TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp

Calor aumenta venda de bebidas em MG; cerveja pode crescer 5% a cada 1°C

29/09/2026 às 18h15
Onda de calor faz vendas de bebidas crescerem em Minas; veja outros setores beneficiados
(Imagem ilustrativa: Pexels)

A onda de calor que atinge Minas Gerais já começa a mudar o comportamento dos consumidores e movimentar diferentes setores da economia. A cada 1°C de aumento na temperatura média, o volume de vendas de bebidas mais sensíveis ao calor cresce, em média, 4,1% no estado, segundo levantamento da Scanntech citado pelo Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral de Minas Gerais (SindBebidas-MG).

Águas, isotônicos, energéticos, refrigerantes e cervejas estão entre os produtos que ganham espaço nos dias quentes. No caso da cerveja, a alta pode ser ainda maior: cada 1°C adicional pode representar aproximadamente 5% de aumento nas vendas da categoria, de acordo com o superintendente do SindBebidas-MG, Cristiano Lamego.

“Em episódios de calor atípico, com temperaturas entre 3°C e 5°C acima da média, as projeções e os registros do setor em Minas Gerais indicam crescimento de 12% a 20% no volume de vendas em comparação aos períodos de temperatura normal”, afirma Lamego.

O cenário ocorre em meio à onda de calor que atinge o estado. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), 623 municípios mineiros estão sob alerta vermelho, classificação de grande perigo. Ainda segundo o Em Belo Horizonte, a temperatura chegou a 36°C na última terça (29), maior marca registrada na capital em 2026, segundo o Inmet.

Sorvetes também entram na alta

Outro setor que sente diretamente o aumento das temperaturas é o de sorvetes. De acordo com Wander Bertolace, presidente do Sindicato da Indústria de Sorvetes de Minas Gerais (Sindsorvete-MG), as vendas já apresentam crescimento nos últimos meses.

“De julho para agosto, já tivemos um aumento de mais de 30% e, de agosto para setembro, os números devem ficar entre 30% e 40%. Se as temperaturas continuarem como estão e não houver chuvas intensas, no pico do verão o consumo pode ficar entre 70% e 75% acima dos meses de maio, junho, julho e agosto”, afirma.

A diversificação de sabores, produtos e modelos de negócio ajudou a reduzir a sazonalidade do setor, mas os meses mais quentes ainda concentram o maior movimento. Durante o período de menor procura, as empresas aproveitam para fazer manutenção, investir e preparar as equipes para o aumento da demanda.

Para a indústria de alimentos e bebidas, o calor também exige uma resposta rápida na produção e na distribuição. “São oportunidades para a indústria de alimentos, principalmente a indústria de bebidas, sucos e a indústria de sorvete”, afirma Vinícius Dantas, presidente da Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas da FIEMG.

Segundo ele, além de aumentar a produção, as empresas precisam garantir que os produtos cheguem rapidamente ao consumidor e mantenham qualidade e segurança durante o transporte.

Nem todo mundo ganha com o calor

Se bebidas e sorvetes encontram um cenário favorável, outras categorias perdem espaço. Vinhos e bebidas destiladas, por exemplo, tendem a registrar queda nas vendas durante períodos de calor intenso. “Os vinhos podem apresentar retração próxima de 10%, enquanto bebidas destiladas tendem também a registrar queda no consumo durante períodos de calor intenso”, afirma Lamego.

Chocolate, bebidas achocolatadas e pão também podem ser prejudicados pelas temperaturas elevadas. No café, os efeitos começam ainda na produção da matéria-prima.

Segundo Sérgio Meirelles, presidente do Sindicato da Indústria do Café de Minas Gerais (Sindicafé-MG), o calor intenso aumenta a perda de água pelas folhas dos cafeeiros e pode prejudicar a floração. A preocupação ocorre justamente antes do período mais indicado para o plantio, entre outubro e dezembro, quando começa a estação chuvosa.

Depois da colheita, as condições de armazenamento também exigem atenção para preservar a qualidade dos grãos. “Normalmente o cafeicultor vai beneficiando e transfere os cafés para armazéns e cooperativas e, como é um produto de alto valor agregado, não é recomendado mantê-lo nas propriedades”, explica.

Além de mudar o que vai para o carrinho do consumidor, o calor altera custos, demanda, logística, conservação de produtos e necessidade de energia. Para a indústria mineira, a onda de calor representa, ao mesmo tempo, oportunidade para alguns segmentos e pressão adicional para outros.

Raul Costa

Graduando em Jornalismo pela UFMG e estagiário no BHAZ. Gosto jornalismo cultural, cultura pop e tudo que envolve contar boas histórias.

Raul Costa

Email: raul.gomes@bhaz.com.br

Estagiário do BHAZ

Mais lidas do dia

Leia mais

Acompanhe com o BHAZ

Siga o BHAZ nas redes sociais

TikTok
YouTube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp
Logo BHAZ