TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp
Logomarca BHAZ

Colunas

Bolsonaro tem três saídas: Impeachment, dar golpe ou sangrar até 2022

29/06/2021 às 20h26 - Atualizado em 12/10/2021 às 21h42
irmãos miranda
Os irmãos Miranda, deputado federal e servidor federal, se abraçam na CPI (Pedro França/Agência Senado)

Após ser alertado há três meses, somente, agora, quando a denúncia chega à CPI da Covid, Bolsonaro aciona a Controladoria Geral da União e manda suspender o contrato da vacina Covaxin. Indício de que, não fosse a CPI, não teria tomado providência contra denúncias de irregularidades na compra do imunizante indiano. Na tipificação criminal da improbidade administrativa, dá-se o nome a isso de prevaricação.  

Contra esses riscos, ele ‘toma a vacina’, embora descrê da ciência, da mudança de narrativa. Depois do “eu que mando”, de “um manda, o outro obedece”, Bolsonaro, agora, tenta se safar da acusação de prevaricação dizendo que “não sabe tudo o que acontece nos ministérios”. Essa última manifestação soa também como confissão de quem admite a possibilidade de corrupção em seu governo.

Essa reação foi manifestada pelo presidente depois que os irmãos Miranda (deputado federal e o servidor do Ministério da Saúde) revelaram à CPI da Covid que o alertaram sobre a irregularidade. Contaram ao presidente, no dia 20 de março, que havia esquema bilionário de desvio de recursos para compra de vacina Covaxin sem aval da Anvisa e a um preço maior que de outras.

O que é prevaricação?

Embora conteste as denúncias de irregularidades em torno da compra da vacina indiana Covaxin, o governo suspendeu temporariamente o contrato nesta terça (29). No entanto, o caso virou prioridade da CPI no Senado.

“Não tenho como saber o que acontece nos ministérios, vou na confiança em cima de ministro, e nada fizemos de errado”, disse Bolsonaro a seus seguidores. Em nenhum momento, porém, contradisse as revelações feitas pelos irmãos Miranda que levaram a denúncia para ele, mas, tudo indica, que o presidente nada fez. Daí a suspeita de prevaricação.

A prevaricação é um crime contra a administração pública e ocorre quando o agente público deixa de agir, nem toma providência, diante do conhecimento de irregularidade.  

Bolsonaro reconheceu ter recebido a visita do deputado federal Luis Miranda e seu irmão, mas afirmou que “aqui vem tudo quanto é tipo de gente”. “Não posso falar: ‘Você é deputado, deixa eu ver tua ficha aí’. Eu ia receber pouca gente. Recebo todo mundo”, disse. E daí?

“Corrupção? Aqui não, ok!”

O presidente descarta vinculação e contaminação de seu governo com a corrupção. “Agora, os caras botam a narrativa ‘a vacina fissura o governo Bolsonaro no tocante à corrupção'”, afirmou o presidente, que alegou que nenhuma vacina foi de fato comprada.

Além desse desconhecimento de Bolsonaro, seu líder no Senado, Fernando Bezerra (MDB/PE), tentou ajustar outro discurso em nova versão da narrativa. Disse na CPI que o presidente teria avisado o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello a respeito da suspeita de superfaturamento na compra de vacinas Covaxin.

“O presidente da República entrou em contato com o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no dia 22 de março de 2021, segunda-feira, a fim de solicitar realização de uma apuração preliminar acerca dos fatos relatados contra o contrato de compra da vacina Covaxin”, disse Bezerra nesta terça (29). Detalhe, no dia seguinte, 23 de março, Pazuello fora demitido do cargo por incompetência e não corrupção.

Notícia-crime já está no STF

Na segunda passada (28), senadores apresentaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) notícia-crime contra o governo por suposta prevaricação. A notícia-crime contra Bolsonaro foi protocolada pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Jorge Kajuru (Podemos-GO) e Fabio Contarato (Rede-ES). A ministra Rosa Weber foi escolhida, por meio eletrônico, para relatar o pedido feito por três senadores de investigação envolvendo a compra da Covaxin.

Segundo os parlamentares, em depoimento prestado à CPI da Pandemia, na semana passada, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda afirmou ter sofrido pressão incomum de seus superiores para finalizar a tramitação da compra do imunizante, além de ter conhecimento supostas irregularidades no processo.

A CPI da Covid também será prorrogada por mais 90 dias após o apoio de 27 senadores para apurar mais essa denúncia. Com o prazo inicial de 90 dias, a comissão está programada para encerrar no dia 7 de agosto. Para estender esse prazo, segundo Regimento do Senado, o requerimento tem que ter assinatura de um terço dos membros do Senado (27).

Prorrogação adia sangramento

No pedido apresentado, o senador Randolfe Rodrigues afirmou que o prazo atual seria insuficiente e afirmou ser “imperativo” prorrogar as atividades. Ele lembrou que o colegiado tem “desvendado esquemas de corrupção e de favorecimento” de determinadas empresas com recursos destinados ao combate à pandemia da covid-19. “Servidores sofreram pressões não republicanas para flexibilizar a importação da Covaxin. Depoentes apontaram que até o presidente da República foi alertado das irregularidades e, ao invés de apurá-las, as creditou ao próprio líder do governo da Câmara dos Deputados. É um escândalo que precisa ser apurado om a gravidade correspondente.”

A apuração do caso da vacina indiana pode comprometer ainda Bolsonaro. Com a prorrogação da comissão, o governo ficará pautado e sobressaltado pelos rumos da CPI. Com a investigação do STF, poderá levar o presidente ao impeachment,  à tentativa de dar um golpe para se manter no poder ou sangrar até o final de sua gestão.

Seu líder na Câmara, Ricardo Barros (PP), foi arrolado pelo próprio Bolsonaro na conversa que teve com os irmãos Miranda. Bolsonaro não contestou essa versão, e Barros deverá ser chamado a depor na CPI para esclarece seu envolvimento. Se a coisa apertar, Bolsonaro poderá jogá-lo às feras.

Zema diz ‘não’ a Bolsonaro

Até o governador Romeu Zema (Novo), até então aliado, começa a negar e a constranger o presidente. O governador mineiro criticou, por exemplo, a possibilidade de motociata de Bolsonaro em Belo Horizonte. Zema afirmou que não participará desse possível evento na capital.

“Eu não sou nenhum adepto de motociclismo e vejo que num momento de pandemia esse tipo de aglomeração, mesmo que tenha pouco risco, é inadequado. Nós precisamos, como governantes, dar exemplo de que precisamos estar vivendo com um pouco mais de segurança neste momento em que as pessoas estão morrendo, e qualquer ação que provoca aglomeração, na minha visão, não é adequada nesta altura do campeonato”, afirmou o governador.

Orion Teixeira

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

Orion Teixeira

Email: orionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem. É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

Mais lidas do dia

Adolescente morre em incêndio após briga familiar no Piratininga, em BH

foto do local onde houve um incêndio que deixou uma pessoa morta no piratininga, bh

Os 50 bairros com mais furtos e roubos de carros em BH

Pesquisa Quaest Senado Minas Gerais: quatro candidatos disputam duas vagas

datafolha senado minas gerais

Veja lista com todos os candidatos a deputado estadual em Minas Gerais

VÍDEO: Mulher é agredida com ‘voadora’ no Centro de BH

Leia mais

Siga o BHAZ nas redes sociais

TikTok
YouTube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp
Logo BHAZ