Kalil convoca coletiva sobre a pandemia e infectologista adianta: ‘Entre a cruz e a espada’

Prefeito Alexandre Kalil usando máscara
Prefeito convocou coletiva para a próxima semana (Moisés Teodoro/BHAZ)

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), marcou uma entrevista coletiva para atualizar a população sobre a situação da pandemia do novo coronavírus na capital mineira. No encontro, marcado para a próxima segunda-feira (19), também será abordada a volta às aulas presenciais. A expectativa é de que uma nova flexibilização seja anunciada, já que a cidade não está mais na onda roxa do programa Minas Consciente.

A semana tem sido marcada por encontros do chefe do Executivo municipal com os médicos que integram o Comitê de Combate à Covid-19. Até o momento nenhuma decisão foi tomada. O grupo vem avaliando os indicadores da pandemia, bem como os estoques de medicamentos. Um infectologista ouvido pelo BHAZ disse que eles estão “entre a cruz e a espada”.

O anúncio da coletiva ocorreu um dia após Belo Horizonte voltar a registrar aumento na taxa de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em 24 horas. Agora, os leitos desta modalidade estão com 87,2% de ocupação e segue no nível vermelho. Em contrapartida, a ocupação nas enfermarias caiu para 65,4% – amarelo. O número de transmissão por infectado se manteve em 0,87 – verde.

Além de Kalil, participam da coletiva o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado, os médicos Unaí Tupinambás, Estêvão Urbano e Carlos Starling que integram o comitê. A entrevista deve ocorrer a partir das 14h no Salão Nobre da Prefeitura de Belo Horizonte.

‘Ideal era ficar em casa’

Conciliar a saúde e a economia da cidade durante a pandemia de Covid-19 está entre os principais desafios enfrentados pelos gestores. O médico Unaí Tupinambás compreende a pressão pela reabertura, mas explica o que seria o ideal. “O ideal era [a população] ficar em casa e recebendo auxílio emergencial. O que não é a gente falar para as pessoas ficarem reclusas sem recurso para sobreviver”.

O especialista e professor da UFMG defende o auxílio pago pelo governo federal no valor de R$ 600. “Quando falo em lockdown é com o valor do ano passado. Duzentos reais só vai trazer mais fome. Este é o grande problema e estamos entre a cruz e a espada, pois a prefeitura não tem poder de fogo para dar um auxílio neste valor que defendo”, destaca.

Enquanto o anúncio sobre o futuro da cidade não é divulgado, o comitê segue se reunindo. “Hoje teremos mais reunião. Estamos discutindo os números e os medicamentos em falta para intubação. Se o paciente precisa ser intubado e não tem os insumos necessários, é como uma tortura, pois a pessoa estará acordada com um tubo”.

Onda roxa

Belo Horizonte e outras regiões de Minas Gerais receberam a autorização do Governo de Minas para deixar a onda roxa, a mais restritiva durante a pandemia e que autoriza apenas o funcionamento do comércio essencial. Apesar disso, cabe a cada município optar por flexibilizar ou não as atividades.

Entre as restrições desta onda está a proibição d circulação de pessoas sem máscara em qualquer espaço público ou coletivo, ainda que privado. Confira o que também é vetado:

  • Circulação pessoas e veículos pra atividades não-essenciais;
  • Circulação de pessoas com sintomas de gripe, exceto para realização ou acompanhamento de consultas e exames médicos e hospitalares;
  • Qualquer tipo de evento público ou privado que possa provocar aglomeração;
  • Funcionamento de bares e restaurantes (permitido somente para delivery).

Inicialmente também foi implementando o toque de recolher das 20h às 5h e a proibição de reuniões presenciais, inclusive de pessoas da mesma família que não moram juntas. As duas medidas foram retiradas pelo governo estadual.

Edição: Roberth Costa
Vitor Fórneas
Vitor Fórneasvitor.forneas@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política. Teve reportagens agraciadas pelo prêmio CDL.

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