O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), afirmou que sua primeira ação no cargo será telefonar para o presidente eleito, independentemente de quem vença o segundo turno, Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL). A declaração foi feita nesta segunda-feira (5), um dia depois da vitória, em entrevista ao vivo à TV Globo.
“Que seja o Flávio Bolsonaro, que seja o Lula, a primeira ação minha como governador do estado é ligar pro presidente eleito pra gente poder falar sobre Minas Gerais”, disse.
Cleitinho colocou o diálogo com o Planalto como a primeira das três prioridades do mandato. Para ele, a relação entre o estado e o governo federal se desgastou nos últimos quatro anos. “Não tô aqui para falar do [governo] passado, mas atacou muito o governo federal. Então você não faz política sem o governo federal”, afirmou.
Dívida no centro da conversa
O principal tema da ligação, segundo o governador eleito, será a dívida de Minas com a União. Ele disse que o estado paga uma prestação de R$ 500 milhões e quer renegociar o débito para que parte desse dinheiro fique em Minas.
“A gente pode pegar essa prestação que o estado tem que pagar e poder reverter pro estado aqui de Minas Gerais”, declarou.
Cleitinho também citou áreas em que, segundo ele, o estado depende do governo federal, como a saúde e as rodovias. Ele chamou a malha viária mineira de “a pior” e defendeu a regionalização do atendimento de saúde, para que pacientes não precisem viajar centenas de quilômetros de ambulância em busca de consulta ou cirurgia.
“Tira o lado ideológico”
Durante a campanha, a promessa de dialogar com qualquer presidente foi vista por adversários como uma tentativa de agradar eleitores dos dois lados da disputa nacional. Na entrevista, Cleitinho rebateu a leitura. “O que eu falei, eu vou praticar”, disse.
Ele contou que adotaria a mesma postura mesmo com um adversário declarado. Segundo o governador eleito, se tivesse enfrentado no segundo turno o candidato Renan, que fez campanha contra ele, o vencedor também receberia sua ligação. “E olha que ele fez campanha o tempo inteiro contra mim, falando mal de mim”, afirmou.
“Eu acho que a política é para isso. Tira o lado ideológico, tira o lado partidário e a primeira coisa que a gente tem que pensar é no povo. E o que eu vou pensar primeiro é no povo mineiro, para quem votou em mim e para quem não votou”, completou.
Parceria já testada em Divinópolis
Para mostrar como pretende trabalhar com Brasília, Cleitinho citou o Hospital Regional de Divinópolis, no Centro-Oeste, sua cidade natal. Segundo ele, a obra ficou parada por mais de dez anos e só foi concluída com recursos da indenização da Vale. O funcionamento veio de um acordo entre as três esferas: o município cedeu o terreno, o estado terminou a obra e o governo federal assumiu o custeio.
O governador eleito disse que esse modelo é o primeiro passo para colocar em funcionamento os outros hospitais regionais do estado, uma das promessas de campanha.
Cleitinho Azevedo foi eleito com mais de 6 milhões de votos e toma posse em 1º de janeiro de 2027. O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro.







