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‘Existe só pra lembrar’: Artista de BH faz exposição com 300 chaveiros colecionados pelo pai

03/07/2024 às 18h13
exposição de chaveiros mama cadela
Exposição de chaveiros no espaço Mama Cadela foi criada pela artista Marília Lima (Divulgação/@naommih_)

A ressignificação de um relacionamento pode ocorrer de diversas formas. Requer tempo, disposição e, sobretudo, vontade. Até mesmo uma coleção de objetos, como chaveiros, pode iniciar o processo de troca da dor pelo carinho.

Este foi o caminho seguido pela estudante de Artes Visuais de BH, Marília Lima, ao fazer uma instalação com os chaveiros que pertenciam ao pai dela. “Existe só pra lembrar” está disponível no espaço Mama Cadela, no Santa Tereza, com cerca de 300 chaveiros guardados pelo pai da jovem ao longo da vida.

Marília Lima mora em Belo Horizonte, estuda Artes Visuais na UFMG e está no terceiro período. O pai, Laércio Lima Pereira, trabalhava ajudando a esposa na costura e faleceu de Covid-19. Segundo a jovem, a relação dela com o mais velho não era muito boa.

“No fim da vida dele as coisas foram difíceis por vários motivos, e foi muito doido passar por todas essaas coisas, mas nós cuidamos dele. Eu acho que depois de um tempo, o luto me mostrou muitas coisas, a morte do meu pai mudou muito minha vida”, conta ao Rolê BHAZ.

Pai escondia chaveiros da família

A estudante relata que o pai adquiriu os chaveiros em vários lugares onde trabalhou. “Ele trocava chaveiro. Desde muito novo ele fazia essas coleções com os amigos dele, ele gostava muito dessas coisas”.

Laércio tanto gostava dos chaveiros que não deixava ninguém da família encostar neles, e raramente os exibia. “Ele guardava e nunca mais a gente via, ficava longe. E tem pouco ainda [na instalação], eu dei alguns para os meus amigos”, revela Marília.

Quando a Covid-19 levou a vida do pai da estudante, aos 64 anos, a herança deixada por ele foram as coleções de objetos que ele fazia. “A herança que o meu pai deixou e que a gente não consegue se desfazer são as coisas que ele tinha carinho de guardar”. diz a jovem.

Instalação de chaveiros ‘Existe só pra lembrar’ (Divulgação/@naommih_)

‘Lembro de algumas coisas boas’

“Eu acho que eu ainda tenho carinho, mesmo nas relações muito difíceis. Ver os chaveiros e ficar relembrando dele, eu lembro de algumas coisas boas disso tudo, e acho que o objeto, o chaveiro tem essa coisa de ser um objeto que é feito para te lembrar de uma coisa”.

Além da memória do pai, os chaveiros despertam a lembrança nas pessoas que visitam a instalação no espaço Mama Cadela. “Na exposição, algumas mulheres mais velhas e outros senhores também falaram para mim, ‘eu lembro disso aqui, lembro desse chaveiro, eu tinha esse'”.

“Algumas senhoras explicaram coisas que eu nem sabia sobre os chaveiros, é uma coisa nostálgica para mim e também para muitas pessoas. Tinha gente que estava mandando a foto de vários chaveiros no zap da família e todo mundo tava comentando. Foi uma coisa muito sobre memória”.

Chaveiro colecionado pelo pai de Marília (Divulgação/@naommih_)

A instalação Existe só pra lembrar ficará disponível no Mama Cadela até o dia 28 de julho, compondo a Divera Exposição 1.000 Grau. A iniciativa tem oficinas, rodas de conversa e atividades com outros artistas da cidade. Os ingressos custam R$ 10 e estão disponíveis neste link.

Anota aí:

Existe só pra lembrar
Data: até o dia 28 de julho, com visitação aos finais de semana
Endereço: Mama Cadela | Rua Pouso Alegre, 2048 – Santa Tereza
Ingressos: https://shotgun.live/pt-br/events/divera-exposicao-1000-grau

Anota aí!

Andreza Miranda

Graduada em Jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2020. Participou de duas reportagens premiadas pela CDL/BH (2021 e 2022); de reportagem do projeto MonitorA, vencedor do Prêmio Cláudio Weber Abramo (2021); e de duas reportagens premiadas pelo Sebrae Minas (2021 e 2023).

Andreza Miranda

Email: andreza.miranda@bhaz.com.br

Graduada em Jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2020. Participou de duas reportagens premiadas pela CDL/BH (2021 e 2022); de reportagem do projeto MonitorA, vencedor do Prêmio Cláudio Weber Abramo (2021); e de duas reportagens premiadas pelo Sebrae Minas (2021 e 2023).

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