Desempregado, sem alimento, e com um bebê em casa: ‘Desesperador’

pai desempregado sem alimento com filho
Taylon vende bala em semáforos de BH para comprar alimento para o filho (Luciano Dias/Arquivo pessoal)

Desempregado, sem alimento, sem auxílio do governo, e com um menininho de 2 anos em casa, Taylon Lustosa, um rapaz de 26 anos, tenta colocar comida na mesa vendendo bala em sinais de Belo Horizonte. O jovem, que já foi dependente químico e alcoólatra, carrega consigo uma história de superação, mas não se considera um caso exatrordinário: “Eu sei que a minha história é mais uma perante várias outras famílias”.

Taylon explica que ele e a sua esposa estão desempregados. O aluguel e as contas estão atrasadas e até mesmo a alimentação falta em casa. “A situação é emergencial, nós realmente estamos com um pouco de dificuldade, aluguel atrasado, contas atrasadas, às vezes falta até alimentação, tanto pro neném quanto pra gente… Mas nossa preocupação maior na realidade é com o neném, que também precisa de fralda”, relata ao BHAZ.

Essa situação levou o jovem a vender doce nas ruas, cada vez mais pacatas, da capital mineira. “Justamente por isso eu tomei essa atitude de vender bala no sinal, porque eu precisava fazer algo, porque está cada vez mais difícil você conseguir se empregar, você conseguir uma oportunidade”, lamenta.

Ele conta o dinheiro que tira, aproximadamente R$ 60, consegue aliviar um pouco. “Eu precisava fazer algo, e vender bala foi uma das alternativas que eu encontrei pra pelo menos conseguir apagar alguns incêndios, mas que é às vezes um arroz, um feijão, um pedaço do aluguel, comprar uma fralda, leite, Mucilon [cereal infantil]”, revela.

“Todo dia é uma descoberta”.

Sem auxílio

O jovem relata que no início da pandemia conseguia sobreviver com um pouco mais de tranquilidade. A esposa, consultora de cosméticos, conseguia revender os produtos e o auxílio governamental complementava a renda da família. “Com o auxilio do governo, conseguíamos o básico do básico do básico. Conseguíamos pagar aluguel, arroz e feijão e fralda pro neném. No início tínhamos mais recursos, e, quando veio o auxílio, conseguimos nos manter., E a gente viveu assim”, conta.

A retirada da ajuda do governo foi um ponto decisivo na vida dos três. “Com a retirada do auxílio foi que piorou de vez, é que as coisas afetaram mesmo, aluguel atrasou, conta… Foi extremamente desesperador. Foi quando entramos na pior fase mesmo”, lamenta.

O isolamento domiciliar também representa uma dificuldade para a família, que divide uma casa com dois cômodos. Com isso, o pai decidiu levar o filho com ele para a rua. “Nós moramos em uma casa de dois cômodos, esse é um dos motivos que eu levo ele comigo. Você imagina para uma criança com energia explosiva – que tem energia pra dar e pra vender. Para a gente é difícil, entediante, estressante, imagina para uma criança que quer se divertir, não poder sair, não poder fazer nada”, analisa.

Por sorte, a criança ainda consegue se divertir na busca por alimento com o pai. “Ele adora ver carro, ama barulho de moto… Levo ele para que ele se divirta ao longo dos caminhos”, diz.

Dependência

Hoje desempregado, o jovem trabalhava em uma barbearia. “Eu era barbeiro, gostava da profissão, era uma coisa que eu fazia com muito amor”, conta. Até um ano e meio atrás, Taylon também era dependente químico e alcóolatra. Ele conta que conseguiu se libertar do vício, com estudo e a ajuda da esposa. “Para sair, eu estudei bastante, para entender por que eu sentia aquilo. Às vezes era muito mais desejo de ficar bebendo, usando droga do que ficar com minha família”, relata.

Com a sobriedade, o jovem encontrou um novo propósito de vida e deseja ajudar as famílias de dependentes químicos. “Graças a Deus a minha esposa teve muito amor por mim, se dedicou à nossa família. Eu tenho um propósito muito grande, eu venho de uma família humilde, e encontrei estudos que ensinam familiares a resgatarem pessoas do alcoolismo e da dependência química”, explica.

“Só quem vive com um familiar que é dependente químico, alcoólatra, sabe o quanto é sofrido. Desesperador você ver alguém que você ama se degradando, se destruindo, e devastando a família. Eu já cheguei a ser preso por causa disso, todas as vezes que eu lembro bate uma angústia e vontade de gritar que existe uma maneira sim de você conseguir resgatar quem você ama das drogas, das bebidas – mas muitas pessoas desconhecem”, revela.

“Hoje, meu sonho na verdade é conseguir ter voz para expandir essa mensagem de esperança. Divulgar o meu trabalho, o método que desenvolvi baseado em estudos para ajudar os familiares que tem problema com dependência química e alcoolismo”, diz. O sonho, contudo, precisa ser adiado para suprir as necessidades básicas. “Mas no momento a gente não está conseguindo nem pagar aluguel, comprar alimento pra dentro de casa, quem dirá investir em alguma coisa”, lamenta.

“Eu gostaria de conseguir fazer com que isso chegue a inúmeras famílias que estão pedindo socorro quanto eu, que estou pedindo socorro por não ter alimento dentro de casa”, finaliza.

Vamos ajudar?

Taylon e a sua família estão abertos para qualquer tipo de doação. Quando tem tempo, o jovem divulga um pouco mais sobre o seu trabalho com familiares de dependentes químicos em sua rede social.

  • @taylonlustosa
  • Celular: 31 98540-2267
  • Pix: 12532647671

Edição: Thiago Ricci

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