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Colunas

Com melhora na pesquisa, Bolsonaro pulou do 1º para 2º pior presidente

17/08/2020 às 09h23 - Atualizado em 12/10/2021 às 21h47

Não se pode negar que a junção de três fatores, cada um com origem própria, melhorou a imagem de Bolsonaro, tirando-a da incômoda posição de o pior presidente na história recente do país. Com um salto de 15 pontos, diretos e indiretos, o atual presidente passou a ser o segundo pior presidente após a redemocratização de 35 anos atrás (em 1985).   

A razão é que sua rejeição perdeu 10 pontos percentuais, dos quais cinco foram para a aprovação, de 32% para 37%. Outros quatro pontos ficaram com os que o consideram mais ou menos (regular), de 23% para 27%, e 1% foi para os que não sabem (veja abaixo mais sobre a pesquisa do Datafolha).

Com isso, o posto de campeão da rejeição volta para Fernando Collor (90/92), que teve 41% de ruim e péssimo. Na condição de segundo no quesito rejeição, Bolsonaro ainda fica atrás de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT).

Capitalizando o auxílio emergencial

Os motivos da mudança estão associados, em maior grau, ao auxílio emergencial dado pelo Governo federal durante a pandemia da Covid-19. Os apoiadores, agora, aprovam a medida, que surgiu pela iniciativa do Congresso Nacional, responsável pela elevação dos benefícios previstos pelo Executivo.

O presidente está capitalizando os impactos do auxílio emergencial do qual era contra; o governo queria R$ 200, mas o Congresso bancou os R$ 600. O vice-presidente Hamilton Mourão também creditou a melhora da avaliação ao auxílio emergencial e a linhas de crédito abertas para pequenas e micro empresas. Para o vice, essas políticas deram um “gás na popularidade do presidente”.

“Muito bom, né? Acho que são as medidas que o governo tomou para combater a pandemia surtiram efeito. As pessoas que estavam em situação, digamos assim, bem difícil porque eram trabalhadores informais e perderam a capacidade de ganhar o dinheirinho deles de cada dia, receberam esse recurso do ‘coronavoucher’ [auxílio emergencial]”, disse Mourão na sexta-feira (14).

Centrão trouxe estabilidade

Na outra frente, o governo se abriu ao então rejeitado Centrão, grupo de partidos sem distinção ideológica que atua como base no tradicional fisiologismo do toma-lá-dá-cá. Pela troca de cargos, ocupam o governo que passam a apoiá-lo.

Assim reconheceu o recém-escolhido líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR). Ele afirmou que o presidente Bolsonaro se articula com a política como ela é. “Nós tivemos um início de governo em que o presidente Jair Bolsonaro vinha numa dicotomia entre a velha política e a nova política. Se relacionou inicialmente com frentes parlamentares da Câmara e do Senado e nomeou ministros indicados por essas frentes”, disse Barros, acrescentando que “isso não teve efeito prático”.

“A partir de fevereiro, o presidente começou a dialogar com presidentes de partidos, com líderes partidários, e mudou o eixo da articulação política do governo”, acrescentou o deputado do PP paranaense. “É assim que funciona o Brasil”, diz Barros sobre distribuição de cargos.

Guedes fica na marca do pênalti

Ao provar o gosto da popularidade, Bolsonaro deverá buscar manter o apoio dos partidos do centrão e o pagamento do coronavoucher. Difícil, ele será convencer o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, a ficar no governo e a trocar o estilo liberal pelo de populista.

No terceiro fator favorável, Bolsonaro fechou a boca quando avançavam as investigações sobre seus filhos, em especial, o 01, senador Flávio Bolsonaro. Ele é acusado de liderar o esquema das ‘rachadinhas’, que recolhia percentual dos salários dos servidores de seu gabinete quando era deputado estadual no Rio.

Antes disso, o presidente estimulava ataques e pedidos de fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal em atos antidemocráticos de seus seguidores. Já não insinua mais nem o uso das Forças Armadas. Antes liderava o ataque direto às políticas de isolamento social da pandemia da Covid-19, que já chamou de “gripezinha”.

Pedidos de impeachment perdem força

Somando o apoio do centrão no Congresso Nacional e a mudança de postura as dezenas de pedidos de impeachment perderam força. Tudo somado, a pesquisa ainda aponta empate entre aprovação e rejeição, reafirmando a tendência de polarização política no país.

O instituto Datafolha entrevistou por telefone 2.065 pessoas nos dias 11 e 12 de agosto. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou menos.

LEIA MAIS: Maioria de BH reprova atuação de Bolsonaro e Zema na pandemia

Orion Teixeira

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

Orion Teixeira

Email: orionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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