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Governo promete ampliar Pé-de-Meia e prevê aumento de matrículas em universidades e institutos federais de MG

08/10/2026 às 13h22 - Atualizado em 08/10/2026 às 13h27
(Reprodução/Prefeitura Municipal de Betim)

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o governo federal vai ampliar o programa Pé-de-Meia de 4,6 milhões para 7,2 milhões de estudantes e aumentar em 20% as matrículas nas universidades e nos institutos federais de Minas Gerais. As medidas fazem parte de um pacote de expansão da educação apresentado em entrevista exclusiva ao BHAZ, que também inclui novos campi, escolas técnicas e investimentos de R$ 2,8 bilhões em obras apenas em Minas Gerais.

Segundo Barchini, a ampliação do Pé-de-Meia foi determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deverá ocorrer em 2027. O programa atualmente atende a estudantes do ensino médio público inscritos no Cadastro Único e exige, entre outros critérios, frequência escolar mínima de 80%. Os alunos têm direito a uma bolsa e poupança. O ministro explicou que a política contribuiu para reduzir o abandono e a reprovação e citou estudo do Insper que aponta retorno de 15 vezes o valor investido. A universalização do programa, para todos os estudantes do ensino médio, foi apontada por Barchini como uma das prioridades do governo para o próximo ano.

“É um programa que tem trazido muitos resultados pedagógicos, inclusive, para além da redução do abandono da reprovação e do atraso escolar. No abandono, nós caímos desde 2022, 61%. A reprovação caiu 62% e a distorção idade de série, que é o atraso escolar, caiu mais de 28%”, disse.

Em Minas Gerais, a expansão da rede federal de ensino deve ocorrer por meio de novos campi e do aumento da oferta de vagas. Barchini afirmou que há uma carteira de obras em andamento avaliada em R$ 2,8 bilhões no estado, dentro de um conjunto nacional de mais de R$ 30 bilhões em investimentos retomados na educação. Entre os projetos estão os novos campi de Betim e Ipatinga, além de escolas técnicas e unidades em Boa Esperança.

” São muitas unidades e uma expansão da ordem de 20% das matrículas, tanto nas universidades federais, quanto nos institutos federais. Retomamos o investimento nos últimos anos. As universidades de Minas Gerais tem recebido muita obra para consolidar, obras que estavam paradas há mais de 6, 7 anos, nós conseguimos retomar”, destacou.

Segundo o ministro, para o próximo período, já foram solicitados às universidades de Minas e aos institutos federais um novo levantamento [sobre as necessidades] para investimento. “Teremos o PAC 4 e um investimento até maior do que fizemos esses últimos 4 anos para a gente continuar consolidando e expandindo a educação pública, em especial a educação federal de Minas”, garante.

Novo campus em Betim

Entre os projetos citados pelo ministro está o novo campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em Betim. A instituição deverá funcionar inicialmente no antigo Clube da Fiat, espaço doado pela prefeitura e que possui mais de 20 mil metros quadrados de área construída, além de piscina e quadras esportivas.

“É um investimento inédito na história do Brasil recente, porque nós viemos de um período de subfinanciamento de 2016 a 2022, que deixou o Ministério da Educação numa situação muito grave. Nós perdemos nessa época mais de 120 bilhões. Todas as obras institutos federais e universidades federais pararam. Em 2023 retomamos e Betim faz parte dessa realidade”, criticou o ministro.

A proposta, segundo o ministro, é transformar o local em um chamado “Smart Campus”, com cursos voltados a áreas como inteligência artificial, processamento de dados, ciência da computação e engenharia de automação. Há um investimento previsto de R$ 20 milhões em um novo prédio de salas de aula. A expectativa é que as aulas regulares tenham início no segundo semestre de 2027, após a realização de concursos para professores e técnicos.

Educação em tempo integral

Além da expansão da rede federal, Barchini afirmou que o Ministério da Educação pretende aumentar a oferta de ensino em tempo integral no Brasil como estratégia para melhorar a qualidade da educação básica.

