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‘Aeroporto em região povoada torna acidentes mais complexos’, afirma especialista após três quedas de avião em BH e região

10/10/2026 às 09h56
Aeroporto da Pampulha (Reprodução/Seinfra)

Belo Horizonte e a Região Metropolitana registraram três quedas de aviões de pequeno porte em 2026. O caso mais recente ocorreu nesta sexta-feira (9), quando uma aeronave caiu no pátio de manutenção do metrô de BH, ao lado da Estação São Gabriel, na região Nordeste da capital. O piloto morreu carbonizado.

Diante das ocorrências, o fechamento do Aeroporto Carlos Prates, em 2023, e a transferência de parte das operações de aeronaves de pequeno porte para o Aeroporto da Pampulha levantam questionamentos sobre a estrutura aeroportuária da capital e os riscos envolvidos em voos realizados em áreas urbanas.

Segundo o piloto e advogado Wagner Cláudio Teixeira, secretário da Comissão de Direito Aeronáutico da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG), parte das aeronaves que operavam no Aeroporto Carlos Prates passou a utilizar o Aeroporto da Pampulha após o encerramento das atividades do antigo terminal. Para ele, a mudança trouxe preocupações relacionadas à fiscalização das aeronaves de pequeno porte. “Com o fechamento do Carlos Prates e a migração de algumas aeronaves para o Aeroporto da Pampulha, esse problema foi transferido para o Aeroporto da Pampulha”, avalia Wagner.

Segundo o especialista, aeronaves privadas que não operam como táxi aéreo não estão necessariamente sujeitas à mesma rotina de fiscalização aplicada às aeronaves comerciais e às que realizam esse tipo de serviço.

Aeroporto da Pampulha

Para o professor Cláudio Lisardo, de 40 anos, formado em história e com pós-graduação em aviação, a localização do Aeroporto da Pampulha é um aspecto importante para compreender a complexidade dos acidentes aéreos em Belo Horizonte. “Independentemente da causa dos acidentes, a principal característica é a presença de um aeroporto em um grande centro urbano. O aeroporto da Pampulha se situa em uma região da cidade muito habitada”, afirma.

Segundo Lisardo, quando uma queda acontece em uma área urbana, a ocorrência envolve fatores que vão além das condições da aeronave. As características do local atingido também precisam ser consideradas. “O fato de a gente ter um aeroporto situado em uma região urbana, densamente povoada, faz com que essas ocorrências sejam sempre mais complexas, porque, invariavelmente, se houver um acidente, uma queda, ela vai ocorrer em meio urbano”, explica.

O professor cita os aeroportos Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e Congonhas, em São Paulo, como exemplos de terminais localizados em regiões densamente povoadas.

Falhas mecânicas e manutenção de aeronaves

A manutenção também é um fator relevante para a segurança da aviação, segundo Wagner. De acordo com o piloto, o cumprimento dos procedimentos previstos pelos fabricantes reduz a possibilidade de problemas mecânicos. “Se eu cumpro regularmente o programa de manutenção, eu tenho uma boa chance de não ter um problema mecânico”, afirma.

O especialista ressalta que falhas técnicas podem ocorrer mesmo quando a manutenção está em dia. Ele cita situações inesperadas, como a colisão com pássaros ou obstáculos, que podem provocar danos a componentes da aeronave.

O piloto também destaca que as causas do acidente desta sexta-feira (9) ainda precisam ser esclarecidas. Segundo ele, relatos de testemunhas sobre barulhos e o voo em baixa altura podem levantar hipóteses, mas não permitem confirmar a ocorrência de uma falha no motor.

Relembre as três quedas de avião em 2026

Além do acidente desta sexta-feira (9), Belo Horizonte e a Região Metropolitana registraram outras duas ocorrências com aeronaves de pequeno porte neste ano.

Em maio, um avião caiu sobre um prédio residencial no bairro Silveira, na região Nordeste da capital, poucos minutos após decolar do Aeroporto da Pampulha. A aeronave seguia em direção a São Paulo. O acidente deixou três mortos: o piloto Wellington de Oliveira Pereira, o passageiro Fernando Moreira Souto e o empresário Leonardo Berganholi, que morreu após ser socorrido e levado ao hospital.

Em agosto, outro avião de pequeno porte caiu em uma zona rural de Mateus Leme, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O piloto, de 29 anos, era o único ocupante da aeronave e conseguiu acionar o paraquedas do avião antes da queda. Ele sobreviveu, saiu consciente da aeronave e sofreu ferimentos leves.

Isadora Vianna

Estudante de jornalismo pela PUC Minas e estagiária do BHAZ desde fevereiro de 2026. Atuou na redação da Record Minas e na comunicação interna do Grupo Valence
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Isadora Vianna

Email: isadora.ribeiro@bhaz.com.br

Estagiária do BHAZ

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