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BYD Shark é a primeira picape híbrida a venda no Brasil

29/10/2024 às 17h44

Modelo médio chinês se destaca por baixo consumo e ótimo desempenho ao mesmo tempo. Com o slogan “potente como o agro”, a Shark foi lançada em Goiânia, a capital do estado com a maior produtividade agrícola por hectare do nosso país. Não por acaso, unidade pertencente ao centro-oeste brasileiro, região com a maior frota de picapes, também. Em evento grandioso no autódromo Ayrton Senna, influencers, autoridades, parceiros e executivos da marca se revezaram para enaltecer a montadora, a atualidade política de Goiás e as vantagens oferecidas por essas empresas associadas, mas quase nada informaram sobre as inúmeras qualidades técnicas do produto.

A picape BYD Shark tem um design bem moderno, com linhas mais quadradas – Foto: BYD/Divulgação

Em volta única na pista, e outra em um lamaçal, foi possível ter uma ideia do resultado de tanta característica moderna concentrada em um tipo de veículo que, normalmente, costuma ser mais “raiz”, carregar arquitetura e mecânica mais antigas, pois as picapes não evoluem tanto como os carros.

Concepção diferente

Está aí o grande trunfo da Shark, ter uma concepção totalmente diferente das suas concorrentes, algo que a BYD relegou ao focar no badalado estilo sertanejo, ao invés de mostrar a este mesmo público que pagar R$ 379.880,00, valor bem acima das versões mais caras outras das picapes médias, pode valer cada centavo investido.

A picape BYD Shark mede 5,45m de comprimento e tem 3,26m de distância entre-eixos – Foto: BYD/Divulgação

Teoricamente, essa diferença poderia ser bem menor, pois a BYD anunciou inúmeras vantagens casadas a este valor inicial da Shark, e o modelo foi ofertado em versão única e completa. Se o lançamento contemplasse outra versão mais básica, e sem os produtos e serviços “gratuitos” agregados, a Shark poderia chegar com valores mais próximos aos das concorrentes.

Assistência à condução

Atualmente, valorizamos os veículos que são equipados com sistema avançado de assistência à condução completo, como é o caso da Shark, muito porque os carros que concorrem em um mesmo segmento são muito similares em diversos parâmetros, ficando estes recursos como o diferencial entre um e outro, normalmente.

A picape BYD Shark tem painel digital de 10,1 polegadas e tela, multimídia giratória de 12,8 polegadas – Foto: BYD/Divulgação

Mas, a existência destes recursos na Shark está longe de ser a sua maior vantagem. O que mais tem na Shark são tecnologias inexistentes em picapes médias, desde a arquitetura, passando pelo conjunto motriz e terminando no elevado nível do acabamento, e este, só encontrado nas picapes grandes e que custam meio milhão de reais.

Chassi da BYD Shark

Basicamente, ter cabine e caçamba acopladas sobre chassi é a grande semelhança da Shark com os outros modelos de picapes médias. Mesmo assim, esse chassi já é muito mais moderno, pois parte da sua estrutura é feita pelo conjunto de baterias que ficam alojadas em sua porção central.

Na traseira da picape BYD Shark, as lanternas em LED são unidas por uma barra luminosa – Foto: BYD/Divulgação

Denominado CTC (cell to chassis), contando com uma bateria Blade (LFP), essa base integra a nova plataforma DMO, projetada para unir a eletrificação à capacidade off-road, segundo a BYD.

Bateria Blade

Essa bateria Blade, patente da BYD, tem capacidade de 29,6 kWh, nesta configuração dimensionada para um sistema híbrido. Tendo a maior capacidade entre os modelos similares, ela permite um deslocamento 100% elétrico de até 100 km no parâmetro NEDC e 57 km no PBEV. 

O conjunto híbrido conta com dois motores elétricos. O acoplado ao eixo dianteiro entrega 231 cv de potência e 310 Nm de torque, e o segundo traciona as rodas traseiras, tem potência de 204 cv e torque máximo de 340 Nm.

Com bancos forrados em couro, o acabamento interno da picape BYD Shark é de boa qualidade – Foto: BYD/Divulgação

O motor movido à gasolina é posicionado longitudinalmente na dianteira. Ele tem volume de 1.5 l, conta com sobrealimentação por turbo compressão e desenvolve 186cv de potência às 6.000 rpm e  260Nm de torque às 4.500 rpm.

Potência combinada de 437cv

Todo este conjunto, assim como um terceiro motor gerador, está disposto em linha e em posição longitudinal, também. Ele resulta em uma potência combinada de 437cv, força suficiente para deslocar o seu peso de 2.710 kg (com o tanque cheio) a uma aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 5,7 s, tempo que muito carro esportivo não atinge.

O motor a combustão funciona, prioritariamente, como gerador de energia às baterias, ao acionar o motor gerador. Apenas em condições extremas de aceleração, ele trabalha tracionando a picape, juntamente com os outros dois motores elétricos principais.

