Covid-19: Secretário de Saúde de MG diz que abril será mês ‘muito duro’ e faz alerta

Secretário de Saúde dando entrevista
Baccheretti pediu para população seguir normas sanitárias (Gil Leonardi/Imprensa MG)

“A gente ainda vai ter o mês de abril muito duro”. A fala do secretário de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, demonstra que a pandemia de Covid-19 ainda requer muito cuidado e as medidas de prevenção devem ser seguidas à risca. O gestor afirmou nesta terça-feira (6), à Itatiaia, que o estado segue com alta ocupação de leitos e que os indicadores “nunca foram tão críticos”. Ele ainda se mostrou contrário à realização de cultos e missas com fiéis (veja abaixo).

O secretário afirmou que o número de mortes tende a continuar crescendo nos próximos dias. Hoje, o estado registra 25.795 vidas perdidas em decorrência da Covid. “O último dado a reduzir é o óbito e ele tende a crescer. Ainda temos número grande de pacientes internados no CTI e a letalidade desta doença é acima de 50% em quem está internado no Centro de Terapia Intensiva. A tendência é do número [de mortes] continuar subindo”, disse.

Para que o número de infectados diminua, Baccheretti destacou a necessidade das medidas de isolamento serem seguidas e citou o governo Bolsonaro ao ser questionado se a postura vinda de Brasília afeta o enfrentamento da pandemia. “O discurso do governo federal, em não coordenar a pandemia, afetou todo o país em relação ao isolamento. Em Minas está beirando os 30% e no ano passado era 60%. É muito importante a coordenação e falas únicas”.

Cansaço e ‘abril duro’

A crescente dos casos tem submetido os profissionais da saúde ao estresse diário, já que os números de óbitos não param de crescer, assim como as rotinas desgastantes. “Eu faço exame de paciente Covid e falo que está todo mundo cansado e com estresse muito grande. Nunca um profissional assinou tanta declaração de óbito. Não existe folga de um leito, pois quando um sai, já tem outro esperando. É um momento muito difícil para o profissional”, disse.

O secretário citou a capital mineira que começa a apresentar redução na transmissão da doença, mas ressaltou que o último dado a apresentar queda será o de óbitos. “As mortes ainda demoram um pouco a cair de forma mais incisiva, porque o paciente demora cerca de 15 dias na permanência hospitalar. Então, todo mundo que entra hoje no hospital vai demorar cerca de 15 dias para evoluir a óbito ou para ter alta”.

O gestor da SES-MG reforçou, mais uma vez, a necessidade de respeitar as orientações sanitárias, pois abril vai ser “muito duro”. “Acredito que em maio a gente consiga ter uma queda mais significativas dos óbitos, mas vamos ainda variar com muitos óbitos no mês de abril inteiro”.

Igrejas com fiéis

A decisão do ministro Kassio Nunes Marques de liberar cultos e missas no país também foi alvo de indagação ao secretário de Saúde. Baccheretti recomendou que as pessoas evitem ir aos templos. “O nosso papel é tentar, ao máximo, convencer a população que não é o caminho nenhum tipo de aglomeração. Recomendo a não ir a culto e missa”, alertou.

Edição: Roberth Costa
Vitor Fórneas
Vitor Fórneasvitor.forneas@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política. Teve reportagens agraciadas pelo prêmio CDL.

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