‘Kassio Nunes deveria visitar uma UTI antes de permitir cultos’, diz Kalil

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Prefeito de BH criticou decisão do ministro Kassio Nunes (FOTO ILUSTRATIVA: Moisés Teodoro/BHAZ)

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), segue indignado com a decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autoriza celebrações religiosas mesmo em meio a medidas restritivas contra a Covid-19. Nesta quarta-feira (7), o mandatário da capital mineira disse que o ministro deveria visitar uma UTI (Unidade de Tratamento Intensiva) antes de permitir os cultos religiosos. No último sábado (3), Kassio Nunes havia derrubado os decretos municipais e estaduais que proibiam missas e cultos presenciais.

Na entrevista, concedida ao jornal O Globo, Alexandre Kalil disse estar “estarrecido” com a medida do ministro Kassio Nunes Marques, e apontou que as decisões devem ter como base a ciência e os dados. “Fiquei estarrecido com a decisão. Ela fere a lógica do que está acontecendo no país. Nós estamos ensacando corpo, são 4 mil mortes por dia”. O prefeito disparou: “Uma decisão judicial deveria estar embasada em dados, em ciência. Ou então vem cá num hospital, põe uma máscara e visita uma UTI antes de decidir”.  

Embora não concorde com a decisão, Kalil anunciou, no domingo (4), que a capital seguiria a ordem judicial dada pelo ministro. “Por mais que doa no coração de quem defende a vida, ordem judicial se cumpre. Já entramos com recurso e aguardamos a manifestação do Presidente do Supremo Tribunal Federal”, disse o prefeito de Belo Horizonte, em seu Twitter. Anteriormente, Alexandre Kalil havia dito que seguiria com o decreto municipal de proibir os cultos e as missas presenciais, mas recuou após conversa com o procurador-geral da capital.

‘Não tem eira nem beira’

Ainda na entrevista publicada hoje, Kalil afirmou que a decisão “não tem eira nem beira”, entretanto, apontou que desobedecer a decisão seria “desrespeitar a democracia”, e que ele não queria isso em seu currículo. Apesar de receber críticas de líderes religiosos, como Silas Malafaia, que chamou o prefeito de “bobalhão”, Alexandre Kalil rebateu: “Eu fui eleito. Eles tiveram quantos votos?”.

“Político com medo de crítica tem que mexer com outra coisa. Tenho couro grosso, isso aí não me incomoda em nada”, ponderou. Kalil disse ter consultado prefeitos e pastores de Belo Horizonte antes de suspender as celebrações religiosas presenciais, e afirmou que não houve reação contrária à medida. Ele disse que é um homem religioso, católico e devoto de Santa Rita, mas que “não tem lógica fechar o comércio e abrir as igrejas”.

‘Estou apavorado’

Mesmo com Belo Horizonte tendo uma queda nos indicadores de risco, como o fator RT – quantidade de pessoas que um infectado consegue contaminar – e a diminuição das taxas de ocupação de leitos, Kalil afirmou estar amedrontado. “Eu estou apavorado. Tenho filho médico, não vejo ele há 30 dias. Estou esperando a minha vacina”. O prefeito também comentou sobre o caso da falsa enfermeira que aplicou supostas doses de vacina contra a Covid-19 em moradores de um prédio de luxo da capital.

“Ainda bem que era água, né? Deram sorte que não era veneno. A história é escandalosa, mas também é de uma ingenuidade… Se para um carro e desce uma mulher de branco mandando arregaçar a manga pra vacinar, eu dou logo um bico nela. Você é doido?”, brincou Kalil.

Edição: Thiago Ricci
Andreza Miranda
Andreza Mirandaandreza.miranda@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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