O tijolo cerâmico cozido é um dos materiais mais antigos utilizados na construção de edificações no mundo, com registros de seu uso desde a Antiguidade, especialmente em civilizações da Mesopotâmia e do Egito. Entretanto, na capital mineira, foram raras as edificações que exibiram tijolos cerâmicos aparentes em suas fachadas, sobretudo em seus primórdios.
Embora não existam estudos específicos sobre essa temática, é possível supor que a raridade do tijolo aparente esteja relacionada às próprias linguagens arquitetônicas predominantes na cidade. Seus padrões compositivos, especialmente no período eclético, privilegiavam fachadas revestidas e ornamentadas, deixando pouco espaço para a expressão desse tipo de parede.
Os primórdios da fabricação de materiais cerâmicos para a construção civil em Belo Horizonte, no início do século XX, estiveram fortemente ligados a famílias italianas. Entre elas, destacam-se os Gasperini, que possuíam uma olaria nas proximidades de sua residência, no bairro Santa Efigênia, e os Savassi e Antonini, que administravam uma das grandes fábricas instaladas na cidade, a Cerâmica Horizontina. Essa produção repercutiu, inclusive, nas edificações ligadas a essas famílias, como revelam alguns dos exemplares aqui apresentados.

Nesse contexto, as poucas construções antigas que exibiram o uso dessa milenar técnica de alvenaria em Belo Horizonte acabam por ganhar mais destaque no cenário urbano, apresentando-se como verdadeiras joias raras. Além de comunicar solidez e tradição, as fachadas que assumem os tijolos aparentes ganham grande expressividade por meio de suas vibrantes texturas e marcantes nuances de tonalidades.
Por sua raridade e beleza, apresentaremos aqui algumas construções históricas da capital mineira que têm esse tradicional material como elemento de destaque em suas composições arquitetônicas.
Conheça cinco construções com tijolos aparentes em BH
1. Casa de José Bernardino Alves Júnior (CADAR Engenharia)

Esse belo sobrado eclético, localizado na esquina da Avenida Bias Fortes com as ruas Espírito Santo e Gonçalves Dias, foi projetado em 1929 pelo escritório paulistano Lindemberg, Alves & Assumpção. O imóvel, tombado como patrimônio cultural, destaca-se pela presença de uma varanda e de um alpendre que arrematam a volumetria, desenvolvida junto às três vias, tendo o tijolo aparente como elemento marcante das fachadas. Além disso, a graciosa mureta baixa, com gradis em ferro fundido, preserva a concepção original do projeto. Vale observar que, em São Paulo, cidade onde atuavam os projetistas, o uso do tijolo aparente foi mais difundido na arquitetura do período.
2. Antiga Companhia Telefônica Brasileira

Localizada na Rua Bernardo Guimarães, n. 2258, a obra em estilo eclético tardio, de influência neoclássica, foi projetada em 1945 pelo engenheiro italiano Luiz Mário Pinzani. Sua fachada em tijolo aparente confere ao edifício uma aparência sólida e remete à arquitetura dos edifícios industriais ingleses. Nos anos 1970, o imóvel passou para a Companhia Telefônica de Minas Gerais, depois para a Telemig e, posteriormente, para a Telemar. Apesar da sua importância estética e histórica, o imóvel não é tombado como patrimônio cultural.
3. Casarão de Ildeu Duarte

Sobrado residencial eclético, de múltiplas influências, projetado em 1929 pela firma Carneiro de Rezende & Cia., localizado na Rua Santa Catarina, n. 796 e tombado como patrimônio cultural. Nesta bela construção, destacam-se o uso do tijolo aparente, o contraste de materiais e cores proporcionado pelo reboco e pelas pedras, e o belo jardim frontal, que valoriza o percurso de acesso e a própria fachada da casa.
4. Casa Arthur Savassi (CAU/MG)

Obra projetada pelos arquitetos Luiz Signorelli e Raffaello Berti, em 1932, para Arthur Savassi, localizada na Avenida Afonso Pena, n. 2093. O imóvel, tombado como patrimônio cultural, destaca-se pelo forte contraste entre a base de tijolo aparente e as paredes lisas do pavimento superior, criando uma marcante presença de esquina. Casas vistosas e históricas quase sempre mudam sua destinação doméstica para usos públicos com o passar do tempo, como ocorreu com a antiga moradia de Arthur Savassi, que posteriormente passou a abrigar a Bolsa de Valores Minas, Espírito Santo e Bahia e, atualmente, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais (CAU/MG).
5. Casarão da Família Gasparini (Gabinete Galeria)

Localizado no bairro Santa Efigênia, na esquina da Avenida Brasil com a Rua Padre Marinho, este imóvel é tombado como patrimônio cultural. Destinada inicialmente ao comércio e à residência, a edificação pertenceu à família Gasperini, de origem italiana, que possuía uma olaria nas proximidades e teria utilizado suas fachadas como vitrine para os tijolos que produzia. Trata-se de um magnífico sobrado eclético, de influências neoclássicas, erguido nas primeiras décadas da capital mineira e de autoria ainda não identificada. Restaurado recentemente, destaca-se na paisagem justamente pela alvenaria de tijolos aparentes, em contraste com os frisos e as molduras brancas.











