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Colunas

STF expôs uso político da Justiça por Moro para ajudar a eleger Bolsonaro

26/04/2021 às 10h01 - Atualizado em 12/10/2021 às 21h43
gilmar mendes luis roberto barroso
Ministros Gilmar Mendes e Barroso duelam no STF (Fellipe Sampaio/SCO/STF + Carlos Moura/SCO/STF)

O debate pode incomodar a muita gente, especialmente a quem se iludiu com uma Operação Lava Jato, que acabou se perdendo em si mesma e em métodos que contrariam o próprio estado de direito. A Lava Jato julgou ser mais uma instância e definitiva no sistema de Justiça. No máximo, aceitavam que suas decisões passassem pela 2ª instância para que condenações fossem efetivadas, ignorando a 3ª instância e a 4ª instância, que é o Supremo Tribunal Federal (STF).

Por que? Não confiavam no Supremo tribunal federal? Ou na Constituição Federal, que diz, em seu artigo 5º, que o processo termina após o chamado trânsito em julgado. Ou seja, na última instância, como garantia do direito de defesa e à presunção da inocência. Pois bem, atropelaram tudo isso e, na quinta (22), tiveram novo encontro com a realidade e com o sistema de justiça brasileiro.

O STF já formou maioria, na quinta (22), para confirmar que o ex-juiz federal Sérgio Moro parcial ao condenar o ex-presidente Lula (PT) na ação do triplex do Guarujá. O placar está em 7 a 2 e faltam dois votantes. A posição do plenário é mais uma vitória do petista.

Condenação rápida tirou Lula da disputa

Na ação do triplex, Lula foi condenado por Moro a nove anos e seis meses de prisão, acabou enquadrado pela Lei da Ficha Limpa e foi afastado da corrida presidencial nas últimas eleições.

Desde o dia 8 de março, a República vive sobressaltos após a decisão ministro Edson Fachin, ao anular as condenações de Lula. Determinou ainda o envio de quatro ações penais para a Justiça Federal do DF. Na prática, a decisão, que foi parcialmente chancelada pelo plenário, tornou o petista elegível e apto a disputar as eleições de 2022.

Além da insegurança jurídica que isso pode gerar, uma decisão que é anulada por falta de competência daquela instância que condenou, ainda colocou sob suspeição o ex-juiz federal Sérgio Moro. O ex-juiz chegou a ser citado como modelo e exemplo de justiça e de enfrentamento à corrupção, mas fica, cada vez mais exposto, que o objetivo não era só fazer justiça, mas política.

Quais os efeitos? Tiraram o ex-presidente Lula das eleições de 2018, e o ex-juiz não teve nem o cuidado em disfarçar isso. Tanto é que aceitou o cargo de ministro da Justiça do governo eleito sob o argumento da continuidade ao combate à corrupção. Quando começou a incomodar, Bolsonaro o demitiu e, hoje, são adversários e rompidos.

Oportunidade perdida

O que fica claro é que é muito ruim quando se extrapola o protagonismo e a mistura com interesses políticos que colocam, hoje, a operação lava jato sob suspeição. Mais uma oportunidade perdida de passar o país a limpo.

A posição do plenário é mais uma vitória do petista. Na ação do triplex, Lula foi condenado por Moro a nove anos e seis meses de prisão, acabou enquadrado pela Lei da Ficha Limpa e foi afastado da corrida presidencial nas últimas eleições.

Debate gerou bate-boca entre ministros

Não foi uma decisão tranquila apesar do placar alargado. Ministros bateram boca pelos conceitos, opiniões e convicções divergentes de um e de outro.

Defensor da Lava Jato, o ministro Luís Roberto Barroso discordou. “O julgamento da Segunda Turma é nulo após o relator ter extinguido o processo. Se o juiz é incompetente, nem se prossegue no exame da suspeição. Ignorar, atropelar o relator não tem precedente na história deste tribunal. E isso sim que está errado. A maneira certa de reformar decisão é no órgão competente e não no grito”, afirmou.

Barroso acusou Gilmar de “sentar” em cima do processo por dois anos, em referência ao fato de o magistrado ter pedido vista e devolvido o caso para julgamento logo após a decisão individual de Fachin.

“Não precisa vir com grosseria. Existe no código do bom senso. Se um colega acha uma coisa e outro acha outra, é um terceiro que tem de decidir. Vossa Excelência sentou na vista durante dois anos e depois se acha no direito de ditar regra para os outros”, disse Barroso.

Gilmar, por sua vez, disse que Barroso agia com “moralismo” e que a previsão regimental de retirar um caso da turma e remeter ao plenário, como ocorreu no caso de Lula, só pode existir se for no “código dos russos”. “Vossa Excelência perdeu, perdeu”, afirmou Gilmar.

Orion Teixeira

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

Orion Teixeira

Email: orionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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