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Torcedora compra, por engano, ingresso no setor visitante para assistir pela primeira a um jogo do Galo

18/08/2026 às 13h30
(Arquivo pessoal)

Uma mulher que foi à Arena MRV pela primeira vez para assistir a um jogo do Atlético acabou comprando, por engano, ingressos para o setor destinado à torcida do Grêmio. Ivna Cândida Torres Andrade, de Governador Valadares, contou nas redes sociais que interpretou literalmente a expressão “setor visitante” ao fazer a compra para ela, o pai, o marido e o irmão.

Ivna não acompanha futebol e nunca havia assistido a uma partida em um estádio. Segundo ela, o pai, que é atleticano, sugeriu que a família aproveitasse a passagem por Belo Horizonte para conhecer a Arena MRV e acompanhar o jogo entre Atlético e Grêmio. Como não é sócia-torcedora, ela fez um cadastro gratuito no Galo ID e ficou responsável pela compra dos ingressos.

Ao acessar o site na quarta-feira anterior à partida, Ivna encontrou algumas áreas disponíveis no mapa da arena. Entre elas estavam os setores 312 e 313, identificados como “setor visitante”. Sem outras opções disponíveis para comparação, ela entendeu que aquele era o espaço para quem estava visitando o estádio e comprou quatro entradas.

“Eu nunca tinha visto esse termo e, para mim, o termo visitante era literal. Eu sou visitante, vou comprar no setor de visitante”, explicou.

Torcedora descobre erro ao chegar à Arena MRV

A confusão só foi percebida quando o grupo chegou ao estádio. Os quatro estavam com camisas do Atlético e foram orientados de que o setor indicado nos ingressos era destinado aos torcedores do Grêmio. Além disso, segundo Ivna, eles foram informados de que não poderiam entrar com as camisas do Galo.

O grupo precisou procurar uma entrada alternativa e, no caminho, também foi alertado por policiais sobre a restrição às camisas. A solução veio com a ajuda de uma família que morava perto do acesso. Os moradores emprestaram roupas para que os torcedores do Atlético pudessem entrar no estádio e também guardaram as mochilas com as camisas do clube.

Já dentro do setor visitante, o grupo permaneceu em uma área mais afastada dos torcedores do Grêmio. Ivna afirma que eles preferiram não comemorar os gols do Atlético por não conhecerem a relação entre as duas torcidas e por receio de provocar algum tipo de conflito. Veja vídeo abaixo:

“O óbvio precisa ser dito”

Após publicar vídeos contando o episódio, Ivna recebeu comentários de pessoas que questionaram como ela poderia não saber o significado de “setor visitante”. Para a empresária, a situação revela uma dificuldade que pode ocorrer com pessoas que não estão familiarizadas com o vocabulário do futebol.

“Para quem está nesse mundo, quem já viu vários jogos, quem já comprou vários ingressos, quem frequenta esse ambiente, é muito óbvio que o setor visitante é o da torcida, é o do time que está visitando. Mas eu que estava comprando ingressos para assistir a um jogo de futebol no estádio pela primeira vez na minha vida, eu nunca tinha visto esse termo”, disse.

Ela também afirma que considerou o site confuso durante a compra. De acordo com Ivna, os setores disponíveis apareciam em destaque no mapa, mas ela não conseguia acessar outras áreas para comparar os ingressos. Por isso, acreditou que aquela era a opção disponível para quem não era sócio-torcedor.

Outro ponto citado por ela foi a ausência, durante a compra, de um aviso que indicasse de forma explícita que o setor era destinado à torcida adversária. Para Ivna, uma informação sobre a proibição de camisas e símbolos do Atlético também poderia ter chamado sua atenção antes da finalização da compra.

“Se existe o termo ‘time adversário’, eu acho que ele é mais claro do que ‘visitante’, por mais que visitante já seja claro para as pessoas que estão inseridas nesse contexto”, afirmou.

A publicação de Ivna ganhou repercussão mesmo sem o perfil dela ser voltado ao futebol. Ela afirma que decidiu compartilhar a situação porque considerou o episódio curioso e acabou recebendo comentários de pessoas que também já tiveram dificuldades semelhantes ao comprar ingressos para partidas.

Para ela, a experiência reforça a necessidade de pensar também no usuário que não frequenta estádios e não domina os termos utilizados no futebol. “Quanto mais detalhado estiver, quanto mais claro for, mais intuitivo vai ser tanto para quem já está acostumado quanto para quem não está acostumado. O óbvio também precisa ser dito”, avaliou.

Apesar do erro na compra, o grupo conseguiu assistir ao jogo e não perdeu o valor pago pelos ingressos. Ivna também destacou a ajuda recebida da família que emprestou as camisas como um dos principais momentos da experiência. A empresária afirma que não pretende repetir a confusão e que a situação acabou se tornando uma história inusitada da primeira vez em que foi a um jogo em um estádio.

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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