Após uma nova reunião de conciliação com as comunidades quilombolas, realizada na tarde desta segunda-feira (23), na sede da Justiça Federal, em Belo Horizonte, o governador Mateus Simões (PSD) disse que pode retirar a verba destinada à obra do Rodoanel. A reunião contou com a participação do Ministério Público Federal, o Ministério da Igualdade Racial e a Federação das Comunidades Quilombolas e Povos Tradicionais. O impasse envolve o levantamento de áreas quilombolas ao longo do traçado do Rodoanel. O dinheiro que Simões ameaça retirar do projeto, quase 5 bilhões de reais, tem como origem o acordo de Brumadinho e está parado, enquanto a obra não começa.
Segundo Mateus Simões, o entrave tem sido a quantidade de comunidades quilombolas que deveriam ser consultadas como parte do processo de liberação do empreendimento. “A Federação de Quilombos está dizendo que a gente tem que ouvir 137 comunidades. Desculpa, mas que comunidades são essas? 137 comunidades? É impossível! O que eles querem, na verdade, é inviabilizar a realização das consultas e, portanto, inviabilizar que o investimento seja feito”, disse o governador.
Em tom incisivo, Simões criticou a entidade e classificou a discussão de “irresponsabilidade da Federação”. Ele também estabeleceu um prazo para que a situação seja resolvida. “Nós estamos prontos pra fazer a consulta a seis quilombos, que são os mesmos que o Governo Federal identificou através do Incra”, explicou.
Caso não haja uma decisão rápida, Simões garante que pedir que o dinheiro do Rodoanel seja retirado e o recurso seja destinado para a expansão do metrô. “Não é o que eu queria, nós vamos condenar a Região Metropolitana [de BH] a 50 mortes por ano, mas eu tô resolvendo um problema que nem meu é, porque o Anel Rodoviário não é do estado”, diz.
Rodoanel
O Rodoanel da Grande Belo Horizonte é apontado como a maior parceria público-privada da história de Minas Gerais. O projeto prevê o investimento de cerca de 5 bilhões de reais do acordo judicial firmado com a Vale, após o rompimento da barragem em Brumadinho, além de outros 2 bilhões de reais em investimentos da concessionária. Dinheiro que, segundo Simões, está parado em função da indefinição.
Em outubro de 2025, a Justiça Federal suspendeu a licença prévia concedida ao Estado. A decisão apontou a ausência de consultas às comunidades quilombolas diretamente impactadas pelo empreendimento.
O traçado inicial passa por oito cidades: Sabará, Santa Luzia e Vespasiano, em um primeiro trecho; depois, São José da Lapa, Pedro Leopoldo e Ribeirão das Neves; e, na sequência, Contagem e Betim. Ao todo, o Rodoanel deve ter 100 quilômetros de extensão. Embora o contrato tenha sido assinado em 2023, as obras ainda não começaram. Outro impasse envolve o traçado proposto pelo Governo de Minas, que foi contestado pelas prefeituras de Contagem e Betim. Em Contagem, a principal crítica é de que a obra pode atingir uma área de proteção ambiental próxima à represa Várzea das Flores.
A expectativa do governo é de que o Rodoanel reduza entre 30 e 50 minutos o tempo de deslocamento na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A projeção é de que cerca de 5 mil caminhões deixem de circular diariamente em áreas urbanas, especialmente no Anel Rodoviário.A audiência desta segunda-feira (23) terminou sem que houvesse um acordo sobre quem, de fato, fará as consultas às comunidades quilombolas. Para o Governo do Estado, são seis consultas das quais três já foram feitas.
O BHAZ entrou em contato com a Federação de Quilombos e aguarda um retorno.








