Covid-19: Minas registra 486 mortes em 24 horas e alcança novo recorde

cemitério
Ao todo, o estado já contabiliza mais de 25 mil mortes (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Minas Gerais alcançou nesta sexta-feira (2), um novo recorde de mortes causadas pela Covid-19. Apenas nas últimas 24 horas, o estado registrou 486 óbitos, conforme o boletim epidemiológico mais recente, divulgado pela SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais), divulgado nesta manhã. Ao todo, 25.214 vidas já foram perdidas para a doença no estado.

Além disso, Minas já tem 1.147.578 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus – mais de 11 mil desses registrados apenas no último dia. Outras 97 mil suspeitas de Covid-19 estão em acompanhamento pelo estado e podem contribuir para o agravamento ainda maior dos números.

Em entrevista coletiva na última quarta-feira (31), o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, já havia explicado a situação tensa e comentado o aumento nos índices de mortes. O óbito é o indicador mais tardio. Quando vemos esse óbito se elevando, isso é reflexo de casos de pessoas que se internaram há cerca de duas semanas. Veremos um aumento de óbitos nessas regiões ou pelo menos uma constância neles, mas daqui a pouco eles irão cair”, pontuou. “Nossa ocupação de leitos está cada vez mais próxima de 100%. É um cenário nunca antes vivido pelo estado. É o pior momento da pandemia”, disse.

Riscos ainda maiores no feriado

Apesar do cenário no estado seguir em uma escalada preocupante, é possível ficar ainda pior nas próximas semanas. Tudo vai depender do comportamento da população durante o feriado da Semana Santa. Fábio Baccheretti ressaltou que Minas Gerais nunca viveu um momento tão grave da pandemia e que, por isso, é essencial que as medidas impostas pelas autoridades sejam seguidas à risca durante os próximos dias.

“Feriados sempre foram experiências muito ruins em relação à pandemia. Em outros momentos a incidência se elevou duas semanas após os feriados. A nossa expectativa é diferente [na Semana Santa], uma vez que estamos na onda roxa, os hotéis não funcionam, há restrições de circulação nos horários noturnos e apenas o essencial fica aberto. O papel de cada um é que vai determinar o sucesso ou não deste momento”, afirmou o secretário.

Ainda segundo o líder da pasta, “qualquer reunião familiar que aglomere pessoas aumenta em muito o risco de contaminação”. “A gente entende o momento que cada um vive, mas não há tempo de arrependimento. O vírus vem circulando de forma intensa na sociedade. Fique em casa, fique com seu núcleo familiar, não vá à casa de parentes, não receba amigos. Não é época para isso, é época de um esforço conjunto para preservar vidas”, alertou Baccheretti.

Onda roxa

O secretário também apresentou a evolução da doença no estado desde a implantação da onda roxa em todas as regiões mineiras, há 15 dias. Segundo ele, é possível observar queda na incidência da covid nas regiões que mais cumpriram as recomendações da fase mais restritiva do Minas Consciente. No entanto, ainda é necessário manter o isolamento para que os números reflitam em queda de ocupação de leitos e número de mortes.

De acordo com o secretário, é possível observar melhora nos índices em regiões que iniciaram primeiro a onda roxa, há 30 dias, e que cumpriram as medidas de isolamento, como a macrorregião Triângulo do Norte e a microrregião de Patos de Minas. Elas vão evoluir para a fase vermelha a partir da próxima segunda-feira (5/4). Segundo Baccheretti, o resultado confirma a efetividade da ação.

“As regiões que estão progredindo para a vermelha mostram que a onda roxa é um sucesso. Devemos ver, daqui a pouco, esses indicadores regredindo no estado como um todo. As regiões em que há maior sensibilização da população e maior empenho da gestão municipal estão colhendo frutos de forma mais rápida. E, assim, conseguimos progredir diante do Minas Consciente”, completou.

Kit intubação

A maior preocupação da Secretaria de Estado da Saúde, hoje, é em relação ao estoque de medicamentos do chamado kit intubação, necessário para realizar o procedimento. Segundo o secretário, esse é o maior gargalo para a abertura de novos leitos.

“Ainda não recebemos todo o quantitativo prometido para o Estado. O que mais vem nos preocupando é a lentidão da distribuição desses medicamentos pelo governo federal. Neste momento, a gente vem distribuindo a conta-gotas porque não termos grande estoque. Temos para garantir três dias de medicamento. É uma situação muito complexa”, afirmou Baccheretti, citando que há expectativa de recebimento dos insumos nos próximos dias pelo Ministério da Saúde.

Com Agência Minas

Edição: Vitor Fernandes
Giovanna Fávero
Giovanna Fáverogiovanna.favero@bhaz.com.br

Repórter no BHAZ desde outubro de 2019. Jornalista graduada pela PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) e com atuação focada nas editorias de Cidades, Guia e Cultura.

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