Em um curto circuito de avaliação, a picape BYD Shark mostrou desenvoltura fora do asfalto – Foto: BYD/Divulgação

Além da regeneração interna de energia, a Shark conta com tomadas CS2 Type C, permitindo recarga em equipamento AC em até 6 kW/h, e em unidades DC, em até 55 kW/h. Quando a bateria está 100% carregada e o tanque de gasolina está cheio, a picape híbrida pode atingir até 840 km de autonomia.

Ampliando os diferenciais do modelo, a Shark conta com suspensões independentes nos dois eixos e discos de freios ventilados nas quatro rodas, outro conjunto inédito em picapes vendidas no Brasil. Menos dispare que essas comparações técnicas entre a Shark e as outras picapes médias, suas dimensões também são superiores.

Dimensões da BYD Shark

Ela mede 5,45 m de comprimento, 1,97 m de largura, 1,92 m de altura e tem 3,26 m de distância entre-eixos. Sua caçamba comporta um volume de 1.200 l, sua capacidade de carga total é de 790 kg e ela pode rebocar até 2.500 kg. No tanque de gasolina cabem 57 l.

A vantagem dimensional externa se reflete internamente. A Shark tem espaço de sobra para cabeças, ombros e pernas de quatro adultos. Um quinto adulto consegue assentar com conforto ao centro do banco traseiro, mas sem sobras. Característica comum em picapes e, também, em modelos eletrificados, o assoalho atrás é mais alto, deixa as pernas um pouco elevadas do assento traseiro.

A maioria das teclas para acionar os sistemas da picape BYD Shark fica no console – Foto: BYD/Divulgação

Mas, o que enche os olhos de todos é a qualidade dos materiais de acabamento e da construção das peças internas. Praticante todas as superfícies são macias ao toque, emborrachadas ou acolchoadas. Mesmo os plásticos rígidos, que são minoria, têm qualidade superior percebida. Em acabamento, a Shark é comparável às picapes grandes, modelos considerados premium.

Lista completa

Seus equipamentos são modernos e completos. O único que sentimos falta foi o teto solar panorâmico. No mais, não falta nada. Bancos com controles elétricos, ventilação e aquecimento, head-up display, painel digital de 10,1 polegadas, multimídia giratória de 12,8 polegadas, câmera 360 graus de alta definição e ar-condicionado de duas zonas com operação remota por aplicativo são os mais incomuns.

Em segurança, o modelo é completíssimo. O pacote de ADAS conta com todos os recursos que são oferecidos no Brasil, exceto a manobra automática de estacionamento. ACC; frenagem automática de emergência; alerta de saída de faixa com correção de trajetória; alerta de presença no ponto cego e comutação automática dos faróis são os principais.

O conjunto híbrido da picape BYD Shark inclui motor a combustão e dois motores elétricos – Foto: BYD/Divulgação

Em nosso primeiro contato com a picape demos uma volta na pista do autódromo e jogamos a Shark na lama. Mesmo sendo contatos breves, ficamos impressionados com a desenvoltura da picape em ambos os ambientes.

Aceleração da BYD Shark

Sem aquele coice comum a alguns elétricos, a picape híbrida arranca com desenvoltura e cumpre o 0 a 100 km/h a contento, aparentemente, próximo ao tempo indicado pela montadora. Com suspensão macia, característica de modelos BYD, ela é muito mais confortável que suas concorrentes.

Sua cabine não oscila em alta frequência como as outras picapes e o conforto ao rodar é similar ao de um sedan grande. Essa característica é, certamente, resultado das modernas suspensões independentes e dos altos pneus 265/65 R18.

A caçamba da picape BYD Shark tem volume de 1.200 litros e capacidade de carga total é de 790 kg – Foto: BYD/Divulgação

Em curvas, ela aderna um pouco, em princípio, mas apoia e completa o contorno com segurança, auxiliada por muita eletrônica, certamente. Na lama, o desempenho foi até mais surpreendente.

Fora do asfalto

Com um controle individual de rotação de cada roda, assim como um torque combinado de 65 kgfm, a Shark entrou e saiu de inúmeros atoleiros sem dificuldade. Foi notório que a eletrônica era capaz de enviar torque apenas para as rodas que poderiam desatolar a picape. Quando o eixo traseiro ficou caído no começo de uma vala, com Shark inclinada para trás, somente as rodas dianteiras foram acionadas, evitando que a traseira caísse na vala, algo que nunca vimos em outros modelos 4×4.

Não sabemos se a Shark alcançará o mesmo sucesso dos outros modelos BYD a venda no Brasil, mas saímos do evento de lançamento muito bem impressionados com a picape. Acreditamos que ela tem potencial para tirar compradores das concorrentes médias e grandes, mas a chinesa precisará mostrar que a novidade tem diferenciais para ser a mais cara do segmento médio, mercado pretendido por ela.

Texto: Amintas Vidal (*)

Jornalista viajou a convite da BYD.

Fotos: BYD/Divulgação

Acelera Ai

Jornalistas Eduardo Aquino e Luís Otávio Pires são os editores do site Acelera Aí

Acelera Ai

Email: redacao@aceleraai.com.br

Eduardo Aquino e Luiz Otávio Pires são jornalistas especializados na indústria automotiva.

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