Com as temperaturas mais altas em diversas regiões do Brasil, os cuidados com o calor precisam ser redobrados. Em Minas Gerais, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu alertas de onda de calor para diversas cidades. Os efeitos das altas temperaturas, no entanto, não atingem apenas as pessoas: cães e gatos também podem sofrer com o calor e precisam de atenção especial nos dias mais quentes.
O BHAZ conversou com a veterinária Diannine Quadra, clínica geral de cães e gatos, para entender melhor os efeitos da onde de calor nos pets. Segundo ela, os animais sentem calor e frio de forma semelhante aos humanos, mas enfrentam mais dificuldade para regular a temperatura corporal.
“Eles sofrem com o calor porque têm muitos pelos no corpo e não conseguem se refrescar como a gente. A gente vai para uma piscina, tenta de tudo. Eles não”, explica. Além disso, cães e gatos não transpiram. “O cachorro regula a temperatura abrindo a boca, com a língua para fora, arfando. Já o gato não faz isso. Gato abrir a boca é sinal de que tem algo errado”, alerta.
Raças mais vulneráveis
Algumas raças de cães exigem atenção especial durante períodos de calor intenso. Segundo a veterinária, os chamados braquicefálicos, como pug e bulldog, estão entre os mais vulneráveis. “Eles têm o focinho muito achatado e, naturalmente, já apresentam dificuldade para respirar. No calor, isso afeta demais”, afirma.
Diannine explica que muitos desses cães têm colapso de traqueia congênito, o que dificulta ainda mais a passagem de ar. “Já peguei vários animais em casos graves de hipertermia e até óbito, por não dar tempo de baixar a temperatura corporal e ocorrer um colapso respiratório”, relata.
Sinais de alerta
Os tutores devem ficar atentos, principalmente, à respiração dos animais. “O cão arfa para regular a temperatura, mas se ficar arfando demais, isso não é normal”, diz a veterinária. Outro sinal importante é a coloração da língua. “Ela precisa estar sempre rosa. Se começar a ficar roxeada, é sinal de hipóxia, uma dificuldade respiratória.”
No caso dos gatos, o alerta é ainda mais claro. “Gato não pode abrir a boca. Abriu a boca, é algo grave”, reforça. Diannine também orienta observar mudanças de comportamento. “Eles tendem a ficar mais quietos no calor, mas se o animal ficar quieto demais, muito sonolento, é preciso ficar de olho.”
Dicas para refrescar os pets no calor
Refrescar o ambiente:
Para amenizar os efeitos do calor, a veterinária recomenda medidas simples no dia a dia. “Água fresca o tempo todo é fundamental. Vale colocar mais potes de água pela casa e até cubos de gelo”, orienta. Outra dica é usar garrafas congeladas próximas ao local onde o animal descansa. “Muitos deitam perto ou até em cima da garrafa. Hoje também existem colchões gelados que ajudam bastante.”
Alimentação:
A alimentação também pode contribuir. “Quanto mais úmida, melhor. Frutas que não são tóxicas podem ser oferecidas, como melancia sem casca e sem caroço, melão e manga, sempre mais geladinhas ou até congeladas”, explica, alertando que uva e frutas cítricas não são indicadas.
Passeios:
Sobre os passeios, o cuidado deve ser redobrado. “Evitar horários mais quentes é essencial, tanto pelo risco de aumentar a temperatura corporal quanto de queimaduras nas patinhas pelo chão quente. O ideal é passear à noite, se possível”, afirma.
Tapetes térmicos:
Outra dica é espalhar tapetes térmicos gelados e toalhas molhadas pela casa, criando ambientes onde o animal possa descansar com tranquilidade.
Como refrescar os gatinhos:
Para os gatos, a principal orientação é oferecer mais sachês e manter o ambiente fresco. “O gato não bebe tanta água quanto deveria, então a alimentação úmida ajuda muito”, conclui a veterinária.












