Kalil fala de vacinação e descarta diálogo com Bolsonaro: ‘Não me recebe’

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Prefeito afirmou que não há perspectiva de colaboração com o presidente (Moisés Teodoro/BHAZ)

O prefeito Alexandre Kalil (PSD) descartou a possibilidade de um diálogo mais próximo com o governo federal para combater a Covid-19. Em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (19), em que anunciou a reabertura do comércio na capital, o prefeito afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “não o recebe”. Kalil também rechaçou alternativas independentes para agilizar o ritmo da vacinação e as classificou como “perda de tempo”.

“Eu sou prefeito de Belo Horizonte. Se o governador de São Paulo não consegue, se o governador do Rio de Janeiro não consegue, se o Bolsonaro não me recebe… Só se eu conversar com ele por sinal de fumaça”, argumentou o prefeito sobre a possibilidade de um trabalho mais próximo com o chefe do Executivo.

Já sobre a adesão a iniciativas que visam complementar o programa de vacinação do Ministério da Saúde – como é o caso do consórcio para compra de vacinas liderado pela FNP (Frente Nacional dos Prefeitos) -, Kalil também afirmou que não as considera uma possibilidade viável para BH.

“Eu não perco tempo com isso mais, eu perdi tempo um ano e meio. Eu já conversei com ele mais de dez vezes”, afirmou, referindo-se ao presidente da FNP, Jonas Donizette. A PBH (Prefeitura de Belo Horizonte) chegou a aderir ao consórcio e tentar comprar vacinas para acrescer aos lotes distribuídos pelo governo federal, mas assim como todos que tentaram agilizar a vacinação de forma paralela ao trabalho do SUS (Sistema Único de Saúde), não conseguiu.

‘Mérito do governo federal’

Durante a coletiva, Kalil ainda aproveitou para reforçar o papel de cada esfera do poder no que diz respeito à distribuição e aplicação dos imunizantes. “Um esclarecimento muito importante para a população: com vacinas e insumos, o município, assim como o estado, é um mero repassador para a população. Aqui nesta cidade e neste estado, ninguém comprou nenhuma vacina e nenhum insumo”, disse.

O prefeito também fez um agradecimento público ao presidente do Congresso Nacional, o senador Rodrigo Pacheco (DEM), que, segundo ele, ajudou a viabilizar a entrega de novos insumos a BH. “Quero agradecer ao presidente do Congresso, que teve contato conosco e comigo, e depois colocou seu assessor em contato com o Jackson [Machado, secretário municipal de Saúde]”.

Kalil explicou que “segundo a secretaria, a influência de Rodrigo Pacheco foi muito importante para esses medicamentos chegarem aqui”. Além disso, também reconheceu o papel do governo federal na distribuição. “Quando ela [vacina] chega, mérito do governo federal, que pagou e mandou. E mérito do município e do estado, que simplesmente vacinou”, disse.

‘O que essa reabertura vai custar?’

Na ocasião, o prefeito também anunciou a retomada das atividades de boa parte do comércio da capital – o que, segundo ele, foi possibilitado pela queda nos indicadores de monitoramento da pandemia (veja detalhes aqui). Mesmo assim, Kalil alertou para os desafios da situação e garantiu que o “abre e fecha” do comércio “não acaba se não houver disciplina”.

“O que essa reabertura vai custar para a cidade? Não sabemos. Mas, pelos indicadores, pela perda de jovens, de primos, de amigos de jovens, nós não vamos brincar com essa pandemia e não adianta a pressão na PBH”, afirmou. O prefeito voltou a reforçar o discurso de que a situação que a capital encara agora ainda é de guerra.

“Nós estamos em uma guerra que foi iniciada há um ano e estamos passando, com vitórias e derrotas, por batalhas. Vamos acertar, vamos errar, mas sempre pensando na população de Belo Horizonte”, disse. Por fim, Kalil reforçou que o que define os rumos da cidade é a ciência: “Na PBH nunca houve achismo. Quando os infectologistas e o secretário de Saúde colocaram os números na mesa e mostraram que era uma temeridade, eu me rendi à ciência”.

Edição: Roberth Costa
Giovanna Fávero
Giovanna Fáverogiovanna.favero@bhaz.com.br

Repórter no BHAZ desde outubro de 2019. Jornalista graduada pela PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) e com atuação focada nas editorias de Cidades, Guia e Cultura.

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