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Casos de sarna em escolas de MG: especialista explica transmissão e prevenção

30/09/2026 às 15h15
A cidade de Andradas, no Sul de Minas, confirmou 11 casos de sarna humana em uma creche
(Reprodução)

Uma creche municipal de Andradas, no Sul de Minas Gerais, e uma escola municipal de Lagoa Santa, na Grande BH, registraram recentemente casos de escabiose, conhecida popularmente como sarna humana. Em Lagoa Santa, 14 estudantes e funcionários foram diagnosticados com a doença, segundo a prefeitura. Já em Andradas, foram confirmados 11 casos. Diante das ocorrências, o BHAZ conversou com o infectologista Dr. Leandro Curi para explicar como a doença é transmitida, quais são os principais sintomas e como prevenir novos casos.

Em Lagoa Santa, as aulas da Escola Municipal Mércia Margarida Lacerda foram suspensas nos dias 1º e 2 de outubro para a realização de uma higienização dos ambientes. A medida inclui dedetização das instalações, além de limpeza e sanitização da caixa-d’água.

A Secretaria Municipal de Saúde também enviou equipes do departamento de epidemiologia à unidade para orientar a comunidade escolar, avaliar a situação e definir medidas de prevenção e controle.

O primeiro caso chegou ao conhecimento da escola em 18 de setembro, quando uma estudante apresentou sintomas. Posteriormente, o responsável comunicou à unidade o diagnóstico médico de escarlatina. Desde então, a escola passou a realizar busca ativa e monitorar a ocorrência de novos casos.

A escabiose não integra a lista de doenças de notificação compulsória. Em situações de surto, porém, os casos devem ser comunicados à vigilância epidemiológica.

O que é a sarna humana?

Segundo o infectologista Leandro Curi, a escabiose é uma ectoparasitose, ou seja, uma infecção provocada por um parasita que vive na parte externa do corpo. A doença é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei.

A principal forma de transmissão ocorre por meio do contato prolongado com a pele de uma pessoa infectada. “O mais comum é a transmissão pessoa a pessoa. Quando você encosta a pele em alguém ou tem contato íntimo, fica deitado próximo, você também pode transmitir”, explica o especialista.

Por esse motivo, ambientes de convivência intensa, como escolas e creches, podem favorecer a disseminação da doença quando há pessoas infectadas.

O ácaro também pode permanecer temporariamente em objetos e superfícies que tiveram contato direto com a pele, como roupas de cama, travesseiros, sofás e assentos.

Sarna é causada por falta de higiene?

A escabiose não está necessariamente relacionada à falta de higiene. Segundo o infectologista, uma pessoa pode contrair e transmitir a doença independentemente dos hábitos de higiene. “Não tem necessariamente a ver com a falta de higiene. Uma vez que uma pessoa é infectada, ela pode transmitir para outra. Geralmente, banho não tira a sarna”, afirma.

Quais são os sintomas?

Os principais sintomas da escabiose são coceira intensa e lesões ou manchas avermelhadas na pele. As manifestações podem aparecer em diferentes regiões do corpo.

A intensidade dos sintomas pode variar de acordo com a pessoa e com o grau da infestação. Na maioria dos casos, porém, a doença é considerada benigna.

Pessoas que tiveram contato próximo com alguém diagnosticado devem observar o aparecimento de sintomas e procurar avaliação de um profissional de saúde quando necessário.

Como prevenir a sarna?

Em caso de diagnóstico, é importante seguir corretamente o tratamento indicado pelo profissional de saúde. Dependendo da situação, pessoas que tiveram contato próximo com o paciente também podem precisar de avaliação e tratamento.

A higienização de roupas e objetos utilizados pela pessoa infectada também é uma medida importante.

Entre os cuidados recomendados estão:

  • lavar roupas, roupas íntimas e roupas de cama utilizadas pela pessoa infectada, conforme orientação dos serviços de saúde;
  • higienizar superfícies que tiveram contato frequente com a pessoa, como sofás e outros estofados;
  • seguir corretamente o tratamento prescrito;
  • evitar contato físico prolongado com pessoas infectadas até receber orientação médica;
  • comunicar à escola ou ao serviço de saúde sobre o diagnóstico, principalmente quando houver vários casos no mesmo ambiente.

O que fazer quando há casos em uma escola?

Quando há vários casos de escabiose em uma escola ou turma, é importante identificar as pessoas que tiveram contato próximo com os infectados e adotar as medidas de tratamento e controle indicadas pelos profissionais de saúde.

A orientação da comunidade escolar também é fundamental para reduzir o risco de novos casos.

Em Lagoa Santa, a Secretaria Municipal de Saúde realizou uma avaliação na escola e orientou estudantes, funcionários e responsáveis sobre as medidas de prevenção e controle. A suspensão temporária das aulas foi adotada para permitir a higienização dos ambientes.

Isadora Vianna

Estudante de jornalismo pela PUC Minas e estagiária do BHAZ desde fevereiro de 2026. Atuou na redação da Record Minas e na comunicação interna do Grupo Valence
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Isadora Vianna

Email: isadora.ribeiro@bhaz.com.br

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