Aquele celular antigo esquecido na gaveta, o carregador que não serve em mais nada e o notebook que parou de ligar agora têm um destino simples. A partir desta quarta-feira (14), os Correios passaram a receber gratuitamente eletroeletrônicos sem uso em mais de 6 mil agências que oferecem o serviço Balcão do Cidadão. Não é preciso agendar.
O lançamento coincide com o Dia Internacional do Lixo Eletrônico, celebrado nesta data. A iniciativa é uma parceria com a Circular Brain, empresa que opera uma rede de logística reversa de eletrônicos, e não tem custo para o consumidor.
Como funciona
Basta reunir os aparelhos em uma caixa, com até 30 kg no total, e levá-la aberta até a agência. O próprio atendente fecha a embalagem na hora da postagem. O cliente informa nome, CPF, endereço, e-mail e telefone e recebe um comprovante do envio.
São aceitos eletrônicos de pequeno porte, como celulares, notebooks, tablets, fones de ouvido e cabos. Pilhas, baterias e lâmpadas não entram nessa modalidade.
Depois da postagem, o material segue para a Rede Circulare, que encaminha cada remessa ao reciclador homologado mais próximo. Segundo as empresas, todo o trajeto é rastreado até a destinação final.
“Muitas pessoas guardam esses pequenos eletrônicos em casa porque não sabem o que fazer com eles”, afirma Marcus Oliveira, CEO da Circular Brain. A ideia, segundo ele, é que o morador aproveite uma ida ao Correio para resolver outra coisa e já deixe a caixa.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, destaca a presença da estatal em todos os municípios do país, com mais de 10 mil agências, como trunfo para ampliar o acesso ao descarte correto.
Só 3% é coletado
O Brasil gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, mas apenas cerca de 3% desse volume é coletado formalmente, segundo dados de 2022 da Global E-waste Statistics Partnership, ligada à ONU. Em 2025, a Rede Circulare processou 83 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos.
Quando descartados no lixo comum, esses equipamentos podem contaminar solo e água e trazer riscos à saúde. Guardados em casa, deixam de devolver à indústria matérias-primas que poderiam ser reaproveitadas.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) e o Decreto 10.240/2020 obrigam fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes a manter sistemas de logística reversa para eletroeletrônicos de uso doméstico, com metas de coleta e pontos de entrega nos municípios.