Segundo os números apresentados pelo ministro, as matrículas em tempo integral passaram de cerca de 15% em 2021 e 2022 para aproximadamente 26% atualmente. O programa Escola em Tempo Integral conta, de acordo com Barchini, com a adesão de 91% dos entes federados e prevê assistência técnica, formação continuada, materiais e investimentos em infraestrutura.

“O nosso plano é fazer um aumento drástico das matrículas em tempo integral no Brasil todo. Porque todos os estudos internacionais e todas as evidências nos mostram que somente o aumento da exposição do estudante à escola faz com que a educação de fato melhore”, disse.

A expansão ocorre em um momento em que o governo também discute uma meta mais ambiciosa para a educação em tempo integral. Barchini já afirmou que a intenção é acelerar o cumprimento da meta prevista no Plano Nacional de Educação.

É claro que essa expansão não pode ser desenfreada, ela tem que ser feita com planejamento. O Ministério da Educação tem trabalhado desde 2023 no programa Escola em Tempo Integral. Hoje 91% dos entes federados, municípios e estados possuem política de educação integral no Brasil.

“Nós estamos prestando toda assistência técnica. Estamos enviando materiais, fazendo formação continuada e investindo em infraestrutura para expansão dessas matrículas para que a gente possa definitivamente dar esse salto de qualidade no próximo período no Brasil”, garantiu Barchini.

CEFETs viram universidades

Outra iniciativa comentada foi a transformação dos Centros Federais de Educação Tecnológica de Minas Gerais e do Rio de Janeiro em universidades. A mudança foi oficializada pela Lei nº 15.521/2026, que transformou o CEFET-MG na Universidade Federal de Ciência e Inovação de Minas Gerais. A instituição, porém, continuará oferecendo cursos técnicos de nível médio.

Segundo Barchini, a mudança atende a uma reivindicação histórica de mais de 20 anos da comunidade acadêmica e tem como objetivo ampliar a atuação das instituições nas áreas de ciência, inovação e tecnologia.

“A tendência dessa unidade é se expandir, como todo o sistema de educação federal brasileiro tem se expandido. Estamos aguardando o planejamento do antigo Cefet nessas expansões e teremos daqui para frente novidades, de expansão de cursos, expansão de matrículas, que é tão necessário também em Minas Gerais”, destacou.

Impacto de eventual corte no orçamento

Questionado sobre a proposta de campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) de cortar 1,5% do PIB do orçamento, Barchini afirmou que a medida afetaria diretamente as despesas discricionárias da União. A campanha do candidato, no entanto, nega.

Segundo o chefe do MEC, o orçamento discricionário, que inclui o custeio de universidades e institutos federais, bolsas da Capes para mestrado e doutorado, o Pibid, o Portal de Periódicos e o Pé-de-Meia, deve sofrer impacto. Na avaliação Barchini , esse corte representaria entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões a menos e poderia comprometer programas e políticas de educação.

“Eles têm negado, mas ou eles não sabem fazer a conta ou eles estão de má fé. É, porque se, o que a assessora econômica falou é verdade, e ela disse literalmente que é 1,5% do PIB em 2027, esse corte, no caso do Ministério da Educação, que é um dos maiores ministérios, e eu reputo como um dos mais importantes, sofrerá consequências imprevisíveis”, disse o ministro.

Meta de 1.000 institutos federais

Barchini também apresentou uma meta de expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Segundo ele, o Brasil tinha 140 escolas técnicas entre 1909 e 2002 e deverá chegar ao fim de 2026 com 800 unidades.

Para os próximos quatro anos, a previsão apresentada pelo ministro é criar outras 200 unidades, chegando a 1.000 institutos federais no país. O modelo, segundo ele, combina ensino médio integrado ao técnico, graduação, mestrado e doutorado.

Nós vamos fechar 2026 com 800 unidades [de ensino técnico]. É uma expansão sem precedentes na nossa história, porque é um modelo de educação de muita qualidade. É um ensino médio integrado com o técnico, ou seja, os estudantes já saem com uma profissão, muitos deles já empregados, muitos acessam a universidade, porque saem muito bem preparados”.

Redação BHAZ

redacao@bhaz.com.br

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Email: redacao@bhaz.com.br

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