio Itatiaia. Atua em projetos com foco em política, diversidade e jornalismo comunitário.

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