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Clientes denunciam prejuízos após compra de carros na Lukinha Automóveis, em BH

24/10/2026 às 11h42 - Atualizado em 24/10/2026 às 11h55
(Reprodução/Redes Sociais)

“Eles debocham da nossa cara” é assim que Gabrielle Rodrigues, professora, de 37 anos, descreve o tratamento que afirma ter recebido ao tentar resolver problemas no carro comprado na Lukinha Automóveis, em Belo Horizonte. Ela e outros consumidores denunciam prejuízos financeiros, defeitos mecânicos e dificuldades para conseguir reparos ou reembolso após adquirir veículos no estabelecimento. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar possíveis crimes previstos no Código de Defesa do Consumidor e de estelionato. Procurada, a empresa diz que não vai se pronunciar.

O engenheiro civil Jhonatan Faria, de 36 anos, afirma ter gastado mais de R$ 20 mil com a manutenção do Ford Ka 2015 comprado na loja. Segundo ele, os gastos com reparos se somam às dificuldades de negociação com a empresa. Os consumidores também questionam os laudos apresentados durante as vendas e relatam que os problemas encontrados nos veículos não correspondiam às condições informadas na compra.

Jhonatan conta que comprou um Ford Ka 2015 por R$ 38 mil, valor cerca de R$ 3 mil acima da tabela Fipe, segundo ele. Durante a negociação, a loja apresentou um laudo que, conforme o consumidor, indicava que o veículo estava em boas condições.

Os problemas, no entanto, teriam aparecido já na primeira revisão. Jhonatan notou barulhos na suspensão, falhas na caixa de marcha, vazamentos e problemas no radiador. Segundo ele, o motor também apresentou danos graves.

O engenheiro afirma ter notas fiscais que comprovam mais de R$ 20 mil gastos com a manutenção do veículo. Ele também diz ter recebido um contrato de garantia de 90 dias, mas que, ao procurar a loja para resolver os problemas, foi orientado a buscar a Justiça. “Eles dizem que quem compra carro velho tem que ter condições de comprar manutenção”, relata Jhonatan, ao descrever a resposta que afirma ter recebido.

O consumidor também denuncia a forma como as reclamações seriam conduzidas no estabelecimento. Segundo ele, há relatos de clientes que teriam sido levados para uma sala e impedidos de sair durante discussões com representantes da loja. A denúncia será apurada pelas autoridades.

Professora relata problemas em carro comprado na loja

Outro caso é o da professora Gabrielle Rodrigues, que comprou um Citroën C3 Exclusive 1.6, ano-modelo 2016/2017, em julho do ano passado. Segundo ela, o pagamento foi feito com R$ 30 mil via Pix, R$ 9 mil financiado e mais R$ 16 mil de entrada, referentes ao veículo anterior.

Gabrielle afirma que o automóvel parecia estar em boas condições no momento da compra, mas começou a apresentar problemas que foram descobertos gradualmente.

Entre as irregularidades relatadas, a professora diz ter encontrado o radiador preso com abraçadeiras plásticas do tipo enforca-gato e o para-choque soltando. Com o início do período chuvoso, ela também percebeu que entrava água no interior do veículo, que, segundo seu relato, chegava a ficar completamente alagado.

A consumidora estima ter desembolsado cerca de R$ 15 mil em reparos, mas afirma que ainda há problemas a serem resolvidos, como falhas na suspensão. “Desde lá, é só surpresa”, afirma Gabrielle, ao relembrar a compra.

Segundo a professora, ela tentou negociar uma solução com a loja, mas não conseguiu chegar a um acordo. Ela relata que, ao apresentar reclamações, ouvia como resposta que deveria procurar a Justiça. “Ele debocha do consumidor assim na nossa cara” afirma Gabrielle. A professora também contesta declarações públicas do responsável pela loja sobre uma suposta disposição para negociar com os clientes.

Carro de Gabrielle

Carro teria sido arrematado em leilão por R$ 23 mil

Gabrielle afirma que procurou informações sobre o histórico do veículo e descobriu que ele havia sido arrematado em um leilão em São Paulo por R$ 23 mil, antes de ser vendido a ela por R$ 55 mil.

A professora questiona o laudo apresentado pela loja, que, segundo ela, não indicava os problemas encontrados posteriormente. Ela também afirma que não foi informada sobre o histórico de leilão do automóvel.

Ao tentar repassar o veículo para outro estabelecimento, Gabrielle diz ter recebido uma avaliação de, no máximo, R$ 25 mil. A diferença entre o valor pago e a avaliação recebida, somada aos gastos com manutenção, ampliou o prejuízo relatado pela consumidora. “E mais o dano psicológico”, diz a professora, que afirma fazer uso de medicamentos controlados em meio ao desgaste provocado pela situação.

Vítimas se organizam nas redes sociais

Os consumidores também se mobilizaram nas redes sociais para compartilhar relatos e reunir denúncias relacionadas à loja. Um perfil identificado como @Vitimas_Lukinha_automoveisRESERVA reúne publicações de pessoas que afirmam ter enfrentado problemas após comprar veículos no estabelecimento.

O grupo conta com mais de 400 seguidores e compartilha relatos e vídeos de manifestações contra a empresa. A mobilização busca dar visibilidade às reclamações e reunir consumidores que dizem ter passado por situações semelhantes.

Veja vídeo de denúncia feita por consumidor contra a loja de veículos

O que diz a loja

A reportagem procurou a Lukinha Automóveis, por e-mail e WhatsApp, para solicitar esclarecimentos sobre as denúncias, os laudos apresentados aos consumidores, as condições de garantia, os problemas mecânicos relatados e as condições de eventuais acordos extrajudiciais. A resposta foi de que a empresa não gostaria de se pronunciar. “Não quero falar”, afirmou o proprietário do estabelecimento.

Investigação

Neste mês, no dia 2 de outubro foi cumprido um mandado de busca e apreensão na agência, no âmbito da investigação da Polícia Civil de Minas Gerais. No momento da operação, o proprietário da loja, Lucas Henrique Santos, conhecido como “Luquinha”, não estava no local.

Em nota ao BHAZ, a Polícia Civil informou que não poderá fornecer informações adicionais sobre a investigação, a fim de preservar o andamento dos trabalhos e garantir o êxito das diligências em curso.

A corporação esclareceu, ainda, que foi instaurado inquérito policial para apurar a possível prática de crimes previstos no Código de Defesa do Consumidor e de estelionato.

Isadora Vianna

Estudante de jornalismo pela PUC Minas e estagiária do BHAZ desde fevereiro de 2026. Atuou na redação da Record Minas e na comunicação interna do Grupo Valence
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Isadora Vianna

Email: isadora.ribeiro@bhaz.com.br

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