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Após fim das bets, governo de Minas, Codemig e Cemig darão patrocínio de R$ 32 mi para Cruzeiro, Atlético e América

29/09/2026 às 12h17 - Atualizado em 29/09/2026 às 12h47
Governo de MG, Codemig e Cemig vão patrocinar times após fim das bets (Cristiano Machado/Imprensa MG)
Governo de MG, Codemig e Cemig vão patrocinar times após fim das bets (Cristiano Machado/Imprensa MG)

O governo de Minas anunciou nesta terça-feira (29) que, junto com a Codemig e a Cemig, irá patrocinar os três clubes de Belo Horizonte após a proibição das bets no país. O anúncio foi feito durante uma reunião que contou com a presença do Marcus Salum, coordenador do grupo de gestão do América, Renato Salvador, vice-presidente do Atlético e Pedro Lourenço, presidente do Cruzeiro.

O governador Mateus Simões (PSD) anunciou durante a coletiva que os valores devem chegar a R$ 32 milhões. Atlético e Cruzeiro receberão R$ 15 milhões cada, enquanto o América ficará com R$ 2 milhões. Os valores devem ser pagos aos clubes logo após a assinatura dos contratos.

Segundo o governador, o apoio busca reduzir o impacto da interrupção dos patrocínios das bets nos clubes. “A gente acredita que o futebol de Minas é muito maior do que as bets. E a parte que o estado pode fazer nesse momento é apoio a essas nossas grandes torcidas, que estariam sendo imediatamente prejudicadas”, afirmou.

O coordenador do grupo de gestão do América, Marcos Salum, também comentou o acordo e destacou a situação financeira enfrentada pelos clubes. “É a coisa certa na hora certa. Porque tem coisas que podem ser muito certas, mas não são na hora certa. Os clubes precisam agora, e vocês fizeram na hora que nós estamos precisando”, afirma Marcos.

Ainda não foi decidido onde ficará o patrocínio do governo nas camisas, mas uma das possibilidades citadas é a presença da Cemig e da Codemig nas mangas, uma em cada lado, ou nas costas. Também existe a possibilidade de ocuparem provisoriamente o espaço principal da camisa, caso não haja outro patrocinador master.

A definição será negociada individualmente com cada clube para evitar conflitos com os demais contratos de patrocínio já existentes.

Segundo o governador, os contratos serão de patrocínio anual e o desembolso seguirá uma lógica semelhante à que vinha sendo praticada com as bets, com o objetivo de manter o fluxo financeiro dos clubes. A assinatura dos contratos deve ocorrer nos próximos dias, após a conclusão dos procedimentos jurídicos.

Como será o patrocínio

O valor destinado aos três clubes foi definido a partir de dois parâmetros, segundo Mateus Simões. Um deles foi o modelo de patrocínio praticado pelo Banrisul com Grêmio e Internacional, no Rio Grande do Sul. O outro foi o histórico de investimentos da própria Cemig em apoio aos clubes mineiros.

O governador afirmou que os R$ 32 milhões representam aproximadamente um terço do que as bets colocavam nos clubes. Por isso, segundo ele, a intenção neste primeiro momento não é substituir integralmente os antigos patrocínios.

O protocolo de intenções estabelece algumas contrapartidas para os clubes. Entre elas estão o incentivo e a continuidade dos trabalhos com o futebol feminino e das atividades das categorias de base. Também foi prevista a abertura de ingressos para estudantes de baixa renda em jogos específicos ao longo dos campeonatos.

Além de Atlético, Cruzeiro e América, o Governo de Minas afirmou que pretende negociar apoio com outros dois clubes do estado que também eram patrocinados por bets, sendo o Athletic, de São João del-Rei, e o Uberlândia. Os valores para essas equipes ainda não foram definidos.

O governador também convocou outras empresas mineiras a participarem do apoio ao futebol do estado. Segundo ele, o objetivo é dar um primeiro exemplo para que empresas de Minas também passem a patrocinar os clubes.

Proibição das bets

As bets passam por um processo de encerramento das operações no Brasil após o governo federal anunciar, na última sexta-feira (25), uma medida provisória (MP) que determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas e jogos on-line no país.

Com a publicação da MP, as plataformas ficam impedidas de receber novas apostas. A medida também estabelece um período de transição para o encerramento das atividades das empresas autorizadas.

Os apostadores terão até as 23h59 de 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores disponíveis nas plataformas. Quem não fizer o resgate dentro desse prazo receberá o saldo de volta por meio dos bancos que operam com as empresas de apostas, entre 9 e 14 de outubro.

Os sites e aplicativos das bets deverão sair do ar a partir de 6 de outubro.

Entre os dias 7 e 8 de outubro, as empresas deverão informar aos bancos os valores mantidos nas contas dos apostadores, vinculados aos respectivos CPFs. A devolução dos saldos será feita integralmente por meio das instituições financeiras.

Caso haja algum impedimento para a devolução, a Caixa Econômica Federal poderá intermediar o pagamento aos apostadores a partir de 14 de outubro.

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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Email: lavinia.barbosa@bhaz.com.br

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