O artista circense Rafael Mourão celebra os 15 anos do projeto Circo do Sufoco com uma agenda descentralizada na capital mineira. A comemoração inclui a circulação de três espetáculos do repertório do grupo, além de atividades formativas como oficinas e palestras, com foco em áreas de maior vulnerabilidade social. A programação gratuita percorre diversas regionais de Belo Horizonte entre setembro e novembro.
O destaque é a montagem ‘Sufoco’, que também completa 15 anos e já soma mais de mil apresentações. Na peça, um único palhaço tenta operar todas as funções de um grande circo sozinho, atuando como mágico, malabarista, acrobata, músico e equilibrista.
Sobre a evolução da peça, Rafael Mourão afirma: “Um desafio foi manter o espetáculo sempre novo e atual. A cada apresentação estudamos e pensamos em como melhorar. Novas piadas são incorporadas, novos truques de malabares, novas mágicas, novos cenários e figurinos, mas mantendo a mesma estrutura do espetáculo”.
Já a obra ‘Atemporal’ utiliza a estética Steampunk para abordar a crise climática em um cenário pós-apocalíptico, onde um cientista tenta salvar a Terra enquanto é interrompido por um palhaço.
O repertório é completado por ‘Corações Trapezistas’, com direção de Chico Pelúcio (Grupo Galpão). A peça homenageia os circos tradicionais e as mulheres circenses, narrando a relação entre um avô e um neto que mantêm vivo um circo de rua.
Oficinas e formação
Além das apresentações, o projeto oferece a Oficina de Perna de Pau, ministrada por Fernanda Flores no Centro Cultural São Geraldo, focada em equilíbrio e segurança, e a Oficina de Bambolê, com o grupo Bamboliricas, no Centro Cultural Pampulha.
A parte teórica acontece via internet com três palestras on-line. Paula Alencar falará sobre maquiagem artística, Luiz Dias abordará figurinos e Chico Pelúcio discutirá gestão cultural, compartilhando a experiência do Galpão Cine Horto.
Resistência do circo de rua
Para Rafael Mourão, a escolha de ocupar praças e centros culturais reflete a necessidade de adaptar a arte circense aos tempos atuais, já que os grandes picadeiros se tornaram mais difíceis de manter.
O artista, formado em Artes Cênicas pela UFMG, defende que a essência do circo reside na técnica e na emoção. “Para manter o circo vivo, é necessário não perder uma das bases do circo: ter um espetáculo com muita técnica, emoção, beleza, espanto e surpresas”, pontua.
Informações gerais
- 20 de setembro: Parque Ecológico Pedro Machado — Cortejo (14h) e espetáculo “Sufoco” (16h)
- 21 de setembro: Escola Municipal Dom Jaime de Barros Câmara — Espetáculo “Atemporal” (9h45)
- 22 de setembro: Escola Municipal Jardim Vitória — Espetáculo “Atemporal” (10h)
- 07 de novembro: Praça Cândido Portinari — Cortejo (10h) e espetáculo “Sufoco” (16h)
- 08 de novembro: Parque Burle Marx — Cortejo (14h) e espetáculo “Sufoco” (16h)
- 11 de novembro: Centro Cultural Venda Nova — Cortejo (14h) e espetáculo “Corações Trapezistas” (15h)
- 12 de novembro: Centro Cultural Vila Fátima — Cortejo (14h) e espetáculo “Corações Trapezistas” (15h)
- 15 de novembro: Parque Municipal — Espetáculo “Sufoco” (10h30)
- Palestras on-line (via Zoom): Gestão cultural (05/11, 19h); Maquiagem artística (19/11, 19h); Figurino (25/11, 19h). Inscrições via Instagram @circodosufoco
- Oficinas: Perna de Pau (CC São Geraldo) e Bambolê (CC Pampulha). Datas a definir no Instagram @circodosufoco










