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Colunas

Dois fatos novos que podem levar Bolsonaro à ‘investigação do fim do mundo’

18/05/2020 às 19h14 - Atualizado em 12/10/2021 às 21h48
Ministro Celso de Mello decidirá sobre publicidade do vídeo, foto Carlos Moura, SCO/STF

Dos dois fatos, o mais importante desta semana será a decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele deve ter começado a assistir, nesta segunda, ao vídeo da reunião ministerial de 22 de abril passado para avaliar se autoriza a divulgação ou não de seu conteúdo. Nessa reunião do dia 22, a última ministerial, Bolsonaro teria informado sobre a decisão de interferir na Polícia Federal a favor de si próprio e de sua família. A versão denúncia foi apresentada pelo ex-juiz Sérgio Moro, quando deixou o Ministério da Justiça no dia 24 de abril.

Se decidir pela divulgação completa da gravação, fica sinalizado que o inquérito poderá virar processo e se transformar naquilo que chamam, em Brasília, de ‘investigação do fim do mundo’, agravando a situação para o governo Bolsonaro.

De outra forma, o ministro poderá, em outra decisão, divulgar apenas os trechos do vídeo referentes à investigação em si (a acusação contra Bolsonaro, de interferir na PF). Aí, o clima será outro.

Ministro adia decisão sobre vídeo

O ministro recebeu hoje, da equipe da Polícia Federal, coordenada pela delegada Christiane Correa Machado, o pen drive que tem em seu conteúdo a gravação da reunião ministerial. “Após esse encontro, comecei, agora, a assistir ao vídeo, devendo liberar minha decisão até esta próxima sexta (22), talvez antes!”, disse o ministro, adiando a decisão prevista antes para esta segunda.

O segundo fato novo que poderá aumentar a tensão sobre Bolsonaro é a denúncia feita pelo empresário Paulo Marinho, que é suplente de senador de Flávio Bolsonaro, filho do presidente. No domingo (17), em entrevista à Folha de S. Paulo, Marinho contou que policial federal alertou Flávio Bolsonaro sobre investigação contra ele. E mais, que a operação teria sido adiada para não atrapalhar a eleição do pai dele, o atual presidente, em outubro de 2018.

Filho de Bolsonaro contesta denúncia

Flávio contestou as acusações feitas por Marinho. Disse que o empresário, como suplente, quer sua vaga no Senado. O filho mais velho do presidente disse que Marinho foi tomado pela ambição e trocou a família Bolsonaro pelos governadores João Doria (PSDB) e Wilson Witzel (PSC). “[Marinho] preferiu virar as costas a quem lhe estendeu a mão”, escreveu Flávio.

O empresário fez outras revelações que podem trazer novas provas e elementos à acusação de Sérgio Moro de que Bolsonaro quer interferir na PF para evitar investigação contra o filho. O que, nos desdobramentos, teria levado o presidente a manter o controle sobre as investigações para não deixar que, como disse, na reunião ministerial, “sacaneassem” com seus filhos. Aquilo que justificou na reunião, quando tratou o assunto, que estava preocupado com a segurança de familiares e de amigos. Três dias após a reunião ministerial, no entanto, as mudanças aconteceram no comando da PF e no Ministério da Justiça, com a queda de Moro, e não na tal segurança da família.

Apesar dos fatos novos, que podem ter forte influência, tudo dependerá da iniciativa do procurador geral da República, Augusto Aras, de oferecer ou não a denúncia contra Bolsonaro. Depois, em caso positivo, será a vez de os deputados federais autorizarem ou não o julgamento de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal.

Última reunião ministerial de Bolsonaro teve ‘sacanagem’, vídeo e mentiras

Orion Teixeira

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

Orion Teixeira

Email: orionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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