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Exposição itinerante ‘Oriará – Arte e Educação em Movimento’ estreia no Parque Municipal

15/01/2025 às 18h55 - Atualizado em 16/01/2025 às 10h16
oriará
Exposição percorrerá dez cidades mineiras (Divulgação/Oriará)

A exposição itinerante Oriará – Arte e Educação em Movimento desembarcou em Belo Horizonte nesta quarta-feira (15) para valorizar a herança indígena e afro-brasileira de diversas regiões de Minas Gerais. Obras de sete artistas negros e indígenas estarão disponíveis para visitação até o dia 8 de fevereiro, das 9h às 17h, no Parque Municipal. E é claro que Rolê BHAZ conferiu a instalação de perto!

A mostra integra o projeto Memorial Vale itinerante e propõe reflexões sobre temas como oralidade, território, linguagem, tecnologias e bem viver. Além de BH, a exposição percorrerá outras cidades de Minas Gerais, como Belo Vale, Jaíba, Congonhas, Curvelo, Itabira, São Gonçalo do Rio Abaixo, Barão de Cocais, Brumadinho e Nova Lima.

Confira abaixo um ‘spoiler’ das obras disponíveis para visitação:

A curadoria de Oriará foi estabelecida conforme três eixos fundamentais: cotidianos, com reflexões sobre o modo de viver e o meio em que se vive; (re)existências, com estratégias para viver e existir; e futuros, com elaborações sobre um futuro abundante construído a partir da ancestralidade.

Para um dos artistas participantes, a exposição é uma experiência que busca desmistificar e facilitar o acesso à arte contemporânea. “Às vezes os espaços de arte parecem intimidadores por serem locais fechados, e não só pela arquitetura, pelo prédio, mas também em relação ao acesso. A arte contemporânea parece ser algo muito complexo, mas quando a gente traz ela pra rua acontece essa desmistificação. Ela pode se tornar algo muito mais acessível, muito mais presente na nossa vida, como de fato é”, explica Froiid.

Obras e artistas

  • Edgar Kanaykõ Xakriabá, indígena Xacriabá e mestre em Antropologia, utiliza a fotografia como ferramenta de expressão, compartilhando momentos de cuidado, jogos e cultos de seu povo. A obra “Hemba” (fotografia sobre tecido) tensiona preconceitos e visões enrijecidas sobre os povos indígenas, revelando a importância de seus territórios.
  • Maria Lira, artista autodidata do Vale do Jequitinhonha, trabalha com argila e pigmentos naturais, evocando sua ancestralidade afro-indígena. A obra “Sem Título – Pigmentos naturais sobre pedra” composta por pedras de formas variadas, pintadas com uso de pigmentos naturais que preenchem desenhos de bichos e plantas, os quais parecem remeter às pinturas rupestres existentes em muitas cavernas de Minas Gerais.
  • Os Tikmũ’ũn, da Aldeia Escola Floresta Maxakali no Vale do Mucuri, apresentam a obra imersiva “O Que Tem na Roça” (animação digital, desenhos em caneta hidrocor e lápis de cor sobre papel). A obra retrata a diversidade de plantas cultivadas na aldeia e denuncia a destruição da mata, preservando saberes e memórias ancestrais.
  • Froiid, artista multidisciplinar, aborda o cotidiano popular a partir dos jogos. A obra “Os Petelecos” são jogos de tabuleiro feitos com madeira e pregos, que, na obra do artista, assumem vários formatos. Por meio da arte de jogar, o artista traz ao público um pouco da cultura periférica, de ruas e becos que dialoga fortemente com as heranças afro-indígenas de nosso país a partir dos ditos populares e regras de ser e pertencer a uma comunidade.
  • Marcel Dyogo apresenta “Já Quase Esqueci Seu Nome” (caixas de papelão, papel manteiga e iluminação), uma obra sensível que questiona o apagamento de informações sobre as comunidades indígenas em Minas Gerais. As caixas reunidas formam conjuntos com nomes das 14 comunidades indígenas existentes no Estado.
  • Dayane Tropicaos, artista visual de Contagem, discute questões de gênero, raça e classe em suas obras. A instalação “Abre Caminho” (uniformes, serigrafia e vídeo) questiona os lugares impostos a populações subalternizadas na sociedade brasileira. A obra é composta por 10 uniformes de trabalho que referem-se a diversas ocupações profissionais que são vistas na sociedade como desvalorizadas.
  • Jorge dos Anjos, com formação na Fundação de Arte de Ouro Preto, transita entre desenho, pintura, escultura e design. “Obra” (pintura sobre lona de caminhão) combina símbolos geométricos e escritas ancestrais, conectando passado e presente. Jorge intersecciona temporalidades que abarcam a genialidade e o requinte técnico desenvolvido pelos povos negros, incluindo a rede de comunicação estabelecida em diáspora, quando suas identidades se ressignificaram no Brasil.
  • “Varal dos Saberes” é uma obra interativa que convida o público a refletir sobre os eixos curatoriais da exposição através de perguntas, imagens e um mapa digital com informações sobre a ocupação territorial de Minas Gerais por povos indígenas e comunidades quilombolas. Nesta obra os eixos curatoriais se manifestam a partir de seis perguntas, em que a curadoria oferece um grupo de palavras e imagens de celebrações, alimentos e experiências relacionadas aos povos indígenas e quilombolas.

Anota aí!

Classificação etária: Livre
Entrada: Gratuita

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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Lavínia Fernandes

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